Rio 2016: Cabral diz que não agiu como corrupto

O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e o ex-secretário de Saúde de sua gestão, Sérgio Côrtes, são ouvidos na tarde desta segunda-feira (13) na Operação Unfair Play, que apura compra de votos para o Rio sediar a Olimpíada.

O processo foi desmembrado em dois. Na semana passada, Cabral foi ouvido a respeito da suposta compra de votos de membros africanos do Comitê Olímpico Internacional e negou. Desta vez, o ex-governador é ouvido a respeito das propinas que teriam sido pagas por Arthur Soares. O empresário, conhecido como “Rei Arthur”, era um dos principais fornecedores do governo do estado na gestão Cabral . Ele está foragido há um ano.

Carlos Miranda, delator e ex-operador do esquema criminoso de Cabral, diz que o ex-governador recebeu mais de R$ 1 milhão em propina das firmas do empresário por cerca de 5 anos. Cabral voltou a negar ter recebido propina, mas admitiu caixa dois.

“O senhor Arthur Soares me ajudou em campanhas eleitorais de maneira informal, caixa dois. Os irmãos Chebar (delatores) foram responsáveis para pegar parte desses recursos. (…) Posso lhe garantir que me ajudou em campanhas de 2002 para o Senado, 2004 para ajudar candidatos aliados e sei que ajudou adversários meus, 2006 para o Governo do Estado, 2008 para as campanhas municipais, 2010 para reeleição e de candidatos aliados. Mas em 2012 não sei, 2014 com certeza não”.

Cabral voltou a assumir seus erros, dizendo que usou dinheiro de caixa dois para “fins pessoais”. No entanto, afirmou que jamais prometeu obras públicas em troca de vantagens indevidas.

“O que eu não fiz foi (pedir) propina, agir como corrupto. Isso eu nunca agi”, disse o ex-governador.

“Se o colaborador (de campanha) tinha expectativa (de um benefício do governante), nunca teve a coragem ou, se me permita, a desfaçatez de dizer: ‘Vou te ajudar’ ou ‘(Vou) Ajudar seu candidato e ‘Meu contrato está ruim, queria estar nessa obra’. Isso nunca houve. Nunca dei essa abertura. O Ministério Público não foi capaz em nenhum processo de pegar um diálogo que me vincule a esse tipo de circunstância”, acrescentou.

Cortês depõe na sequência

De acordo com a denúncia, Côrtes teve despesas pessoais pagas por Arthur Soares através da ex-sócia do empresário Eliane Cavalcante. A benesse seria uma reforma em sua cobertura na Lagoa, Zona Sul, de R$ 148 mil.

O ex-secretário de Cabral prestou depoimento logo depois do ex-governador e o desmentiu. Ele disse que a versão da contribuição sem um interesse por trás é “querer se enganar”. “Não tenho dúvida nenhuma que esse acerto está correlacionado”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *