‘Aedes do bem’ são soltos no Caju, após testes bem-sucedidos em Niterói

Milhares de mosquitos Aedes aegypti foram soltos nesta terça-feira (2) no Caju, na Zona Portuária do Rio. Esses mosquitos vieram de um laboratório, não transmitem doenças e ajudam na redução dos casos de dengue.

Os pesquisadores injetam uma bactéria que impede que os insetos transmitam doenças como dengue, zika e chicungunha. O nome da bactéria é wolbachia e é por isso os insetos foram batizados de wolbitos.

“A gente libera wolbitos tanto macho quanto fêmea porque toda fêmea que tem a bactéria passa para a sua geração, para os seus próximos descendentes. Então, a gente garante a sustentabilidade do método. E o macho, quando ele tem a wolbachia e cruza com uma fêmea que não tem wolbachia, é uma prole infértil, ou seja, você não vai ter larva”, explica o líder de relações institucionais e governamentais da WMP Brasil, Diogo Chalegre.

Os pesquisadores afirmam que a wolbachia não faz mal ao meio ambiente. Pode ser encontrada em 60% dos insetos, mas não naturalmente no Aedes aegypti.

Cada tubo tem mais ou menos 200 mosquitos. Nesta manhã, milhares desses insetos com a bactéria wolbachia foram soltos no Caju. O bairro foi escolhido por causa da grande quantidade de pessoas que circulam pelo local, segundo a Secretária de Saúde do Rio.

E a ação vai ser ampliada na capital. Até agosto, os wolbitos vão ajudar também a evitar novos casos da dengue no Centro e na Ilha de Paquetá.

“Excelente, principalmente aqui, que tá tendo casos. Já que é pra eliminar o danadinho que faz a gente ficar doente, é uma opção boa”, disse o motorista João Maria Costa Borges.

O método já foi usado em outras cidades do país. Em Niterói, apresentou resultados positivos e fez os casos caírem de 158 em 2015 para 55 em 2023.

Na cidade do Rio, entre 2016 e 2017, 29 áreas da Ilha do Governador receberam mosquitos com wolbachia. Em 2021, foi a vez da Maré.

“A gente observa, comparado a outros locais, o número de casos desses municípios é menor que o esperado diante dessa grande epidemia de dengue que a gente tá vivendo”, fala o especialista.

 

“O objetivo é montar um cinturão para a região da Grande Leopoldina e do Centro. Hoje a gente faz o Caju, que é um bairro muito importante, até porque tem um cemitério, que é um ponto estratégico para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. E o objetivo é que a gente consiga, numa estratégia combinada, eliminar a dengue do nosso calendário”, falou o secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz.

Mosquitos de laboratórios recebem bactéria que impede a transmissão de doenças — Foto: Reprodução/TV Globo
Mosquitos de laboratórios recebem bactéria que impede a transmissão de doenças

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *