Abin nega ter apoiado Flávio Bolsonaro e acusa servidor de vazar informações

O diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, divulgou vídeo nas redes sociais, nesta 4ª feira (7.abr.2021), negando que o órgão tenha produzido relatórios para orientar o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em sua defesa no chamado “caso Queiroz”.

No final da gravação, afirma que a Justiça autorizou a Polícia Federal a cumprir, na manhã desta 4ª (7.abr), mandados de busca e apreensão na casa e na estação de trabalho de um servidor que teria sido responsável pelo vazamento de informações “para dar suporte básico de veracidade para construção de mentiras na imprensa”.

Até a publicação desta reportagem, a PF não havia confirmado ao Poder360 o cumprimento dos mandados contra o servidor.

Ramagem disse que a Abin protocolou notícia-crime contra o servidor depois de apuração interna apontar participação do agente na publicação de reportagens sobre os supostos relatórios para apoiar a defesa de Flávio Bolsonaro no caso que apura a prática de “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

“Não é uma notícia feliz de se dar, mas é um dever nosso correcional. É punitivo. O servidor vai responder em instância criminal e cível. Já vai ter seu afastamento, o que cumpre nosso papel de defesa da instituição”, declarou Ramagem.

O Poder360 entrou em contato com a agência para ter acesso à íntegra da notícia-crime e detalhes sobre a sindicância sobre a responsabilidade do servidor pelo vazamento, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

No mesmo vídeo, o diretor da Abin confirmou que participou de uma reunião com a defesa de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, no entanto, o encontro não resultou em nenhum ato formal do governo.

“Desde essa única reunião, nunca mais… Não tratamos nem tramitamos sobre o tema, nem mais tivemos relacionamentos ou encontros com as pessoas que levaram esse tema”, disse.

Ramagem afirmou ainda que deu início a processos contra jornalistas e outros responsáveis pela publicação de reportagens sobre a suposta produção de relatórios para o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

“Já está em andamento procedimentos de judicialização criminal e civil em face desses jornalistas que, mentirosamente, deram origem a essas imputações de relatórios, além de pessoas, jornalistas ou não, que podem ter influenciado eles a isso”, disse.

“A constatação é a seguinte: que, acredito, parcela da imprensa, pequena, de má-fé, constrói o método, cria um falso fato grave, sem qualquer comprovação ou fundamento, joga para difusão geral para uma condenação pública, execração pública, desacreditar a instituição e seus integrantes”, criticou.

Uma das evidências da sindicância interna que teria isentado a agência de responsabilidade pela produção dos relatórios, segundo Ramagem, é a baixa qualidade dos documentos.

“Foram constatados textos extremamente mal redigidos, com trechos atécnicos, desassociados de qualquer construção de textos de relatório de inteligência de qualquer servidor da Abin. Isso demonstra que não foi construído e consultado nada aqui dentro da Abin sobre esses assuntos”, disse.

INVESTIGAÇÃO CORRE NA PGR

O procurador-geral da República, Augusto Aras, autorizou, em dezembro do ano passado, a abertura de uma investigação preliminar sobre a atuação da Abin na defesa de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz. Nesta 4ª feira (7.abr.2021), a deputada Natália Bonavides (PT-RN) afirmou que a PGR intimou as advogadas do senador para depor sobre o caso. A informação não foi confirmada pela assessoria de Flávio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: