Análise: melhor e com um a mais, Botafogo perde chance de vencer e frustra na estreia da Série B

Em processo de evolução e ainda reformulando o elenco para a temporada, o Botafogo estreou na Série B com empate em 1 a 1 contra o Vila Nova, em Goiânia, na última sexta-feira. O resultado não é de todo ruim. As circunstâncias do jogo até possibilitaram uma vitória ao clube alvinegro, mas, pelo histórico de 2021, o ponto fora de casa dá espaço para o crescimento da equipe.

Ronald e Rafael Navarro em Vila Nova x Botafogo — Foto: Heber Gomes/AGIF

Botafogo toma as rédeas, mas não agride

Agressividade, ou a falta dela, é assunto em praticamente todas as análises do Botafogo. Desde os minutos iniciais em Goiânia, o time jogou com intensidade e pressionou o adversário no seu campo de defesa, impedindo que o Vila Nova saísse para o jogo. Teve mais volume.

A boa vontade do Botafogo foi notável, mas não fez dele um time brilhante. E isso é algo que a torcida alvinegra terá que se adaptar. As expectativas não podem ser por uma máquina. No primeiro tempo, as tentativas foram mais intensas nas jogadas aéreas. Foram 14 cruzamentos, de onde saíram as chances mais claras, principalmente pelo lado direito.

Foi com Ronald que o Botafogo insistiu nas jogadas ofensivas. Teve um cruzamento para Rafael Navarro, aos 8 minutos, e uma bola excelente para Marco Antonio, aos 33. Esse último, inclusive, chegou a balançar as redes, mas estava em posição irregular. O ponta-direita foi a melhor notícia da estreia alvinegra na segunda divisão.

Depois dos 20 minutos, o Bota ainda perdeu intensidade e deu mais a bola ao time da casa, que igualou o número de finalizações. A primeira etapa terminou com três chutes para cada equipe.

O lance que poderia ter deixado o Botafogo na boa aconteceu aos 40 minutos. Deivid, volante do Vila Nova, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O time de Marcelo Chamusca jogou a etapa final inteira com um homem a mais.

Frustração pelo homem a mais

O Botafogo não soube aproveitar a superioridade. Fato. Faltaram alternativas para forçar o jogo e abrir a defesa do Vila Nova, que chegou a abrir o placar, aos 7 minutos do segundo tempo em cobrança de escanteio. A defesa dormiu, e a bola sobrou para Willian Formiga chutar forte e marcar.

– Houve, de fato, um erro defensivo. Porque não pode o adversário, com um jogador a menos, ter um atleta livre na entrada da área para finalizar da forma que ele finalizou – admitiu Chamusca.

Pedro Castro não foi bem na estreia do Botafogo na Série B — Foto: Carlos Costa/Futura Press

Nas poucas vezes que o Botafogo trabalhou a bola por dentro e jogou mais aproximado, conseguiu igualar o resultado. O estreante Chay, que substituiu o apagado Ricardinho, deu passe para Rafael Navarro finalizar no canto direito e empatar.

As substituições seguintes não surtiram efeito e foram pouco proveitosas para o Bota buscar a virada. Os cariocas até tentaram, mas, sem a agressividade e intensidade necessárias, não levou perigo ao gol de Georgemy. As opções de Chamusca não ajudaram, e o time perdeu profundidade.

– As substituições foram feitas levando em consideração o aspecto físico. Tanto Ronald como o Marco Antônio já acusavam uma queda de performance, principalmente o Ronald – justificou o técnico.

O Botafogo até foi melhor e mais voluntarioso em comparação com a maioria dos jogos que fez em 2021, mas continua com problemas sérios de criação e conclusão. Na estreia, o distanciamento entre os jogadores também dificultou a construção do jogo, e as condições do gramado também não eram das melhores.

A frustração pelo resultado está no homem a mais. Quando o Botafogo teve a chance de se impor e acuar o adversário, ficou mais longe de sair com os três pontos de Goiânia e perdeu a chance de começar a Série B com a moral elevada.

A sensação é que o Botafogo perdeu dois pontos e não ganhou um.Ainda sem time-base, a expectativa é por uma melhora com a chegada de mais reforços nos próximos dias. O time volta a campo no dia 5 de junho, às 21h, no Nilton Santos, pela segunda rodada da Série B.

Pontos positivos

  • Intensidade inicial. O Botafogo manteve a postura inicial do clássico com o Vasco, com boa intensidade, e pressão sobre a saída de bola do Vila Nova.
  • Ronald. Foi o principal nome do Botafogo. O ponta-direita dominou as ações ofensivas do time e fez o que quis em cima da marcação goiana.
  • Rafael Navarro. O centroavante é boa opção para Chamusca. Deu trabalho à marcação, se movimentou bem e, na única boa bola que recebeu, fez o gol.
  • Chay. Demorou um pouco a encaixar, mas logo passou a contribuir com os companheiros. Foi participativo e deu passe para o gol de Navarro.

Pontos negativos

  • Falta de agressividade. Assim como aconteceu na primeira parte da temporada, o Botafogo foi pouco agressivo e quase não incomodou o goleiro adversário, apesar de ser superior nos 90 minutos.
  • Mudanças sem efeito. Com um homem a mais, o Botafogo não foi cirúrgico para aproveitar a superioridade sobre o Vila Nova. Faltou abrir o adversário e aumentar a profundidade.
  • Criação. Problema crônico do Botafogo, o time até teve melhora no quesito e criou mais, porém poucas oportunidades claras de gol. O distanciamento da equipe pesou, e o meio-campo não encaixou.
  • Finalizações. Embora tenha aumentado o número de chutes a gol – foram 14 em Goiânia -, faltou ser mais efetivo. Nove finalizações foram para fora.

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