Análise: repleto de desfalques, Botafogo mostra fraquezas em derrota com 28% de posse de bola

Entrar em campo com três zagueiros não necessariamente significa um time defensivo. Mas o que se viu na tarde de domingo, na derrota do Botafogo para o Fluminense por 1 a 0 no Nilton Santos, foi uma equipe dominada pelo adversário. Com poucos passes trocados, o time comandado por Vítor Severino – Luís Castro foi expulso na rodada anterior – quase não viu a cor da bola, principalmente no segundo tempo.

Os 28% de posse de bola foi o menor número do Botafogo em todo o Campeonato Brasileiro. Mesmo quando teve um jogador a menos quase durante toda a partida contra o Internacional a equipe conseguiu ficar mais com a bola. No clássico do último domingo, a precisão dos passes e a quantidade de vezes que o time acertou passes só foi maior do que na partida anterior, quando atuou com 10 jogadores por cerca de 100 minutos.

Botafogo pouco ter encostado na bola não condiz com o que foi o início do jogo. Em alguns momentos, principalmente quando o Fluminense saia tocando desde a defesa, o Bota conseguia pressionar e chegou a dar um sufoco na zaga tricolor. Nas vezes que isso aconteceu, o Flu ainda assim conseguiu sair jogando, mas mostrou algumas dificuldades e parecia que se a pressão alvinegra continuasse poderia trazer resultados.

Mas não foi o que aconteceu. Aos poucos, o time do Botafogo ia cada vez mais para trás, onde se defendia com uma linha de cinco jogadores e ficava cada vez mais encurralado. Um dos poucos destaques da equipe nesse jogo foi o alto número de desarmes. Dos 32 realizados na partida, sete foram de Del Piage, que saiu esgotado de campo. Por outro lado, Tchê Tchê não teve nenhum computado.

Por mais que desse espaço para o time do Fluminense e não conseguisse segurar a bola, o time do Botafogo não cedia tantos espaços assim quando o adversário estava perto da área. A defesa alvinegra evitava o chute com qualidade do time tricolor, tanto que Gatito Fernández não fez nenhuma defesa difícil.

A partir de determinado momento, parecia que o Botafogo esperava apenas o apito final do árbitro para conquistar um ponto no clássico. O time se fechava e não conseguia sair para o jogo já que se via sufocado pela marcação do Fluminense já no campo de ataque.

Porém, não foi assim o tempo inteiro. O Botafogo chegou a gerar alguns lances de perigo contra o Fluminense, principalmente na etapa inicial. Matheus Nascimento e Vinícius Lopes chegaram com chance de abrir o placar, mas os chutes não saíram com a mira ou força adequadas.

Antes do gol sofrido pelo Botafogo, o time chegou a assustar. Como se jogasse por uma bola, teve a chance que tanto queria quando Saravia foi lançado na linha de fundo. O cruzamento do ala alvinegro pela direita foi muito forte e Erison – que havia passado um pouco da bola – tentou completar de cabeça, mas, desequilibrado, mandou por cima do gol.

Poucos minutos depois, Manoel se antecipou a Carli e Cuesta, deixou Gatito e Saravia no chão, e completou num golaço. O placar final até ficou barato, dado o volume de jogo apresentado pelo Fluminense, que dominou o Botafogo.

Claro que deve-se levar em consideração que o Bota teve consideráveis desfalques, como um meio de campo totalmente diferente do time que venceu o Internacional. Por outro lado, o domínio pode servir de lição para o time. Se não dava para bater de frente com o Palmeiras, também não pode sucumbir num clássico e praticamente não conseguir sair para os contra-ataques.

Com a derrota, o Botafogo perdeu três posições na classificação e agora é o 10º colocado do Brasileirão. A próxima partida pela competição será contra o Red Bull Bragantino, na próxima segunda-feira, às 20h (de Brasília), fora de casa. Antes disso, o Bota entra em campo pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, na próxima quinta, às 19h, contra o América-MG, no Independência.

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