Rei de Ifé, na Nigéria, é homenageado na Assembleia Legislativa do Rio

O plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se transformou ontem (11/06) em um local de reflexão sobre a igualdade, a luta contra o preconceito e a união dos povos. Em solenidade para a entrega da Medalha Tiradentes, a maior honraria do estado, ao rei de Ifé e líder do povo iorubá, na Nigéria, Ooni Adeyeye Enitan Ogunwusi, o Ojaja II, os parlamentares deram lugar a lideranças de religiões de matriz africana, que acompanharam a homenagem.

O presidente em exercício da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), abriu a cerimônia e lembrou que o Brasil vive momentos de intolerância religiosa. “Espero que ele possa trazer fé e esperança para o Brasil”, pontuou.

O rei de Ifé destacou a proximidade entre a Nigéria e o Brasil e apontou que os povos desses países pertencem à mesma raiz e à mesma fonte. “Eu estou aqui para trazer amor a todos vocês do Brasil, em especial aos afrodescendentes brasileiros. Os afrodescendentes precisam saber. Nós não somos escravos. Nós fomos escravizados. Os brasileiros pertencem a linhagens de reis, rainhas. Nós podemos falar línguas diferentes, mas somos da mesma família. Nós temos que nos associar a vocês. Todos os dias vocês precisam acordar, porque têm que contribuir imensamente para este mundo”, afirmou.

O deputado Zaqueu Teixeira (PSD), que foi o autor da proposta de entrega da medalha, lembrou que o rei de Ifé tem feito diferença em seu país e em outras partes do mundo ao criar propostas de autonomia para mulheres e dar mais oportunidades aos jovens para o ingresso nas universidades. “Reforçou os laços dos afrodescendentes da cultura iorubá ao redor do mundo. Foi necessário que sua majestade criasse bolsas para jovens entrarem na universidade e dar dignidade às viúvas que são deixadas à margem da sociedade. Criou também programa para capacitá-las e dar a elas maior autonomia financeira. Ele tem viajado para diversos países para fortalecer a cultura iorubá entre os afrodescendentes”, afirmou.

A rainha Diambi Kabatusuila, do Congo, que também participou da homenagem, lembrou que é necessário passar a cultura africana para os mais jovens. “Nós temos que fazer o nosso trabalho para conseguir passar as informações de nossos antepassados para promover a justiça, a igualdade e equilibrar a sociedade”, disse.

Na visão da mãe Sandra de Oxaguiã, da Instituição Holística Casa de Oxalá e Oxum, de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a visita do Ooni de Ifé é um marco para o Brasil. Ela disse que ninguém nasce racista, preconceituoso ou intolerante. Mãe Sandra fez uma comparação com uma semente que cai na terra e não se sabe se crescerá uma árvore ou se vai se perder. “A mãe natureza desconhece a mão que deixou aquela semente. Aceita a mão de todos os povos de qualquer etnia. Queremos falar de amor, de paz e união”, completou.

Depois da cerimônia, mãe Sandra estava emocionada com a presença do rei de Ifé. Para ela, é uma honraria inexplicável, porque nunca havia pensado em estar ao lado dele no Brasil. “É um divisor de águas para nós brasileiros que acreditamos na ancestralidade. Então, o nosso ancestral, Obatalá, Olorum, Orumilá, estava presente porque ele é a encarnação desses deuses para nós”, concluiu.

Para o presidente do Centro Cultural Africano no Brasil, vice-rei de Abeokuta, região da Nigéria, Otumba Adekunle Aderonmu, o rei de Ifé passou uma mensagem de valorização dos afrodescendentes. Ele acrescentou que a vinda do rei de Ifé reforçou a ideia de que todos podem programar as suas vidas para alcançar lugares melhores na sociedade, ao verem que uma pessoa como o líder do povo iorubá foi homenageada em uma casa legislativa.

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