Análise: Fluminense passa em “teste de fogo” na Libertadores e pode decidir classificação em casa

Foi mais coração (e cabeça) do que técnica. A segunda odisseia do Fluminense nesta Libertadores terminou com um empate em 1 a 1 com o Junior Barranquilla, da Colômbia (veja os melhores momentos no vídeo acima), na última quinta-feira no Estádio Monumental de Guayaquil, no Equador. Se por um lado o Tricolor ficou devendo futebol, por outro saiu mentalmente fortalecido após passar no “teste de fogo” do torneio, com ingredientes pelos quais o time de Roger Machado ainda não tinha experimentado nos primeiros jogos da competição:

  • Extracampo: treino em meio a conflitos populares na Colômbia; viagem extra para outro país na madrugada do dia do jogo; e jogadores perdendo metade da noite de sono e uma refeição do dia (poucos conseguiram acordar para tomar café da manhã no hotel).
  • Em campo: um estádio onde nunca havia jogado antes; um pênalti mal marcado; uma arbitragem desastrosa do chileno Julio Bascuñan, que apitava qualquer contato físico; um pouco de catimba colombiana; e jogadores pilhados (e nervosos) no gramado;
Fluminense saiu mentalmente fortalecido de Guayaquil — Foto: Staff Images / Conmebol

O Fluminense passou por tudo isso na base da superação. O time não jogou bem, é verdade. Mas qualquer análise pura e simplesmente em cima dos 90 minutos não é suficiente nessa partida. É preciso levar em consideração o contexto, com todos os empecilhos no caminho, principalmente para quem atuava com um desgaste maior nas costas. E alguns jogadores parecem ter sentido mais e estiveram bem abaixo: como por exemplo os garotos Martinelli e Luiz Henrique.

Scout – Junior Barranquilla x Fluminense

QuesitoJuniorFluminense
Posse de bola60%40%
Finalizações55
Chances claras*44
Faltas1011
Impedimentos10

O Tricolor teve bem menos posse de bola (40% contra 60%), mas finalizou as mesmas cinco vezes que o Junior Barranquilla, sendo que cada um teve quatro chances de gol. E atrás, o bloco defensivo se manteve consistente e forçou os colombianos a chutarem muitas vezes de fora da área. O nervosismo que pairou sobre os jogadores após o pênalti mal marcado foi o que mais assustou, e o Fluminense levou três cartões amarelos em sequência. Parecia que não iria demorar para alguém perder a cabeça e ser expulso, mas eles conseguiram controlar os próprios ânimos depois. O que foi essencial.

Caio Paulista foi a única alteração que entrou bem no jogo — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Com Martinelli apagado e Yago se desdobrando como podia na marcação, faltou mais ligação do meio de campo com o ataque: a bola acabou chegando pouco até Fred. No primeiro tempo, as duas únicas chances tricolores foram na bola parada, com Luccas Claro e Kayky. O Fluminense voltou melhor para a etapa final, jogando com o relógio a seu favor e criando boas oportunidades com o camisa 9. Mas após as alterações, que deveriam dar mais fôlego, o time perdeu intensidade. Bobadilla, Gabriel Teixeira e Cazares entraram discretos, e só Caio Paulista conseguiu levar algum perigo.

Classificação no Rio?

O ponto conquistado fora de casa merece ser festejado como foi. Além do Fluminense se manter na liderança do Grupo D, empatado com os mesmos cinco pontos do River Plate, mas com mais gols como visitante do que os argentinos, o Tricolor agora terá dois jogos seguidos no Maracanã: o primeiro é na próxima quarta-feira, às 21h (de Brasília), contra o Santa Fe; e o segundo no dia 18, às 21h30, novamente diante do Junior Barranquilla. Se ganhar as duas, chegará a 11 pontos e estará matematicamente classificado para as oitavas de final da Libertadores.

Maracanã será o palco dos próximos dois jogos do Fluminense na Libertadores — Foto: André Durão

Antes, porém, o Fluminense decide sua vida no Campeonato Carioca e terá pela frente a Portuguesa neste domingo, às 16h (de Brasília), pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Colombiano – a partida de ida na semana passada terminou em 1 a 1 no Luso-Brasileiro, e o Tricolor terá a vantagem de nova igualdade no placar por ter feito melhor campanha na Taça Guanabara. Os jogadores retornam ao Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira e serão liberados no restante do dia para descansar. Sem tempo a perder, a reapresentação está prevista para a manhã de sábado no CT Carlos Castilho.

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