Secretaria de Obras de Petrópolis embarga movimentação em galpão em Itaipava

A Secretaria de Obras embargou na tarde de ontem as movimentações na  instalação de um galpão com subdivisões para o funcionamento de  205 boxes para venda de produtos no centro de Itaipava. Denominada como “Loja colaborativa”, pelo proprietário, a estrutura, que inicialmente era classificada como um “feirinha”,  está sendo instalada no terreno onde já funcionou a antiga pista de kart, em frente ao Corpo de Bombeiros, há poucos metros do Horto Mercado, e é motivo de polêmica. De acordo com o Secretário de Obras, Enane Dias o embargo e a multa foram emitidos uma vez que as intervenções vem sendo realizadas em desacordo com o projeto aprovado na Secretaria de Obras.

– O embargo foi feito porque constatamos que o projeto está sendo executado de forma diferente do que foi aprovado na Secretaria. O licenciamento emitido prevê a instalação de um galpão, o que de acordo com a legislação é permitido no local,  mas a licença foi emitida com a especificação de que o galpão não pode ter subdivisões internas, o que foi feito – explica o Secretário de Obras, Ernane Dias, lembrando que a  multa nestes casos varia de R$ 1 mil a R$ 25 mil. 

Segundo a prefeitura, na semana passada uma equipe de fiscalização de Obras esteve no local e intimou os responsáveis a demolir a estrutura interna – os boxes . – A equipe voltou ao local nesta terça-feira e como verificou que os responsáveis deram andamento as instalações por isso as obras foram embargadas e o  responsável,  multado – explica Ernane.

 Ernane aponta ainda que não há estudo de impacto de trânsito para a instalação de boxes comerciais no local. – O estudo de impacto apontaria, por exemplo que se 50 lojas forem instalada no local é necessário que o espaço tenha 50 vagas para estacionamento, um pré-requesito que não existe no caso da instalação do galpão,cujo projeto foi aprovado – explica.

O responsável pelas obras, Cristiano Bayao, afirma que trata-se de uma loja colaborativa, com 205 boxes e 280 vagas para estacionamento. O responsável pelo negócio diz que  está providenciando as adequações necessárias para o desembargo.

 – Toda obra tem ajustes que precisam ser feitos. A fiscalização esteve aqui e apontou as modificações necessárias ao projeto e iremos cumprir. Estamos fazendo as alterações apontadas pelos fiscais e amanhã mesmo vamos apresentar as alterações pedidas à Secretaria de Obras. Estou tranquilo em relação a isso, amanhã mesmo estarei apresentando as modificações que a fiscalização solicitou – afirma Bayaõ, acrescentando que apesar de não ter sido solicitado estudo de impacto de trânsito, está previsto que o espaço contará com  280 vagas de  estacionamento – Já temos uma parceria para uso do estacionamento que fica no terreno ao lado, o que garantirá as 280 vagas –  pontua.

A instalação de um empreendimento de grande porte na área central de Itaipava preocupa representantes de entidades, como a NovAmosanta, Sicomércio e Conventions Bureau .

– O momento requer empreendimentos que gerem trabalho, mas este projeto nos parece inadequado para aquele local, sobre tudo pelo impacto que irá gerar na mobilidade urbana de Itaipava. A abertura de 200 boxes irá atrair uma quantidade grande de veículos, o que requer um planejamento de trânsito. Ele está próximo ao uma rotatória, onde não é possível se colocar por exemplo uma faixa de pedestres. É necessário que haja também um afastamento para a entrada e saída de veículos. É preciso também que se verifique como será feita a estrutura de banheiros – pontua o presidente da NovAmosanta, Jorge de Button       

De forma contundente, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis, Marcelo Fiorini, afirma que a entidade é favorável ao embargo.

 – Em nossa avaliação este tipo de empreendimento é nocivo para a região, é nocivo para Petrópolis. Itaipava tem diversos shoppings, com muitas lojas disponíveis, há diversos locais com lojas disponíveis. Não tem nenhuma justificativa para criarmos uma feirinha naquele local, principalmente porque o local já tem um grande fluxo de veículos e já tem problemas de engarrafamentos constantes ali. Um empreendimento deste porte vai impactar ainda mais a mobilidade urbana, gerando mais transito e conseqüentemente mais problemas em uma região onde já temos problemas demais. Vemos com maus olhos este tipo de empreendimento para a cidade, até porque são micro empreendedores individuais, que não geram empregos – afirma o presidente do Sicomércio, Marcelo Fiorini,  pontuando ainda a legalidade da atividade. – Não existe uma legislação municipal que regule o tipo de atividade que estão querendo fazer ali. Por si só o modelo já é fora da lei, por isso apoiamos a iniciativa da prefeitura de embargar e esperamos que aquilo ali não prospere – afirma Fiorini.    

Os impactos no transito já sobrecarregado do distrito, também preocupam o presidente do Petrópolis Convention & Visitours Buereu, Samir El Ghaoui.  – O que nos preocupa não é o empreendimento, mas a autorização para o funcionamento de algo deste porte, com 200 boxes, sem intervenções para minimizar o impacto no nosso trânsito, que já é caótico – pontua.  Samir destaca que há anos a entidade discute a questão da mobilidade em Itaipava.  – E a  cada ano, a situação fica mais grave, sem qualquer previsão de solução. Já vimos vários projetos, mas nenhum saiu do papel. Precisamos, sim, de investimentos na região, mas, antes de qualquer coisa, é preciso haver empenho para melhorar a mobilidade. E não falo apenas como representante do segmento de Turismo, mas também como morador da cidade. Turistas e moradores sofrem igualmente com estes problemas – afirma Samir El Ghaoui.

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