Análise: seguro, Fluminense não sofre, mas demora a espetar na frente e fica só no empate

empate sem gols com o Atlético-MG, na noite desta quarta-feira, deixou a sensação de que dava para sair com a vitória do Maracanã. Não pelos 90 minutos em si, mas pelos sete de acréscimo, quando o Fluminense desperdiçou três grandes chances. Organizada e compacta, a equipe de Marcão fez boa partida defensivamente, mas demorou a despertar na frente, adiando a chance de garantir presença na Pré-Libertadores de 2021 já nesta rodada.

Os três pontos seriam suficientes para carimbar a vaga, ao menos, na fase preliminar do torneio continental, maior objetivo da temporada e competição que o clube não disputa desde 2013.

Luiz Henrique em ação em Fluminense x Atlético-MG — Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.

Seguro, time não sofre (…)

Sem dúvidas, o principal destaque do Fluminense foi o sistema defensivo. Com apenas uma mudança na escalação inicial, em que Matheus Ferraz entrou na vaga de Nino, cortado por problema físico, a equipe se comportou muito bem diante do Atlético-MG, time que mais finaliza no Brasileirão, com média de 15 por jogo. Na quarta-feira, conseguiu apenas oito.

Organizado, o time soube diminuir os espaços e dificultar a vida do Galo. Desde os atacantes, com Lucca e, principalmente, Luiz Henrique, a equipe fechou bem as linhas e impediu investidas pelos lados de campo. Pelo meio, Martinelli, mais uma vez gigante, não deixou os zagueiros expostos. Com bom posicionamento, deu botes certeiros e ainda foi a principal peça para iniciar as jogadas da defesa para o ataque.

Martinelli cercado por Savarino, Sasha e Allan em Fluminense x Atlético-MG — Foto: André Durão

Calegari e Egídio também tiveram papel importante: seguraram as subidas, mas deram poucas brechas atrás, ajudando a amparar a dupla de zaga.

Assim como fez Marcão após a partida, Luccas Claro também merece um destaque extra por aqui. Não só por mais uma boa atuação, que lhe garantiu o troféu de “Craque do Jogo”, mas também pelo comprometimento dentro e fora de campo. O zagueiro perdeu o pai, por complicações da Covid-19, no último domingo e, mesmo assim, se colocou à disposição da equipe.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

– Menção honrosa ao Luccas Claro, que fez questão de estar com todo o grupo. Um cara especial, família especial. Temos que bater palma para esse rapaz, de tão grande e tão respeitoso que foi com nossa instituição – destacou Marcão durante a coletiva.

Esta é a segunda vez na história dos pontos corridos (desde 2003) que o Fluminense não sofre gols em quatro jogos seguidos. A primeira foi em 2007, quando venceu Sport, Athletico-PR, América-RN e Botafogo, da 24ª a 27ª rodada – todos por 2 a 0.

Matheus Ferraz em Fluminense x Atlético-MG — Foto: André Durão

(…) Mas demora a incomodar na frente

Se a equipe foi muito bem defensivamente, deixou a desejar no ataque. É preciso destacar a qualidade e os méritos do adversário, terceiro colocado do Brasileirão. Atento ao estilo de Sampaoli de “ir para cima”, o time de Marcão se comportou bem taticamente, mas não obteve sucesso nas tentativas de contragolpes.

No primeiro tempo, Luiz Henrique, que alternou entre o lado direito e esquerdo, foi quem mais deu trabalho à defesa atleticana. Sofreu falta próxima à área, tabelou com Calegari e Martinelli, arriscou cruzamentos e chutes, e não parou de correr. No meio, Martinelli conseguiu imprimir velocidade nas transições, mas o time não acompanhou o ritmo e, quase sempre, viu o o rival se recompor em tempo.

Na volta do intervalo, Fred, com desconforto no músculo adutor da coxa direita, deu lugar a John Kennedy. Apesar do fôlego renovado do jovem, o gás de Nenê, Lucca e Luiz Henrique já não era o mesmo, e a equipe, apesar de seguir anulando o ataque do Atlético, não conseguiu segurar a bola ou aproveitar as saídas em velocidade.

John Kennedy, em Fluminense x Atlético-MG — Foto: Lucas Merçon FFC

Só nos acréscimos que o Fluminense realmente assustou. E bastante. Foram três boas chances criadas, e a sensação de que dava para ter saído com a vitória do Maracanã. A principal delas foi com Fernando Pacheco, aos 47. O peruano, que havia entrado na vaga de Lucca, ficou cara a cara com Everson e finalizou rasteiro, em cima do goleiro (reveja abaixo).

Fernando Pacheco tenta a finalização rasteira. Everson aparece para fazer grande defesa, aos 47 do 2ºT

Os três pontos ficaram no quase, mas o Tricolor ainda tem mais três rodadas para garantir presença na Libertadores. Há tempos, o objetivo não ficava tão próximo. Com 57 pontos e em quinto lugar na tabela de classificação, o Fluminense enfrenta o Ceará, na próxima segunda-feira, às 18h (de Brasília), no Castelão.

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