14 de julho de 2024

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‘A gente não deve se calar nem desistir das pessoas’, diz mulher que foi abusada por 13 anos em Ribeirão Preto

Após viver 13 anos sendo vítima de abusos praticados pelo marido, uma mulher em Ribeirão Preto (SP) reconstrói a vida. Desde 2018 longe da violência do ex, ela se casou de novo e voltou a acreditar nas pessoas.

“Só depois de muito tempo que eu consegui me casar de novo, e hoje eu estou em um relacionamento estável que é saudável. Eu tenho uma pessoa que me apoia. A gente não deve nem se calar nem desistir das pessoas. A gente deve acreditar que embora tenham pessoas que têm esse perfil de abusador, também existem pessoas que são empáticas, que ajudam as outras”, diz a mulher, que prefere não se identificar.

O relacionamento foi marcado por episódios de abuso psicológico, físico e sexual, relata. O medo e a vergonha de denunciar o parceiro a acompanharam até 2018, quando ela não conseguiu mais esconder o drama vivido dentro de casa.

“Eu percebi que eu estava começando a me sentir com muito medo dentro de casa, me sentir muito insegura. A minha autoestima estava muito baixa, eu não conseguia mais sair para trabalhar, eu não conseguia mais fazer minhas coisas direito, ter contato com a minha família, com os meus amigos. Isso foi fechando aquele ciclo de violência dentro de casa”, afirma.

A ajuda veio por meio do Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher (NAEM), que atende mulheres vítimas de violência doméstica oferecendo acolhimento, ajuda psicossocial, encaminhamentos e orientação jurídica.

“Em 2018, depois de uma agressão física em que eu tive que procurar ajuda hospitalar, eu consegui, finalmente, abrir a boca, falar o que estava acontecendo. Aquilo estava explodindo dentro de mim. Era uma coisa que eu não estava aguentando mais.”

Desde então, ela faz acompanhamento com especialistas para seguir em frente e cuidar da filha, fruto do relacionamento com o agressor.

“A gente sempre tem que tentar superar o que está acontecendo com a gente, sempre ser forte e procurar o melhor para nós. Eu tenho uma filha com o agressor e sempre estou buscando o melhor para ela, tentando fazer com que tudo o que eu passei, não passe para ela”, diz.

Mas, segundo a mulher, virar a página de vez é um processo lento.

“Eu tenho medo dele me encontrar na rua e ele fazer alguma coisa comigo. Nas próprias visitas da minha filha, quando eu sei que vai ter a visita, eu não fico por perto, vou para a casa de um familiar. Hoje eu consegui através de terapia, de rede de apoio, terapia ocupacional, psicólogo, eu consegui a voltar a sentir coisas pelas pessoas”, afirma.

Estupros

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) mostram que Ribeirão Preto teve um aumento no número de casos de estupros em janeiro deste ano.

No início de 2022, foram 12 ocorrências, sendo nove envolvendo menores de idade. Já em janeiro de 2023, 24 crimes foram registrados, sendo 17 de crianças e adolescentes. O número é o maior para o período desde o início da série histórica em 2001.

Segundo o psicólogo e perito judicial Felipe Gomez, existe dificuldade de identificar o ciclo da violência contra as vítimas, porque na maioria dos casos elas convivem com os agressores.

“As dinâmicas desses casos são muito complicadas justamente por causa desses vínculos afetivos. Muitas vezes, para a mulher, é difícil ela conseguir sair dessa situação porque envolve um vínculo para ela poder identificar que ela está em uma situação que ela corre risco e ela também poder buscar essa ajuda e o apoio”, diz.

O mês de janeiro de 2023 também teve registro recorde de medidas protetivas confirmadas pela Justiça — 192 no total.

Para o juiz Caio César Melluso, responsável pela Vara da Violência Contra a Família e as Mulheres, os números refletem o aumento das denúncias da população.

“O sistema de segurança, eu entendo, que está dando um pouco mais de segurança para essas mães fazerem as denúncias porque elas estão acreditando mais que haverá uma solução, um julgamento justo para aquele caso”, afirma o magistrado.

Como denunciar

Mulheres vítimas de violência doméstica podem fazer as denúncias por meio de boletim de ocorrência on-line (clique ao lado para acessar o site da Delegacia Eletrônica) ou presencialmente em qualquer unidade da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Em Ribeirão Preto, a vítima também pode procurar o Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher (NAEM), que fica na Rua João Arcadepani Filho, 400, próximo ao Fórum.

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