Vacina de Oxford contra Covid-19 alcança até 90% de eficácia

A farmacêutica britânica AstraZeneca e a Universidade de Oxford (Reino Unido) anunciaram na manhã desta segunda-feira que sua vacina candidata contra a Covid-19, a ChAdOx1 nCov-2019, tem eficácia de 90% contra o novo coronavírus com apenas uma dose, indicam dados preliminares de seus ensaios clínicos. O imunizante, testado no Brasil, é desenvolvido a partir de um adenovírus de chimpanzé usado como vetor viral para estimular a resposta imunológica contra o Sars-CoV-2.

“A eficácia e a segurança desta vacina confirmam que ela será altamente efetiva contra a Covid-19 e terá um impacto imediato nesta emergência de saúde pública”, anunciou Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, através de um comunicado.

Nenhum efeito grave de segurança relacionado à vacina foi confirmado e ela foi bem tolerada em todos os regimes de doses, de acordo com os dados.

Até o momento, a vacina de Oxford é a única com acordo firmado com o governo brasileiro. Além disso, o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, também selou compromissos com a Coronavac.

A candidata a vacina Oxford/AstraZeneca está sendo testada no Brasil em estudo liderado pelo Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O Ministério da Saúde fez acordo com a farmacêutica para adquirir doses da vacina e para a produção dela no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo a executiva de operações da AstraZeneca, Pam Cheng, a farmacêutica terá 200 milhões de doses da vacina até o final deste ano, com 700 milhões de doses prontas globalmente até o final do primeiro trimestre de 2021.

A eficácia de 90% foi atingida depois de aplicada uma meia dose seguida de outra completa. Isso implicará, segundo os pesquisadores, em um universo maior de pessoas imunizadas em um primeiro momento. Quando aplicadas duas doses completas separadamente, cenário que diminuiria pela metade o universo de indivíduos a serem imunizados nos variados lotes já reservados por diferentes países, o índice de efetividade cai para 62%.

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, disse a uma emissora britânica que a notícia e “fantástica”. O governo britânico encomendou 100 milhões de doses da vacina de Oxford.

— Isso demonstra que a vacina, com a dosagem correta, pode ter 90% de eficácia — disse Hancock ao canal Sky News.

Os dados da fase 2 do imunizante, parcialmente divulgados no mês passado e publicados na íntegra na revista médica The Lancet na última quinta-feira, indicaram também que a fórmula é capaz de criar uma imunidade robusta em pessoas com mais de 70 anos, que têm maior risco de ficarem graves ou morrerem da Covid-19.

No mesmo comunidado da última semana, a companhia e a universidade britânica prometeram anunciar seus dados completos da terceira e última fase de testes até o Natal. A divulgação dos números desta segunda-feira ocorre apenas uma semana após as concorrentes Pfizer e Moderna apresentarem índices de eficácia acima de 90% atestada na fase 3.

Cientistas ouvidos pela Reuters alertaram, no entanto, que é preciso cautela ao comparar os números do imunizante com os índices da Pfizer e da Moderna, que evitaram 95% dos casos, de acordo com dados preliminares dos testes em estágio avançado.

— Acho que é uma verdadeira tolice começar a tentar separar essas três com base em trechos de comunicados à imprensa sobre dados da Fase 3 (dos testes clínicos) — disse Danny Altmann, professor de imunologia do Imperial College de Londres. — Para o cenário mais amplo, minha suspeita é que, no momento em que estivermos a um ano de agora, estaremos usando todas as três vacinas com cerca de 90% de proteção e estaremos muito mais felizes.

Cientistas também disseram que a vacina da AstraZeneca pode ter vantagens.

— O importante, pelo que ouvimos, é que a vacina evita a infecção, não apenas a doença. Isso é importante, porque a vacina pode reduzir a disseminação dos vírus, assim como proteger os vulneráveis de uma doença grave — disse Peter Horby, professor de saúde global e infecções emergentes na Universidade de Oxford.

A vacina da AstraZeneca também pode ser distribuída mais facilmente porque pode ser mantida em temperatura de refrigerador, ao contrário dos imunizantes da Pfizer e da Moderna, que têm de ser armazenados congelados. Isso pode fazer a vacina da AstraZeneca mais fácil de transportar e de armazenar ao redor do mundo, particularmente em países mais pobres.

Durabilidade da imunidade
O diretor do Grupo de Vacinas de Oxford, Andrew Pollard, previu ainda que a vacina deverá imunizar contra o novo coronavírus por pelo menos um ano e afirmou que parece improvável a eventual necessidade de repetir a vacinação para reforçar a imunidade da população em caso de mutações.

— Ainda não sabemos se o vírus irá apresentar uma mutação que drible a resposta imunológica (adquirida pelas vacinas), mas não há evidências de que isso ocorrerá. Estamos otimistas que a imunidade dure pelo menos um ano — disse Pollard, ponderando que é preciso aguardar até a conclusão dos ensaios clínicos para uma resposta definitiva.

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