Análise: com Xerém e alternativas, Fluminense chega competitivo em 1ª final sob comando de Roger

Mais do que o dever de casa em si, o Fluminense de Roger Machado mostrou, mais uma vez, que é um time competitivo. Com uma escalação mesclada, venceu a Portuguesa por 3 a 1, no Maracanã, na tarde deste domingo, e avançou à decisão do Campeonato Carioca, quando enfrentará o Flamengo nos dois próximos sábados. Como havia empatado o primeiro jogo da semifinal em 1 a 1, fez 4 a 2 no placar agregado.

Roger Machado, Fluminense x Portuguesa — Foto: Lucas Merçon/FFC

Em razão da maratona de jogos e das longas viagens que enfrentou nos últimos dias pela Libertadores, o Tricolor entrou em campo com apenas quatro titulares – o goleiro Marcos Felipe, o zagueiro Nino e os volantes Yago e Martinelli –, mas com a obrigação de se classificar. Não só pela superioridade técnica, mas também pela vantagem do empate.

Após duas boas chances logo nos primeiros minutos, o Fluminense passou a ter dificuldades de trabalhar a bola e viu a Portuguesa chegar com perigo. Vale destacar, inclusive, que esta foi a primeira derrota da Lusa para um grande neste Carioca: venceu o próprio Flu (sub-23, na época) por 3 a 0 na segunda rodada da Taça Guanabara, derrotou o Vasco por 1 a 0 e empatou com Flamengo (2 a 2) e Botafogo (1 a 1), além de ter ficado em 1 a 1 no primeiro jogo da semifinal.

Com o resultado deste domingo, o técnico Roger Machado chegou a 14 jogos no comando da equipe, com nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota (3 a 2 para o Volta Redonda). Além disso, viu seus comandados marcarem 27 gols e sofrerem menos da metade: 11. Seu trabalho, até aqui, levou a equipe sem sustos à final do Campeonato Carioca e à liderança do Grupo D da Libertadores, considerado por muitos como “da morte” antes do início do torneio.

Se não fez todos os jogos brilhantes, o Fluminense se mostrou “chato” e competitivo em todas as vezes e não deve ser diferente na final, a primeira de Roger no comando do clube, mesmo que diante do Flamengo, que hoje tem um dos melhores elencos do Brasil.

– No vestiário eu acabei de agradecer os atletas por permitir que eu realizasse um sonho pessoal e profissional. Poder, novamente, depois de ter sido atleta do clube, agora como treinador, voltar a disputar uma final de competição, uma final de estadual. Isso, para mim, é muito gratificando. Chego extremamente motivado e realizado. E mais do que essa realização é o título. Chego revigorado com o grupo que me acolheu muito bem e que chegou forte até esse momento da competição – disse Roger em entrevista coletiva após o jogo.

Fluminense comemora gol e classificação contra Portuguesa — Foto: Lucas Merçon/FFC

Xerém “on fire” e boas opções

Não é de hoje que Xerém é reconhecida como uma fábrica de talentos. Entra ano e sai ano, jovens sobem ao time profissional e, rapidamente, ganham destaque. Casos de Kayky e Gabriel Teixeira nesta temporada, além de Calegari, Martinelli e Luiz Henrique, que “surgiram” em 2020.

Contra a Portuguesa, Kayky, assim como a maioria dos titulares, começou no banco e foi acionado apenas no intervalo para entrar no lugar de Cazares, apagado no primeiro tempo. A joia de 17 anos colocou fogo no jogo: fez boa jogada pela direita, carregou até a linha de fundo e serviu Biel, além de ter marcado seu quarto gol no profissional, após receber bola longa de Martinelli, ganhar na velocidade e finalizar com categoria entre as pernas do goleiro Neguete. Habilidoso e veloz, o camisa 37 parece não sentir o peso de jogos decisivos. Pelo contrário. Se coloca também à disposição para resolvê-los.

Gabriel Teixeira segue a mesma linha. Não é de hoje que o jovem de 20 anos aparece como alternativa (de luxo) ao técnico Roger Machado. Com Libertadores e Fla-Flus pela frente, será cada vez mais útil.

Kayky e Gabriel Teixeira em vitória do Fluminense sobre a Portuguesa — Foto: Lucas Merçon FFC

Quem não é mais garoto, mas merece atenção é Paulo Henrique Ganso. O camisa 10 voltou a ser titular neste domingo e, de forma objetiva e inteligente, distribuiu bons passes, organizando o meio de campo tricolor. O primeiro gol do Fluminense, inclusive, saiu de tabelinha entre Yago e Ganso, em que o volante acertou um chutaço na sequência.

Ganso, Fluminense x Portuguesa — Foto: André Durão / ge

Entre os reforços, Samuel Xavier foi quem melhor atuou contra a Portuguesa. O lateral-direito vem mostrando segurança defensiva e, inclusive, aparece como alternativa para Calegari ser aproveitado também como volante, função que desempenhou pela primeira vez nos profissionais neste domingo, quando entrou no lugar de Martinelli.

Cazares e Abel Hernández, que são jogadores experientes e tendem, sim, a ajudar a equipe, não viveram grande tarde, fazendo partida discreta. Assim como Bobadilla, acionado na segunda etapa, que recebeu amarelo bobo e desperdiçou boa chance ao finalizar, de primeira, sem goleiro.

Entre Xerém, reforços e peças já conhecidas do elenco, Roger tem conseguido mesclar o time e deixá-lo competitivo nos dois campeonatos que disputou até aqui. Em meio ao calendário apertado e às decisões que vem pela frente, poder contar e confiar em mais de 11 jogadores é essencial ao treinador.

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