Análise: poder de fogo preocupa, mas Fluminense mostra mais prós do que contras em vitória sofrida

Convenhamos: foi um jogo tecnicamente feio de se ver; um placar magro aquém das expectativas, e uma vitória sofrida do Fluminense graças a um gol contra. Mas o torcedor tricolor precisa relativizar o resultado de 1 a 0 diante do Atlético-GO na última quarta-feira no Maracanã, pelo jogo de ida da quarta fase da Copa do Brasil (veja os lances no vídeo acima). Contra uma forte retranca e um adversário bem armado e perigoso nos contra-ataques, o time de Odair Hellmann teve uma atuação com mais pontos positivos do que negativos.

O ponto negativo é um só, mas que preocupa bastante: o baixo poder de fogo. A equipe já vinha de um jogo de poucas chances na vitória sobre o Corinthians por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro, e mais uma vez pouco criou contra o Atlético-GO: foram apenas oito finalizações, só metade na direção do gol. As melhores oportunidades foram: uma cabeçada de Wellington Silva, uma cobrança de falta de Nenê e um lançamento de Marcos Paulo para Luiz Henrique, que não conseguiu concluir.

Ataque em baixa no Flu: Wellington Silva também ficou devendo — Foto: André Durão / ge

Tem um peso grande na baixa produção ofensiva a atuação apagada de Michel Araújo, que se firmou no time titular e foi um dos responsáveis pelo encaixe do meio de campo. O uruguaio pareceu sentir o desgaste da maratona e desta vez não ajudou na criação, mesmo invertendo de lado com Wellington Silva, que também deixou a desejar. Soma-se a isso uma defesa bem postada, que ofereceu raros espaços, e um Fluminense que não podia se lançar com muitos jogadores para não ficar exposto.

Mas é preciso enaltecer (e entender) os pontos positivos de um jogo visualmente desagradável ao olhar do torcedor. Começando pelo sistema defensivo. Foi a 14ª de 35 partidas do Fluminense em 2020 sem sofrer gols, e isso não foi por acaso. Mesmo contra um ataque muito veloz, o time ofereceu uma única oportunidade para o Atlético-GO no Maracanã, em cabeçada de Renato Kayzer após sair sozinho na área tricolor em posição legal.

Nino voltou bem à zaga e recuperou a confiança — Foto: André Durão / ge

No mais, Nino pareceu ter recuperado a confiança e voltou a formar uma dupla segura com Luccas Claro; Calegari vem cada vez mais evoluindo como lateral, e Egídio não comprometeu. Quando algum lançamento passava pela linha defensiva tricolor, Muriel ficava um pouco mais adiantado para fazer o abafa e impedir a finalização, como fez em disputa com Renato Kayzer. O goleiro, aliás, tirando essa interceptação, não precisou fazer sequer uma defesa no jogo.

Novo Evanilson?

No ataque, mesmo diante da pouca produção, um nome se destacou: Luiz Henrique. O garoto de 19 anos, que costuma jogar como ponta, foi escalado pela primeira vez como falso 9 e mostrou que a solução para a posição de centroavante pode mais uma vez vir de Xerém. Ele tem características mais próximas de Evanilson, que foi vendido para o Porto, de Portugal: velocidade, infiltração e saída da área para buscar o jogo. A parceria com Marcos Paulo pode render e merece mais minutos.

Com personalidade, Luiz Henrique surge como "novo Evanilson" — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

E é preciso citar as substituições de Odair. Uma das críticas que o técnico vinha sofrendo era de não conseguir melhorar o time durante as partidas com as alterações. Contra o Atlético-GO, ele fez a leitura correta: colocou Marcos Paulo no intervalo no lugar de Michel Araújo (poderia ser também na vaga de Wellington Silva); com a dificuldade para criar, lançou de uma só vez os dois armadores que tinha no banco: Ganso e Miguel – não deixou Ganso e Nenê juntos em campo para não perder intensidade; e Yago foi bem avançado, após cãibras de Luiz Henrique.

Os jogadores do Fluminense se reapresentam na tarde desta quinta-feira, no CT Carlos Castilho, e iniciam a preparação para enfrentar o Sport no domingo, às 20h30 (de Brasília), na Ilha do Retiro, pela 11ª rodada do Brasileirão. Em entrevista coletiva após a partida contra o Atlético-GO, Odair deu a entender que irá poupar jogadores de olho no jogo da volta da Copa do Brasil na quinta da semana que vem, às 20h, no Olímpico de Goiânia. O Tricolor jogará por um empate para ir às oitavas de final e terá mais espaço ofensivamente para provar sua evolução.

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