5 ex-ministros da Defesa apoiam PEC que barra militares em cargos políticos

Os ex-ministros da Defesa Nelson Jobim, Celso Amorim, Jaques Wagner, Aldo Rebelo e Raul Jungmann devem assinar um texto conjunto em favor da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que quer impedir que militares da ativa ocupem cargos políticos em governos. A informação foi publicada na 2ª feira (12.jul.2021) pelo jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a reportagem, a nota chamará a atenção para a responsabilidade do Congresso Federal. “Nos países com democracia consolidada, quem faz a supervisão das Forças Armadas é o Parlamento. Ao se alienar do tema da regulamentação das Forças Armadas nos governos, nosso Congresso tem sido parceiro dessa crise que estamos vivendo com [o ex-ministro e general da ativa Eduardo] Pazuello e outros”, disse Jungmann em entrevista ao jornal.

O ex-ministro Raul Jungmann

A PEC é de autoria da deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC). A mobilização foi realizada depois da decisão do Exército de não punir o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por ter participado de ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro em maio.

MILITARES DA ATIVA NO GOVERNO

Levantamento realizado pelo Poder360, em 17 de junho, mostrou que atualmente militares da ativa ocupam 2.930 cargos nos Três Poderes. Destes, 92,6% estão em postos abertos no governo Jair Bolsonaro e 7,2%, no Judiciário. Só 1 trabalha no Congresso (0,03%).

O número de militares que integram a equipe de Bolsonaro vem crescendo desde sua posse. Em 22 de maio deste ano, em entrevista à rádio Jovem Pan, o presidente disse que o rol de militares na pasta ainda vai crescer. “Está dando certo, está mudando muita gente lá. ‘Ah, está enchendo de militar’. Vai botar mais militares, sim. Com civis não deu certo. E ponto final.”

PAZUELLO EM ATO

Em 23 de maio, o ex-ministro da Saúde participou de um passeio de moto ao lado de Bolsonaro e outros ministros. O general 3 estrelas chegou a subir em um trio elétrico e dizer breves palavras ao público.

Desde então, foi criticado por ter comparecido no ato e por estar sem máscara. O Exército Brasileiro abriu um processo administrativo para investigar a conduta.

Por ser militar da ativa, Pazuello teria infringido o RDE (Regulamento Disciplinar do Exército), que proíbe militares de participarem de atos políticos. Pelas regras, as punições podem ir de advertências até a prisão disciplinar. O Exército decidiu não punir o general e tornou o processo administrativo sigiloso por 100 anos.

Fonte: Poder360

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