Sete candidatos à Presidência apresentam propostas em sabatina organizada por grupo de executivas

Sete candidatos à Presidência da República apresentaram nesta quinta-feira (16) propostas de governo no evento Mulheres Com os Presidenciáveis, organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, criado em 2013 por 40 mulheres executivas de diferentes segmentos da sociedade.

A sabatina aconteceu em um teatro, na Zona Sul de São Paulo, e contou com a participação dos presidenciáveis Álvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

Os candidatos tiveram dois minutos cada para responder perguntas feitas pela empresária Luiza Helena Trajano.

Na segunda rodada, sete temas foram sorteados entre os candidatos, que tiveram três minutos cada para responder. Na última etapa, cada candidato teve dois minutos para considerações finais. Não houve debate entre os presidenciáveis.

Veja abaixo o que cada um dos candidatos presentes disse (na ordem de participação no evento):

Marina Silva (Rede)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – Para a candidata, as mulheres vivem uma situação de injustiça grave por receberam salários menores do que os homens e por causa da violência contra elas. Marina disse que, se eleita, pretende criar condições para igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. “Com educação de qualidade, segurança, inclusão produtiva, recursos para [mulheres] desenvolverem e assistência técnica [para] os seus próprios negócios”, disse.

Educação – Marina defendeu maior atenção à educação infantil e também investimentos na formação de professores. “O futuro do nosso país passa pela sala de aula, para isso, atenção à educação infantil. É ali que as crianças criam as estruturas mais importantes para aprender. Nós vamos implementar o plano nacional de educação com foco na formação do professor, com aumento dos salários. Hoje é uma vergonha, [vamos fazer] plano de carreira para os professores porque sem professores bem formados não tem como ter educação de qualidade”, disse.

Vera Lúcia (PSTU)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – Vera Lúcia disse que é impossível resolver o problema da humanidade, da exploração e da opressão enquanto houver uma pessoa oprimida no mundo. A candidata defendeu união de homens e mulheres na luta contra os que exploram os trabalhadores. “[Aqueles] que nos condenam ao subemprego, que nos condenam ao trabalho com salários arrochados, que nos tiram os direitos, que nos tiram o direito à creche, que condenam os nossos filhos à cadeia, que condenam os nosso filhos à morte”, afirmou.

Feminicídios – Ao ser questionada sobre ações para combater o feminicídio, Vera Lúcia afirmou que há uma cultura do estupro no país e que problemas, como o feminicídio, derivam da crença de que a mulher é propriedade do homem. Ela defendeu a criação de delegacias especializadas, geração de empregos e investimentos em creches. Para isso, sugeriu o não pagamento da dívida pública. “É preciso que se deixe de pagar a dívida pública para que nós tenhamos os recursos necessários para destinação daquilo que é necessário para o atendimento à mulher”, disse.

Álvaro Dias (Podemos)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – O candidato citou eventos históricos, como a Revolução Francesa, para falar de igualdade e liberdade. Álvaro Dias também falou que o país precisa adotar uma pauta para que a mulher exerça “protagonismo” na economia e na política. Ele disse que, se eleito, convidará uma mulher para assumir a Secretaria Nacional de Política para Mulheres. “Certamente um choque de gestão nessa secretaria vai permitir o desenvolvimento de politicas públicas para as mulheres com muito mais eficiência”, afirmou.

Desigualdade racial – O candidato disse que a discriminação racial e as desigualdades sociais são consequência de oportunidades desiguais e estas existem porque “não somos iguais perante a lei”. Para ele, é necessária a “refundação da República”. “Certamente, nós eliminaremos as desigualdades raciais e sociais no dia em que refundarmos a República, em que todos possamos ser iguais perante a lei. Em um país de tantas crenças, de tantas religiosidades, não se admite a desigualdade racial”, disse.

Ciro Gomes (PDT)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – Ciro disse que o Brasil precisa de um projeto nacional de desenvolvimento, que tem como objetivo superar a desigualdade e a miséria em prazos objetivos. Ele também falou em “empoderar as mulheres”. “Quero assumir como tarefa a universalização da creche em tempo integral para todas as demandas que estão hoje mapeadas. Passam de 1 milhão e 700 mil as necessidades de vagas”, afirmou. Ele disse que sempre tentou montar equipes com metades das vagas ocupadas por mulheres.

Geração de empregos – Para criar empregos, Ciro Gomes disse que, se eleito, vai consertar o que chamou de “explosivo endividamento das famílias”. “Se 63% de brasileiros estão com nome sujo no SPC, não tem como consumir. Se não consome, o comércio não vende. Se o comércio não vende, a indústria não produz. Se a indústria não produz, o desempergo explode”, disse. Ele defendeu ainda redução da taxa de juros, investimento público, retomada de obras paralisadas e fortalecimento da indústria nacional. “Porque nós desaprendemos a fazer as coisas que o mundo todo nos oferece. Nós não sabemos fazer celular, computador, química fina, diagnóstico médico”, afirmou.

Henrique Meirelles (MDB)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – Meirelles disse que, apesar de trabalhar três horas a mais por semana, a mulher ganha em média 76% do que ganha o homem. O emedebista disse que a legislação já determina que pessoas no mesmo cargo não podem ganhar salários diferentes. Ele afirmou também que, se eleito, vai nomear, no mínimo, 30% de mulheres para todos os cargos de conselho das empresas estatais. “E estabelecer como uma política a ser seguida por toda empresa”, afirmou.

Violência – Meirelles disse que violência se combate com inteligência e afirmou que, se eleito, pretende criar um sistema nacional de informações a fim de mapear a evolução ou a diminuição do crime. O candidato também falou em policiar as fronteiras e fazer políticas específicas, citando uma ação contra o feminicídio. “Com o crescimento econômico […], com política econômica adequada, [o governo federal] vai possibilitar que os estados aumentem a arrecadação e as polícias possam ser equipadas não só com viaturas e armamentos, mas também com contratação de efetivos”, declarou.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – Alckmin disse que não pode haver nenhum tipo de distinção entre homem e mulher e muito menos discriminação, “que é uma coisa inaceitável”. “Queremos trabalhar junto com as mulheres pra gente poder fazer o Brasil avançar mais, ter mais emprego, mais paz”, declarou. O candidato destacou que em primeiro lugar quer defender a vida das mulheres. “É inaceitável a violência que ocorre contra as mulheres. São Paulo foi o primeiro estado do Brasil a instituir a delegacia de defesa da mulher”, afirmou.

Saúde pública – Alckmin disse que “há uma dificuldade de financiamento” da saúde pública no país. Ele defendeu melhorias na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e “trabalho em rede”. “Nós precisamos priorizar a saúde gratuita. Governo não faz favor para ninguém, é direito dos brasileiros e das brasileiras terem acesso à saúde e a uma saúde de qualidade”, afirmou. O tucano declarou ainda que, se eleito, aumentará investimentos em saneamento básico. “Isso é saúde. Metade do Brasil não tem esgoto tratado e coletado”, afirmou.

João Amoêdo (Novo)

Inserção das mulheres em cargos estratégicos – O candidato disse que algumas coisas são preponderantes na sociedade brasileira para que ela se desenvolva e cresça, citando o “protagonismo da mulher”. Ele disse que, se eleito, fará investimentos em creches. “Apenas 30% de crianças de zero a três anos estão em creches e o plano nacional de educação diz que chegaria a 50% só em 2024. A gente precisa dobrar isso, porque seria uma forma mais um vez também de dar condições às mulheres que hoje têm uma dupla jornada de poder estar no mercado de trabalho de forma mais atuante”, afirmou.

Ajuste fiscal – Amoêdo disse que, se eleito, pretende fazer ajuste fiscal sem aumentar a carga tributária, mas cortando privilégios e benefícios de partidos políticos, de altos funcionários do setor público e desonerações de alguns setores. Ele defendeu mudanças nas regras previdenciárias. “Tem de ser feita uma reforma para que outros direitos como saúde, educação e segurança não fiquem comprometidos”, afirmou. O candidato declarou que pretende fazer uma reforma tributária que privilegie pequenos e médios empreendedores.

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