Tráfico obriga enfermeiro a tratar criminosos baleados no Morro do Borel

Traficantes do Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio, obrigam um enfermeiro que mora na comunidade a tratar criminosos baleados em confronto com a polícia. A descoberta foi feita por agentes da 19ª DP (Tijuca), após o homem prestar depoimento à especializada na tarde desta sexta-feira. À polícia, o enfermeiro — que já trabalhou na rede municipal de Saúde — revelou que traficantes batem à sua porta e o forçam a atender comparsas feridos.

Favela é ocupada por UPP

Ele foi localizado e conduzido à delegacia por PMs da UPP que ocupa a favela depois de um tiroteio entre traficantes e policiais na noite da última quinta-feira. Na manhã desta sexta, os agentes fizeram buscas na favela após receberem a informação de que traficantes feridos no confronto estavam escondidos pela comunidade. Durante a busca, os policiais encontraram rastros de sangue que levavam até a casa do enfermeiro.

O homem afirmou, em depoimento, que é missionário de uma igreja batista da Tijuca e faz um trabalho voluntário de atendimento médico a moradores da favela. Ele também revelou que, na noite de quinta-feira, estava em casa quando foi surpreendido por homens batendo em sua porta. Por já ter sofrido três AVCs, o enfermeiro se movimenta lentamente e demorou a atender. Quando abriu um adolescente baleado durante o confronto solicitou atendimento médico. O homem, então, usou gaze para estancar o sangramento.

De acordo com o enfermeiro, o caso não foi isolado. Ele conta , sempre que está em casa durante um confronto em que um traficante é baleado, é acionado. Após ser ouvido, o homem foi liberado.

Tiroteio aconteceu na quinta-feira de noite

O tiroteio de quinta-feira começou na Rua São Miguel, na Usina, principal via de acesso ao morro. Uma viatura da UPP passava pelo local bateu de frente com um criminoso portando um fuzil. Quando o tiroteio começou, os policiais tiveram que se abrigar em uma igreja evangélica.

De acordo com a PM, após o tiroteio “três feridos deram entrada no Hospital Federal do Andaraí”. Eles tiveram alta e foiram liberados. Segundo a Polícia Civil, não há comprovação da participação deles no confronto.

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