Um ano após início das obras, Palácio de Cristal, em Petrópolis, permanece fechado

Passado um ano do início das intervenções para melhorias no Palácio de Cristal – orçadas em R$ 1,1 milhão – as obras pouco avançaram e o prédio histórico, que é um dos principais atrativos turísticos e um dos bens tombados mais preciosos da cidade, permanece de portões trancados, jardins esburacados e cercado por materiais de obras. A prefeitura informou que as obras devem ser retomadas esta semana. O início das obras para reforma de sanitários, acessibilidade e iluminação externa, completa um ano neste domingo (4.10). O atrativo teve os portões trancados em 27 de janeiro deste ano em função de intervenções que seriam realizadas no pátio e jardins. Pouco tempo após o início das intervenções que originaram os buracos em toda extensão da área externa, parte das obras foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O embargo, no início de fevereiro, ocorreu uma vez que as escavações na parte externa não constavam do projeto aprovado pelo órgão de preservação. O IPHAN exigiu adequações, entre as quais uma estrutura de suporte para estudos arqueológicos. Embora o embargo seja parcial, as obras foram totalmente paralisadas, uma vez que a empresa que venceu o processo de licitação, abandonou a obra.

Em agosto a prefeitura havia informado que as intervenções seriam retomadas em setembro, o que não ocorreu. Na sexta-feira (2.10) o município informou que as intervenções deverão ser retomadas amanhã (5.10). A prefeitura afirma que todos os procedimentos foram adotados para que o trabalho fosse retomado. Neste sentido, segundo o município, na quinta-feira (1º/10) foi realizada uma reunião entre representantes da prefeitura e do IPHAN para que seja liberada a arqueologia e a empresa possa retomar o serviço. A prefeitura já deu a ordem de início para as obras e a empresa responsável pelo serviço esteve sexta-feira (2.10) no Palácio de Cristal adequando o canteiro e começando a fazer todos os procedimentos para a retomada da obra, que tem previsão de começar nesta segunda-feira (05) – afirma a prefeitura em nota.

Ainda segundo a prefeitura, a liberação do IPHAN para a retomada das intervenções nos jardins precisa ser feita através de uma portaria do órgão.- Será apresentado ao IPHAN o Plano de Trabalho e a partir daí o órgão emite essa Portaria de arqueologia. Com o serviço de arqueologia feito, a empresa poderá continuar o trabalho na parte do pátio – explica a prefeitura em nota.

A assessoria do IPHAN informou que o superintendente do órgão esteve em Petrópolis na última quinta-feira. Na ocasião, representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foram ao Escritório Técnico do Instituto na Região Serrana e visitaram o Palácio de Cristal. De acordo com o órgão federal, o Palácio conta com obras em curso. No decorrer dos trabalhos, houve uma intervenção com retroescavadeira desnecessária e irregular nos jardins do monumento. A fim de evitar danos ao Patrimônio Arqueológico, o Instituto embargou apenas as áreas afetadas. As intervenções, regulares, em outros ambientes do bem não foram embargadas.

Diante disto, as autoridades locais tomaram medidas para regularizar a situação e incumbiram contratualmente uma nova empresa para executar as obras que, desta vez, contarão com o devido acompanhamento arqueológico e cuidados na preservação do bem.

As primeiras intervenções no local foram realizadas em outubro do ano passado. A placa instalada no local registra que as intervenções com data de início em 4 de outubro do ano passado, deveriam se estender por 150 dias, com previsão de encerramento em 1º de março deste ano – antes mesmo do início da pandemia de covid-19. A Reforma do Palácio de Cristal prevê um investimento de R$ 1.144.768,83 para reforma de sanitários, acessibilidade e iluminação externa.

O IPHAN destacou que o Palácio de Cristal é um monumento simbólico para a história do Brasil e essencial para residentes e visitantes dos dias hoje. Ainda segundo o órgão, no Palácio, o petropolitano reforça seu vínculo afetivo com a cidade e encontra um espaço de lazer e de aprendizado. Por isso, o IPHAN se compromete a fazer tudo que está na sua alçada para garantir a preservação deste monumento. O superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Olav Schrader, ressalta que o Patrimônio Cultural precisa ser integrado à sociedade:

– O Palácio de Cristal é um caso exemplar de como o Patrimônio Histórico pode gerar emprego e renda para a população. Toda a cadeia produtiva do turismo é movimentada pela gestão sustentável deste Patrimônio. Prezamos pela sustentabilidade dos bens culturais, que além de serem fonte de orgulho e de identidade para a população, podem ser também um vetor de crescimento econômico virtuoso – comentou.

Aos 136 anos, o Palácio de Cristal não passa por uma grande reforma há mais de 20 anos. O atrativo – um dos principais equipamentos turísticos da cidade – é palco de festividades tradicionais da cidade como a Bauernfest.
Instalado na antiga Praça da Confluência – conhecida pelos colonos alemães como Praça Koblenz – o bem tombado, tem estrutura pré moldada que veio da França, inspirado no Palácio de Cristal de Londres. O Palácio de Cristal é uma jóia da arquitetura. Ele foi encomendado pelo Conde d’Eu, como presente à esposa, Princesa Isabel, para receber exposições de flores, hortícolas e de pássaros.

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