Análise: goleada sobre o Macaé não apaga campanha ruim do Botafogo no Campeonato Carioca

Uma goleada por 4 a 0 no encerramento do Campeonato Carioca parece um resultado a ser comemorado, mas no caso do Botafogo o sentimento não é esse. O placar construído sobre o Macaé no último domingo não apaga a campanha ruim no Estadual, que resultou na sétima colocação – a pior entre os quatro grandes.

Mas o exercício aqui não é comparar o Botafogo a Flamengo, Fluminense e Vasco, e sim entender o que faltou ao time de Marcelo Chamusca para convencer nesta primeira parte da temporada. Uma coisa é certa: a sensação é de que ainda falta muito para ver a equipe pronta para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Botafogo ainda tem muito a evoluir — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O que o Botafogo mostrou de diferente diante do Macaé? Além do resultado, quase nada. E isso é o que incomoda, a pouca evolução da equipe nas últimas partidas e a falta de um time base, a incerteza sobre quem pode, hoje, assumir vaga entre os 11 titulares.

Para falar sobre o resultado em questão, precisamos levar em consideração o adversário. Frágil, o Macaé conquistou um ponto em 11 jogos e já entrou em campo rebaixado no Estadual. O Bota teve a chance de disputar um jogo-treino na última rodada do Carioca e, mesmo assim, teve dificuldades de se sobrepor ao rival no Nilton Santos.

Melhores momentos: Botafogo 4 x 0 Macaé pelo Campeonato Carioca 2021

O primeiro tempo do Botafogo foi muito ruim. Sem compactação e lento, o time até ficou boa parte dos 45 minutos iniciais no campo de ataque, mas girando a bola sem conseguir infiltrar a defesa adversária. Na segunda etapa, melhorou a mobilidade e a atitude, pressionando mais o Macaé.

Um jogador em especial é fundamental para entendermos a vitória alvinegra: Pedro Castro. O volante voltou depois de 42 dias afastado por lesão e puxou a goleada. Enquanto o Bota tinha dificuldades de criar as jogadas ofensivas, o meio-campista resolveu com um golaço de fora da área.https://85ee85fbd4a044fcf99dec10af175167.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

O gol ajudou a desorganizar e abalar o Macaé, que já apresentava sinais de cansaço e se abriu mais para o Botafogo jogar. Rickson e Sousa, com atuações seguras, marcaram o segundo e terceiro gols, respectivamente.

Pedro Castro e Matheus Nascimento marcaram contra o Macaé — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O quarto gol merece destaque. Matheus Nascimento, a joia de 17 anos e grande aposta do clube, desencantou e balançou as redes pela primeira vez com a camisa alvinegra. Sai um peso das costas do atacante, que tende a ganhar confiança e tranquilidade para reafirmar o sucesso da base, quando anotou mais de 150 gols e virou o grande nome da geração.

O garoto merece a confiança do torcedor. Apesar de atuações mais discretas na temporada, uma circunstância tem que ser considerada na análise sobre Matheus Nascimento. Ele é um jogador que depende de um time, o que o Botafogo ainda não conseguiu construir. Ou a bola demora a chegar no atacante ou ela não chega em boas condições. O gol de Matheus foi uma das coisas mais positivas da goleada.

Mais que a vitória com autoridade e os quatro gols, o torcedor precisava de uma atuação mais consistente e de enxergar evolução na equipe. Isso não aconteceu, mas o placar pelo menos dá tranquilidade e cria um clima bom nos bastidores. Agora, o time alvinegro terá os “amistosos” da Taça Rio e as semanas livres de treinos para melhorar até a Série B.

Se o Botafogo passar pelo Nova Iguaçu e o Vasco superar o Madureira, os rivais se encontrarão na final do torneio. Vai ser o teste final para Chamusca entender em que pé está o time contra o adversário que reencontrará na segunda divisão.

