Ação da polícia causou a morte de George Floyd, dizem médicos

O décimo dia do julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de matar George Floyd, foi marcado por depoimentos que apontaram a ação da polícia como a causa da morte do ex-segurança. 

Nesta segunda semana de análise do caso, a promotoria mergulhou na causa da morte de Floyd, com apuração da autópsia, além de vídeos e fotos. Na autópsia, o médico legista Andrew Baker, que examinou o corpo, não encontrou nada anormal nos pulmões ou no coração do americano que pudessem indicar danos provocados pela Covid-19, parada cardíaca ou sinais de um derrame no cérebro.

Três especialistas afirmaram que ele morreu porque ficou sem oxigênio. O pneumologista Martin Tobin disse que o ex-segurança não parou de respirar, pois estava falando. Mas a respiração era limitada por causa da pressão dos joelhos do policial sobre o pescoço e as costas, pelas mãos algemadas que outro policial pressionava e pela posição, de barriga para baixo, no asfalto.

Revendo as fotos e imagens, Tobin destacou que Floyd tentou se virar de lado movendo os quadris e empurrando o corpo com a mão apoiada no pneu do carro, um esforço para respirar melhor. Os minutos passavam e o volume de oxigênio no sangue dele foi diminuindo por causa da respiração limitada.

O cérebro do ex-segurança sofreu uma convulsão por falta de oxigênio e parou, repetiu a patologista forense Lindsey Thomas. “Floyd morreu em consequência da atuação da polícia”, afirmou.

Segundo os médicos, o movimento das pernas é um reflexo comum da convulsão cerebral. O coração também parou. “Nesse momento, a vida deixou o corpo dele”, disse Tobin.

A defesa argumenta que havia metanfetamina e fentanil no sangue de Floyd e que as drogas podem ter provocado problemas respiratórios e a parada cardíaca. Mas os especialistas rejeitaram a tese.

Até o chefe de polícia de Mineápolis testemunhou contra o policial, que demitiu 48 horas após a morte do ex-segurança. Os policiais também questionaram o comportamento de Derek Chauvin, classificando de uso desnecessário da força.

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