Romário nega ao RJ1 uso de irmã como ‘laranja’ e promete auditoria completa nas contas do estado

O candidato do Podemos ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Romário, foi entrevistado pelo RJ1 nesta sexta-feira (14). Durante a entrevista, ele negou ter usado sua irmã como laranja para ocultar movimentações financeiras irregulares.

Romário falou da irmã quando questionado sobre um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, com dados recolhidos entre agosto de 2016 e abril de 2017. O documento analisou o fluxo financeiro de Zoraide, irmã do candidato, mostrando que o dinheiro aparenta pertencer, na verdade, a ele.

O senador negou, porém, qualquer ilegalidade no processo. “Usar uma irmã como laranja, eu seria um imbecil e um idiota, coisa que tenho certeza que não sou. O que o Coaf não afirma é que o dinheiro seja ilegal, proveniente de alguma outra parte a não ser de onde eu poderia retirar durante esses meus quase 20 anos de futebol. O dinheiro é meu e eu dou realmente para quem eu quiser”, afirmou o candidato.

“Fiz um empréstimo para a minha irmã nesses últimos anos. Todo esse dinheiro que apareceu e que aparece nessas últimas reportagens de jornais e TV é 100% legal, que eu ganhei durante muitos anos na minha vida como jogador de futebol. Particularmente, não vejo nenhum problema em dar um dinheiro que é meu, ganho com o meu suor, para minha irmã ou para minha mãe”, acrescentou.

Durante a entrevista Romário também falou sobre pessoas relacionadas a ele que foram nomeados para cargos na gestão Eduardo Paes na Prefeitura do Rio; afirmou que afastou “de comum acordo” um assessor que responde por assassinatos e detalhou planos para fazer uma auditoria nas contas do estado.

O senador Romário foi o quinto entrevistado da série do RJ1 com candidatos ao governo do RJ. Foram convidados para a rodada de entrevistas os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada no dia 6 de setembro.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, realizado com a participação de representantes dos partidos. Na segunda-feira, dia 10, o convidado foi Anthony Garotinho (PRP); na terça-feira, Tarcísio Motta, (PSOL); quarta-feira, dia 12, será Indio da Costa (PSD); e na quinta-feira, dia 13, Eduardo Paes (DEM).

Nomeações políticas

O candidato do Podemos admitiu que pode trazer amigos para a administração estadual, caso seja eleito e caso eles tenham competência para desempenhar os cargos ocupados. Romário teve amigos e parentes em cargos na Secretaria Municipal de Esportes quando indicou Marcos Braz como titular da pasta. No órgão, Romário empregou a irmã, Zoraide, seu sobrinho Leonardo, dois fisioterapeutas, um ex-parceiro da Seleção Brasileira de Beach Soccer e mais um amigo da praia.

“Primeira coisa é que eu não negociei isso. Na época, o prefeito Eduardo Paes me pediu uma ajuda na Secretaria de Esporte eu indiquei o Marcos Braz e ele, como secretário, entendeu e colocou essas pessoas. É assim exatamente que eu vou fazer. Pode ter sido uma coincidência. Mas inclusive é desse jeito que eu vou fazer aqui no governo, eu vou indicar os meus secretários e eles terão total responsabilidade pra colocar nas suas secretarias aquelas pessoas que eles entendem que são os melhores pra fazer com que a gente tire o rio desse problema sem intervenção, sem nenhum tipo de interferência política. Será assim no meu governo. Se amigos meus forem capazes e competentes para assumir determinados cargos, se o nosso secretário achar que deve ser assim, será assim sem problema nenhum”.

Amigo acusado de assassinatos

Amigo de Romário há 30 anos – inclusive ocupando o cargo de assessor especial no Senado e tesoureiro do PSB quando o candidato era presidente estadual da legenda -, Wilson Mussauer Júnior vai a júri popular este ano pelo assassinato de quatro pessoas em 2004. O Ministério Público o acusa de torturar, matar e atear fogo aos corpos das vítimas a mando do jogo do bicho. Ainda assim, Romário o manteve empregado por mais dois anos após a denúncia. O candidato explicou a decisão.

“Primeiramente, realmente o Wilson é um amigo meu de muitos anos. A partir do momento que o meu gabinete e eu e o próprio Wilson entendemos que ele poderia ser julgado, foi indiciado por esses crimes, a gente rapidamente de comum acordo decidimos afastá-lo”, disse.

Teste do bafômetro

Romário falou sobre as três ocasiões em que se recusou a fazer o teste do bafômetro: 2011, 2012 e 2014. Já multado por dirigir sob influência de bebida alcoólica, o ex-jogador tem a carteira de motorista bloqueada desde janeiro de 2016.

“Eu já não dirijo há bastante tempo, desde o momento em que fui proibido de dirigir. E só para conhecimento de todos: eu não bebo. Eu não soprei nessas duas ou três vezes porque a abordagem daquela determinada pessoa na Lei Seca não foi de acordo com que eu entendi que deveria ser. Fora essas três, eu já fui parado em outras 10 – em todas elas eu soprei porque a abordagem foi feita tranquila e com educação. Eu nunca vou me negar a soprar”.

No dia 11 de março deste ano, o candidato foi flagrado dirigindo na Avenida Ayrton Senna, Barra da Tijuca, apesar de ter a carteira cassada. Situação semelhante já havia acontecido em pelo menos duas outras ocasiões, em 2016 e 2017

“Nesse dia, fui pego dirigindo porque voltava de um jantar com minha amiga e ela havia bebido, ela não estava se sentindo bem. E quando saímos desse jantar, senti que ela não estava preparada para dirigir. Estamos falando de uma distância de dois ou três quilômetros do local onde moro. Mas com certeza as leis devem ser cumpridas. Há dois ou três meses, entreguei minha carteira”.

Imóveis penhorados

Romário afirmou que os dois apartamentos, a casa de R$ 6 milhões na Barra da Tijuca e três carros penhorados pela Justiça nos últimos meses sejam dele – segundo o candidato, os bens pertencem à irmã.

“Eu não oculto bens. Vou repetir: fiz um empréstimo para minha irmã nos últimos anos de todo o dinheiro que recebi, de clubes como Vasco, Flamengo e Fluminense. Essa casa é da minha irmã, o carro é da minha irmã e o barco é da minha irmã. E quem responde pela minha irmã é a minha irmã”.

Gestor

Romário já foi preso por não pagar pensão alimentícia, perdeu na Justiça um imóvel de luxo em um dos condomínios mais caros do Rio por dívidas com vizinhos, acumulou dívidas de IPTU de uma boate da qual era proprietário e IPVA de seus carros. Apesar desses problemas de gestão pessoal, Romário explicou como pretende convencer o eleitor de que é um gestor capaz de cuidar de um estado em situação financeira delicada como o Rio de Janeiro.

“Olha, quando a gente traz tudo isso pra política, a história é outra. Vou repetir: tive meus problemas, tenho meus problemas, tenho meus defeitos, todos eles estão sendo resolvidos e serão resolvidos. Mas na política, isso está longe. Eu não tenho nenhum tipo de problema na política, a gente está falando na política e esses problemas que eu tive me ensinaram a tomar outros tipos de decisões. Um dos motivos que eu pelos quais afirmo que eu vou ser um dos grandes governadores do Estado é exatamente por isso: vou escolher os melhores nomes, vou escolher os melhores secretários”.

Economia

O candidato explicou de que maneira pretende lidar com a dívida R$142 bilhões acumulada pelo Estado do Rio.

“Eu não sou especialista em Economia e a prova disso é que o meu primeiro secretário escolhido foi o Guilherme Mercês, dos quadros da Firjan, que será o chefe da minha Fazenda. O que eu posso dizer é que o Estado só tem uma maneira de funcionar em todos os segmentos: a primeira coisa é fazer uma auditoria completa nas contas. A gente vai rever todos os contratos de isenções que existe por parte do Estado e vamos dar credibilidade. Diminuir essa violência porque isso também tem sido um fator muito ruim para que os empresários primeiro continuem e depois voltem a acreditar no Rio”.

Experiência

Romário está há oito anos no Legislativo, mas jamais ocupou um cargo no Executivo. Para ele, essa situação não é um impedimento para assumir a chefia da administração estadual.

“Estou totalmente preparado. Esses oito anos de Legislativo me legitimam muito para eu ser governador do Estado. Porque para ser governador do Estado, você não precisa ter experiência. Você vê aí todos os experientes estão todos presos. Alguns candidatos inclusive estão para ser. Então essa experiência que eles têm eu não tenho. Não me interessa ter esse tipo de experiência. O que eu conheço do estado é de viver no estado. Eu, como criança, como jovem, quando eu me adoentava, eu tinha hospital público. Eu quando precisava ir treinar, eu pegava transporte público, eu estudei em escola pública. Eu não conheço o estado apenas na teoria, nos livros. Eu conheço o estado na prática. Eu, na minha favela do Jacarezinho, pisei em esgoto a céu aberto, eu bebi água que não era filtrada”.

Rombo da previdência

O candidato do Podemos explicou como pretende equilibrar as contas do Estado e do rombo na previdência.

“A gente vai fazer isso. Primeira coisa que tem que acontecer no nosso governo, e será feito, é entender definitivamente esses números reais do estado. Muitos números que a gente está vendo aí não são reais. A partir do momento que a gente se debruçar totalmente, eu liderando, o guilherme como secretário de Economia e o grupo que nós vamos formar, vamos conseguir dar todas essas respostas a vocês e melhor: sair desse problema. É difícil, é difícil, é complexo, mas eu vou montar a melhor equipe do estado pra sair desse estado, desse momento”.

Segurança

Romário detalhou como pretende cuidar da Segurança no Estado.

“O que eu trago de novo é o que não tem acontecido. Nossa população tem medo. Perdeu o direito de ir e vir. Quando a gente diminui as UPPs, que inclusive é o entendimento da própria intervenção, que têm mais de 78% de aprovação da população, a gente coloca policiais na rua e consequentemente a gente faz um policiamento ostensivo. A gente vai diminuir os roubos de carga, diminuir os roubos de automóveis e principalmente os roubos a mão armada. A população tem que deixar de ter medo. e quando a gente coloca polícia na rua, isso com certeza acontecerá. A gente vai diminuir a nossa tolerância à violência”.

Atropelamento

Romário comentou o episódio, em 16 de dezembro, em que um motoqueiro foi atropelado pelo Porche que já foi atribuído ao senador. Na ocasião, ele se apresentou como testemunha, mas posteriormente uma outra testemunha se apresentou afirmando que o ex-jogador era o motorista.

“Isso ai é mais uma fofoca com o meu nome, eu nao apareco nem no inquerito desse acidente. Se eu sou alguma coisa nessa acidente no maximo que eu serei é uma testemunha. Meus advogados tao entrando pra perguntar exatamente porque eu consto ali como autor desse acidente”, disse ele.

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