O lado bom do início alvinegro

Não há muita coisa positiva na parte 1 da temporada do Botafogo, mas algumas situações podem ser levadas adiante em 2021. A começar por novidades no time. O goleiro Douglas Borges se mostrou boa contratação, o zagueiro Gilvan acrescentou para a defesa, o volante Matheus Frizzo é opção interessante para o meio, assim como Pedro Castro, que, apesar dos poucos jogos devido a uma lesão, foi boa notícia quando esteve em campo.

Outro nome merece menção: Paulo Victor, de 20 anos, desponta como titular da lateral esquerda. Ele foi contratado para o time sub-20 no fim do ano passado e, com a falta de opções para a posição nesta temporada, foi chamado por Chamusca. Agradou e tomou conta do setor. No domingo, participou dos dois primeiros gols do Bota e saiu como destaque do Nilton Santos.

Paulo Victor é surpresa positiva do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

A base tem lugar nesse lado positivo. No fechamento do Carioca, três dos quatro gols foram marcados por crias do clube. Rickson, Sousa e Matheus Nascimento anotaram pela primeira vez no profissional. Sinal de que a base segue valorizando o elenco alvinegro e é recurso para Chamusca em 2021. Ainda tem Kanu, Sousa, Kayque, Ênio e Rafael Navarro como nomes interessantes para o técnico.

Em alguns momentos, o treinador conseguiu mostrar um Botafogo organizado e mais objetivo, mas a obediência tática nem sempre se manteve. Ofensivamente, o time melhorou a produtividade e aumentou o número de finalizações, mas ainda falta ser mais eficiente. Apesar de três goleadas (3 a 0 contra o Resende, 5 a 0 contra o Moto Club e 4 a 0 contra o Macaé), a equipe não conseguiu acertar a meta adversária na maioria dos confrontos.

– Se tem uma coisa positiva ao longo deste período é que jogamos bastante contra adversários com características diferentes. Jogos com mais pressão e menos pressão. Pegamos adversários de bloco baixo, adversários que pressionaram a gente. Rodamos bastante. Hoje eu tenho conhecimento dos nossos atletas, que é o lado mais positivo – avaliou Chamusca.

Ainda tem que melhorar

Passados 13 jogos entre Carioca e Copa do Brasil, o Botafogo ainda não apresentou um padrão de jogo e muito menos definiu um time titular. Muito porque repete ainda erros da temporada passada. A avaliação das contratações, por exemplo, é na maior parte negativa. O clube ainda sofre com a falta de opções para as laterais, o meio de campo e o ataque mesmo após 12 reforços.

A fragilidade defensiva é um ponto a se levar em consideração. Falta consistência ao sistema de marcação do Botafogo da defesa até o ataque, quando falamos de recomposição. Às vezes, o time demora a chegar para marcar o adversário. No meio de campo, a baixa combatividade também preocupa, e a equipe desarmou muito pouco nesses dois primeiros meses.

A criatividade é uma grande deficiência do Bota. A falta de um homem para construir as jogadas prejudicou bastante o jogo de Chamusca até então. O técnico tem optado geralmente por um sistema com três volantes e com os pontas invertidos. Quase nunca funcionou.

Marcelo Chamusca espera evolução com mais tempo para treinar — Foto: André Durão/ge

O Bota é uma equipe pouco compacta e muitas vezes lenta nas decisões, o que dá a impressão de que não sabe como agir quando tem a bola, resultando em troca de passes sem objetivo.

– Hoje melhoramos nossa efetividade, nossas finalizações e gols marcados. Hoje evoluímos, mas precisamos ainda evoluir, porque vamos ter jogos em que não teremos oportunidade igual contra o Macaé. Temos que crescer na consistência defensiva. E, quando tivermos fazendo nossas construções, melhorar nas construções pós-perda. Mas isso só se consegue com semana cheia para treinar – pontuou o treinador.

A realidade é que o Botafogo ainda não tem cara de time, o que se espera que aconteça no próximo mês, quando Chamusca terá semanas livres para usar como intertemporada, tempo que não teve disponível antes do início do Estadual. Além do período sem jogos, o treinador aguarda a chegada de reforços. O clube promete que trará nomes de maior peso e que cheguem prontos para jogar.

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