1º gol por time do coração e papo com Roger para atuar no meio: Igor Julião, o herói do Fla-Flu 431

Imagine, torcedor, jogar pelo seu time do coração. Agora imagine fazer um gol pelo seu time de coração. Imagine, então, que esse gol seja um golaço, no Maracanã, e decida a vitória em um Fla-Flu. Pois esta foi a sensação experimentada por Igor Julião na tarde do último domingo. Em entrevista ao ge, o lateral-direito, autor do gol da vitória do Fluminense sobre o Flamengo por 1 a 0, no clássico de número 431, válido pela terceira rodada do Campeonato Carioca falou sobre o feito:

– Foi um dia inesquecível para mim, sem dúvidas. Passa todo um filme na cabeça, todas as dificuldades da carreira, as trajetórias pessoal e profissional, tudo que estamos sofrendo agora com essa pandemia… Não poderia ter sido num momento melhor, por tudo que está acontecendo no mundo e no Brasil. Poder vivenciar isso no Fla-Flu, e depois chegar em casa e receber o apoio da minha esposa, familiares, amigos, isso não tem preço que pague. Vai ficar marcado pra sempre.

Igor Julião é abraçado por companheiros após fazer gol em Flamengo x Fluminense — Foto: Agência Estado

O domingo realmente ficará marcado para sempre na memória de Julião. Foi o primeiro gol do jogador de 26 anos com a camisa do Fluminense em 87 jogos. Formado em Xerém, o lateral subiu aos profissionais no fim de 2012 e, entre idas e vindas de empréstimo, nunca havia balançado as redes pelo Tricolor. O jogador só havia marcado (4 gols) pelo Samorin, ex-filial do Flu na Eslováquia).

– Todo jogador sonha em fazer gol, ainda mais sendo pelo clube que torce e ama, mas eu não me cobrava por isso… Até porque minha função sempre foi lateral, que não tem obrigação de fazer gols, né (risos)?! Claro que já tive outras chances, imaginava como seria celebrar um gol, mas não tinha ansiedade. O importante sempre foi desempenhar bem a função em campo para ajudar o coletivo, fosse dar uma assistência ou fazer um desarme decisivo, sempre visando ajudar a equipe a conseguir as vitórias. O gol, ainda mais por ter sido o que determinou o placar, foi ainda mais especial – contou o atleta, que tem passagens por empréstimo também por Macaé, ABC, Ferroviária e Sporting KC (EUA).

Igor Julião com Fred, Gum e Leandro Euzébio, no início da carreira pelo Fluminense, em 2013 — Foto: Rodrigo Villalba / Photocamera

E para chegar ao primeiro gol, Julião precisou pegar um “atalho”. Após as mexidas do técnico Roger Machado no 2º tempo, o lateral foi deslocado para o meio de campo, mais precisamente a função de camisa 10. O jogador conta que ter chegado a atuar na posição na base e também em sua passagem pelo Samorin ajudou na adaptação durante a partida:

– Eu sempre tive mais facilidade na parte ofensiva, então no começo da carreira eu cheguei a fazer essa função de meia, sempre me senti bem. Sou lateral de formação, mas agora não existe mais posição fixa no futebol. Dá para jogar de lateral, volante, meia, ponta, depende das situações e da necessidade de cada treinador, o que cada jogo apresenta… A versatilidade ajuda bastante e, claro, ter exercido algumas funções no início da carreira facilita a adaptação.

Julião atuou no meio de campo no Samorin — Foto: Divulgação/Fluminense

Papo com Roger sobre atuar no meio

O pedido para exercer o papel de camisa 10 na reta final da partida não pegou Julião de surpresa. O lateral conta que o técnico Roger Machado, que fez sua estreia no comando do Fluminense neste domingo, conversou com todos os jogadores do elenco e perguntou sobre outras funções que cada um pode exercer.

– É um grande treinador, muito estudioso, já deu pra perceber nesse pouco tempo de trabalho. Ele conversou comigo e com todos os outros atletas, perguntou onde cada um se sentia melhor em campo, se podíamos exercer outras funções, se já havíamos exercido tais funções anteriormente… Então pudemos ter essa troca de ideias, que acabou fazendo grande diferença. Achei muito interessante e ele passou uma grande confiança a todos. Tudo que fazemos em campo é treinado, conversado, então já era uma alternativa de jogo que tínhamos em mente, dependendo de como o clássico se apresentasse. Que bom que conseguimos colocar em prática da melhor forma possível.

Roger Machado, técnico do Fluminense — Foto: André Durão

Comemoração e “volta de metrô”

A comemoração do primeiro gol, tão imaginada pelo jogador, teve um significado por trás. O braço direito erguido e o punho cerrado foram uma forma de exaltar a postura do Fluminense durante a pandemia de Covid-19 e uma crítica ao protocolo da CBF, explicou na saída do campo o lateral, conhecido pelos posicionamentos políticos firmes e pelo ativismo social.

– Inspiração foi por causa da postura que o Fluminense sempre teve durante a pandemia. O time que a gente escolhe torcer também é um ato político. Foi para exaltar a postura que o Fluminense teve durante a pandemia. A gente sabe como é difícil, mesmo com o protocolo falho que a CBF tem com a gente, fazendo os jogadores viajarem em voos comuns durante o ano inteiro. É para isso, exaltar a postura do Fluminense numa pandemia até porque nem todos estão tendo uma postura coerente.

Gol, Igor Julião, Fluminense, Flamengo x Fluminense — Foto: André Durão/ge

Além de toda a importância simbólica do posicionamento, a imagem de Julião comemorando o gol também foi motivo de uma descontraída brincadeira de um perfil de humor no twitter, que fez uma montagem do jogador segurando uma das barras do metrô. Quem não entendeu a referência, calma, que a gente explica! Em 2018, o lateral viralizou após ser flagrado voltando de metrô do Maracanã para casa após estar em campo na vitória que salvou o Tricolor do rebaixamento na última rodada daquele Brasileirão.

– O pessoal gosta de lembrar dessa história, né?! (Risos) O importante é que a volta foi com três pontos na bagagem, com muita alegria e satisfação ao lado dos meus companheiros. Ainda temos muito pela frente e vamos trabalhar bastante para que momentos como esse aconteçam mais vezes.

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