Witzel pretende vender 60% das ações da Cedae após a concessão

A Estação de Tratamento de Água de Guandu: projeto do estado é vender na Bolsa de Valores 60% da parte da Cedae que não será privatizada, além de licitar a construção de Guandu 2 Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboO processo de privatização da Cedae não vai se restringir apenas às áreas de distribuição de água e de coleta e tratamento de esgoto. O governo do Estado do Rio também pretende se desfazer de parte da companhia, que ficará responsável pelas etapas de captação e tratamento de água, em uma operação de venda de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Valores já em 2021.

A decisão de vender ações da parte da Cedae que não será concedida ocorre em meio à crise de abastecimento na Região Metropolitana. Desde o início de janeiro, consumidores vêm relatando que a água sai da torneira com gosto e cheiro de terra devido a problemas causados pela alta concentração de geosmina na estação de Guandu.

Em entrevista ao GLOBO, o governador Wilson Witzel (PSC) revelou que o processo de análise do IPO do que restar da Cedae, após a concessão, vai começar em julho.

— Estamos analisando o IPO da Cedae. A ideia é vender 60% das ações para o mercado. O Conselho de Administração da empresa vai apresentar uma proposta de modelagem. O valor do IPO vai ser avaliado ainda. A previsão é que a operação ocorra já em 2021 — disse Witzel.

Em 2012, o governo chegou a iniciar estudos para um IPO, mas o projeto não prosperou. Agora, a abertura de capital na Bolsa de parte da Cedae vai ocorrer em meio aos preparativos do leilão que está sendo capitaneado pelo BNDES, cujo objetivo é vender a investidores a fatia da companhia que cuida da distribuição de água e da coleta e do tratamento de esgoto. A previsão é que o certame ocorra em outubro ou novembro deste ano. Segundo Witzel, a expectativa é que esse leilão gere uma arrecadação de cerca de R$ 11 bilhões para os governos:

— Com o resultado, o estado vai pagar o que deve, repassar parte a municípios e ainda fazer investimentos.

Leilão de Guandu 2

Mas esse não é o único plano para o setor de abastecimento do Rio, destacou Witzel. Ele adiantou que vai leiloar a uma nova empresa a Estação de Tratamento de Água Guandu 2, que ainda não começou a ser construída. O governador afirmou que a ideia é criar “uma segunda Cedae no estado”. No processo de licitação, o governo ficará com 40% das ações de Guandu 2.

— Em vez de a Cedae construir, vamos fazer uma licitação em 2021 para uma outra empresa fazer isto. Ainda vamos discutir esse modelo com o BNDES. Não apresentei o projeto a eles. O mercado gostaria de ter duas empresas (de tratamento de água) concorrendo. Isso vai evitar o desabastecimento no futuro. Estamos tomando as medidas certas — disse o governador.

Segundo o balanço financeiro da Cedae de 2018, disponível em seu site, o Complexo Guandu 2 consiste na implantação de uma nova estação de tratamento de água com produção de 12 mil litros por segundo e de um reservatório com capacidade para 57 milhões de litros.

— Será uma nova Cedae. Essa área (a de Guandu 2) fica perto da atual captação (de Guandu 1) — explicou Witzel.

O governador também antecipou que, durante a reunião do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana, na semana passada, pediu estudos para avaliar outras fontes de captação de água no Estado do Rio:

— Vamos fazer estudos para ver o que pode ser concedido.

BNDES: 20 interessados

O BNDES será um parceiro importante nos projetos que envolvem a Cedae. Até agora, o banco vem conduzindo o processo de privatização das partes de distribuição de água e de coleta e tratamento de esgoto. Para o diretor de Infraestrutura do BNDES, Fábio Abrahão, há mais de 20 empresas interessadas na compra. Do total, dois terços são de companhias brasileiras, e o restante, de outros países.

— Tem o investidor de perfil estratégico que opera a concessão, tem o financeiro que só entra investindo recursos. Há tanto investidores nacionais quanto estrangeiros em ambos os casos. Daqui até lá, vamos ter uma dinâmica com os investidores muito grande. E vamos ter novos interessados, novos consórcios — explicou Abrahão.

Segundo ele, a expectativa é que a privatização gere investimentos em saneamento de R$ 32,5 bilhões em 35 anos — dos quais 70% nos primeiros dez anos do contrato:

— A qualidade da água na origem aqui é muito ruim. Por isso, no nosso desenho de concessão, demos muita ênfase à parte de esgoto e à região que tem influência na Bacia do Guandu (onde a Cedae capta água).

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