20 de novembro Dia da Consciência Negra: uma busca pela igualdade

Literatura pode ser instrumento de reflexão _
“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos”. A frase de Nelson Mandela diz muito sobre o que buscamos no Dia da Consciência Negra: uma sociedade igualitária, com oportunidades para todos e todas, independentemente da cor da pele ou das condições sociais. É uma data para refletirmos sobre nossa história e cultura afro-brasileira.


A data, instituída há 16 anos, foi escolhida para homenagear Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, pela coroa portuguesa. Ele foi o último líder do mais longo quilombo da história do Brasil, na Serra da Barriga, na região onde hoje é Alagoas. Zumbi tornou-se símbolo da resistência negra durante o período da Escravidão. Um personagem que durante muito tempo ficou na invisibilidade na nossa história oficial.  
O engajamento contra o racismo deve ser diário, mas ter uma data específica é importante como ferramenta para estimular o debate e reforçar a luta. Reflexão através da literatura 
A editora Colli Books tem como uma de suas pautas a valorização da cultura negra. Em ”Notas de Escurecimento”, o escritor Plínio Camillo pensa a escrita negra na história e na contemporaneidade. Com linguagem peculiar e instigante, o livro apresenta nove contos de “escrevivência”, que convidam a um mergulho no universo da cultura negra. 
“Para a população brasileira pode ser um momento de reflexão. Mas não uma reflexão de falar o que é racismo porque isso todo mundo faz, mas de como não tê-lo mais. Para o nosso povo é um momento de ação, de ter uma posição mais proativa, trabalhar, realizar. É um momento de aquilombar, de nos juntar. Nossa saúde literária, nossa saúde mental, nossos ganhos passam pelo quilombo. É muito mais do Zumbi como líder do quilombo do que como guerreiro no espaço dos negros”, afirma Plínio. 
Já o livro “E se fosse você?” aborda de maneira delicada e emocionante questões como o preconceito. A autora Anete Lacerda explica que Lili, personagem principal, saltou das páginas do livro e foi abraçar pessoas reais, com problemas comuns, cheias de dores e marcas provocadas pelo bulliyng, racismo e gordofobia. Ecoa no coração daqueles que já sofreram, em alguma fase da vida, algum tipo de preconceito e discriminação por sua condição social, cor de pele, credo religioso, deficiência ou outra diferença qualquer que as afastou do padrão que se julga ideal.
“É preciso nos livrarmos de todas as opressões e violências institucionalizadas que matam nossos jovens e mulheres negras, como se fossem cidadãos de segunda categoria. É preciso realmente dar um basta. Evoluir”, diz Anete. 
São temas que fazem parte do dia a dia das nossas crianças e devem ser levados para a sala de aula. “Mostramos questões relacionadas ao racismo e meios de superar o preconceito de maneira lúdica, leve e sensível. Precisamos empoderar nossas crianças e jovens para que se sintam seguras e felizes”, diz a escritora Isa Colli.

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