Análise: base abre caminho para um futuro de melhores notícias para o Botafogo

Qual Botafogo o torcedor espera ver no futuro? Certamente o que jogou contra o Palmeiras na noite da última terça-feira está mais perto das expectativas do que aquele que entrou em campo em boa parte da temporada 2020. A vitória não veio, mas o empate em 1 a 1 na casa do recém-campeão da Libertadores mostra situações positivas para o que vem pela frente.

Mas o que mudou em relação aos últimos seis jogos para a torcida alvinegra recuperar um pouco da confiança que se perdeu ao longo da temporada? Basicamente a escalação. Sangue novo, vida nova.

Base abre caminho para um futuro de melhores notícias para o Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo começou o jogo com seis jogadores da base e apenas dois na casa dos 30 anos: Diego Cavalieri (38) e Rafael Forster (30). O zagueiro improvisado na lateral se lesionou com 10 minutos de jogo e deu lugar a outro cria, o lateral-esquerdo Hugo. A escalação ainda tinha Cesinha, de 20 anos, em sua primeira chance como titular e no primeiro ano em um time profissional.

As mudanças drásticas podem ter assustado num primeiro momento, mas a correria e a vontade em campo mostraram outra face da garotada, que compensou a inexperiência com luta. O Botafogo teve problemas na defesa e dificuldades na construção, mas a postura é alento para os alvinegros.

O Palmeiras não fez muita força para jogar e abrir o placar no primeiro tempo, logo aos 15 minutos. Poderia ter feito outros gols, é verdade. Faltou intensidade, pressionar a saída de bola, marcação forte e menos conformismo em certos momentos. A defesa jovem e desentrosada bateu cabeça algumas vezes, mas o Bota conseguiu se reorganizar, principalmente no segundo tempo.

Outro lance na defesa preocupou. Aos 38 minutos, o Botafogo cobrou falta no ataque, a bola sobrou para o Palmeiras e ninguém marcou o rebote. Willian e Breno Lopes chegaram sem dificuldades ao ataque, e o camisa 29 palmeirense parou em Cavalieri com o gol e goleiro livres à frente dele. A facilidade como o adversário chegou é inaceitável.

Teve coisa boa também. Mais compactado, o time protegeu a área com os três volantes escalados no meio e apresentou uma transição mais rápida para o ataque, utilizando mais das ultrapassagens dos laterais. No fim, a queda no ímpeto impediu uma pressão para tentar a virada.

O espírito de luta pode ser sintetizado em um personagem: Matheus Nascimento. O jovem de 16 anos não sentiu a pressão e foi participativo, aparecendo em todos os setores do campo para dar opção aos companheiros, que foram contaminados pela vontade do garoto.

Matheus Nascimento apareceu em todos os setores do campo contra o Palmeiras — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Em lance crucial, o atacante seguiu Lucas Lima no meio de campo e fez um desarme limpo, aos 14 da etapa final. Matheus chamou a marcação de Felipe Melo e deu espaço para Rafael Navarro receber e arriscar de fora um daqueles chutes que raramente acertam o endereço. Mas acertou em cheio.

Gol do Botafogo! Matheus Nascimento recupera a bola e acha Rafael Navarro, que faz um golaço

Cesinha é outra notícia positiva do jogo. Titular pela primeira vez, o meia-atacante correu, buscou o jogo, recompôs e mostrou a cara para ajudar o time. Precisa de ritmo, mas foi mais produtivo que outros colegas que tiveram oportunidades na temporada.

As alterações de Barroca tiveram dedo do novo diretor de futebol, Eduardo Freeland, que chegou querendo colocar ordem na casa. O dirigente afastou cinco jogadores que chegaram atrasados aos treinos dos últimos dias e “obrigou” o técnico a mudar o time.

Foi um desempenho muito longe da perfeição e de fazer os olhos brilharem, mas a atuação em São Paulo mostra um caminho diferente para o Botafogo no futuro breve. Mudanças mais sérias virão, e a solução às vezes está mais perto do que se imagina. Os erros podem e devem ensinar.

O botafoguense viu no Allianz Parque que o que ele tem pedido rodada após rodada não é nada mais do que merece. Apenas um time que não jogue a toalha facilmente. A expectativa recente é tão baixa que apenas a vontade dos atletas já foi suficiente para agradar os alvinegros. Que isso vire rotina e os sonhos voltem a ser maiores dentro e fora de General Severiano.

E que vontade não falte daqui em diante. Na próxima sexta-feira, às 20h, o Botafogo volta a campo para enfrentar o Sport, no Estádio Nilton Santos, pela 34ª rodada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: