‘Risco é que se perca o foco’, diz Raul Jungmann sobre o fim do Ministério da Segurança

O ministro da Segurança Pública Raul Jungmann afirmou, nesta sexta-feira (9), em entrevista à CBN, que a criação da pasta, há oito meses, trouxe feitos inéditos para o setor. “Nós tivemos a maior conquista dos últimos anos que foi ter tornado lei um sistema unificado de segurança pública”, defendeu.

Questionado se a volta do ministério para o guarda-chuva da Justiça poderia significar um retrocesso, Jungmann avaliou que isso “depende do rumo que será tomado por Sérgio Moro”. O ministro acredita que o juiz tenha competência para levar esse trabalho adiante, mas fez uma ponderação: “O risco que se tem é de que, voltando para um ministério ampliado, se perca esse foco, que é inédito na história do nosso país”.

O ministro avaliou que a ida de Moro para o Ministério da Justiça não enfraquecerá a Lava-jato. “A operação segue o seu rumo necessário e persegue o seu objetivo, que é atacar a corrupção”, afirmou.

Em relação às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco, Jungmann disse que tratou do assunto com Moro e que depoimentos indicam que há uma articulação criminosa que estaria tentando impedir que o crime fosse elucidado. “O assassinato de Marielle pesa sobre o Brasil e é um bárbaro crime que precisa ter seus responsáveis punidos”, defendeu.

O ministro da Justiça falou ainda sobre o sistema penitenciário brasileiro, e defendeu que a discussão sobre Segurança Pública não pode ser só entre a rua e a porta da penitenciária. “Para mim, o maior problema da segurança pública está dentro do sistema prisional”, afirmou. Em sua avaliação, tirar os criminosos da rua e colocar dentro de prisões significa ampliar o exército das facções criminosas. “É preciso reduzir as superlotação e que não se use sempre o recurso do regime fechado”, concluiu.

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