Preparo mental, físico e tático: sub-20 do Botafogo tem suporte completo durante pandemia

A preocupação do Botafogo com os atletas do elenco principal se estende ao time sub-20, categoria mais próxima do profissional e que requer cuidados principalmente com a parte psicológica. Para dar continuidade à formação completa dos atletas da base, o clube tem oferecido todo o suporte durante a pandemia do novo coronavírus.

– Nesse momento tem sido bem importante o tempo que a psicologia, a assistência social e a parte médica tem dedicado a falar com esses atletas, porque é de suma importância que todos eles estejam bem informados, bem acolhidos nesse momento difícil que todos estamos passando. O Botafogo como instituição prima muito por esse bem-estar social, se preocupa com a vida dos seus funcionários e atletas – afirmou o técnico do sub-20, Marcos Soares.

Em entrevista, Marcos Soares falou sobre o plano de trabalho passado aos jovens, o trabalho do técnico durante a quarentena e o planejamento para o retorno às atividades. Até o momento, não há nenhum caso de jogador do sub-20 alvinegro contaminado pela Covid-19.

Marcos Soares é o técnico do time sub-20 do Botafogo desde dezembro de 2018 — Foto: Fabio de Paula/Botafogo de Futebol e Regatas

O papo com Marcos Soares:

Como tem sido a rotina dos atletas do sub-20 do Botafogo? Como o técnico trabalha para gerir um grupo de jovens no trabalho à distância?

– Nós temos feito atividades também táticas para instruí-los, recapitular alguma coisa que já foi trabalhada ou já dar indícios do que a gente pode fazer nessa volta em termos táticos dentro de campo.

“Eles são jogadores da categoria sub-20, a mais próxima do profissional, então já são maduros para entenderem o quão importante é seguir a rotina que passamos para facilitar o retorno”.

Qual a base do plano de trabalho feito para os jovens do sub-20?

– Como eles estão a um passo do profissional, o trabalho é bem parecido, ainda dando um pouco mais de ênfase ao desenvolvimento técnico deles, que talvez não terão mais tempo para isso no profissional, e fazer alguns ajustes que vão melhorar o desempenho quando eles subirem, um pouco desse suporte. Focamos em todo tipo de preparação – mental, física, tática – para chegar ao objetivo de vida deles, que é jogar pelo profissional. Tudo é feito pensando nisso.

Como é o trabalho do treinador na quarentena? O que um técnico faz nesse momento de treinos em casa e isolamento social?

– Nós reclamamos tanto do calendário, que não há tempo para fazer isso ou aquilo, já estamos há muito tempo em casa e estou aproveitando para estudar, desenvolver as capacidades e competências profissionais e, ao mesmo tempo, podendo aprender um pouco sobre relações interpessoais e intrapessoais.

– Está sendo muito importante para eu crescer mesmo na dificuldade. Revejo algumas coisas que vinha aplicando em relação a estratégias, parte tática, modelo de jogo, dá para dialogar bastante com a comissão. Trabalho não falta, tem muito planejamento e estamos aproveitando o tempo para melhorar individualmente.

O Botafogo não teve uma boa participação na Copinha. Como foi a preparação para a temporada e de que forma foi feito o planejamento, visto que o clube enfrenta problemas financeiros?

– A gente saiu antes do que almejávamos da Copinha e já houve tempo suficiente para revermos alguns pontos e, em conjunto, procurar solucionar problemas que apareceram. Fizemos algumas contratações, alguns jogadores já deixaram o clube, mas estamos certos de que o trabalho como um todo está sendo bem feito no Botafogo. Ano passado subiram seis bons jogadores por estarem aptos a fazerem parte do grupo de profissionais.

“O principal objetivo da base é formar jogadores, mas damos muito valor também a títulos, porque um jogador vencedor é importante para qualquer clube, principalmente para o nosso, que é tão glorioso”.

– O planejamento foi feito independentemente dos problemas financeiros. Sabemos que nossa diretoria é bastante preocupada com isso, nos dá total respaldo para o trabalho. A gente procura não nos preocupar com os problemas financeiros, mas sim com o desenvolvimento do atleta. O Botafogo tem revelado bons jogadores na sua trajetória.

A equipe fez apenas uma partida pelo Carioca, empate em 2 a 2 na estreia contra o Volta Redonda. Em seguida, veio a paralisação por conta da pandemia. Qual será o protocolo/estratégia para o retorno aos treinos?

– O Campeonato Carioca começou um dia antes da parada, jogamos bem contra o Volta Redonda, acabamos sofrendo um gol em um dos últimos lances da partida. A gente não sabe se agora o campeonato vai recomeçar do zero, mas o importante é saber que, dentro daquilo que planejamos para o começo do time no campeonato, muita coisa foi feita. Estamos no caminho certo, é melhorar os jogadores e a equipe para eles subirem da melhor maneira para o profissional. É claro que a gente se prepara para a volta, planeja, mas ainda não temos uma data de retorno aos treinos, tudo é hipótese. Traçamos diferentes cenários para estarmos preparados para formatar o melhor planejamento.

O time profissional do Botafogo foi para a paralisação com seis atletas da base como titulares (contra o Bangu). Como avalia essa integração com a base e o que fazer para que os atletas sejam bem aproveitados?

– Aqui no Botafogo é bem declarada a importância de os jogadores fazerem parte do plantel profissional. O clube dá chances não só a jogadores, mas a profissionais da comissão técnica. É muito importante para todos nós. Foi muito legal o ano passado, são seis jogadores subindo ao profissional, um bom número, dois foram vendidos aos Emirados Árabes e ajudaram o clube com compensação financeira. Um deles foi considerado o melhor estrangeiro do campeonato de lá, o que glorifica o nosso trabalho.

– Mostra que precisamos manter e melhorar mais esse desenvolvimento dos atletas. Uma alegria grande ter tantos jogadores no profissional, alguns já titulares e com bons rendimentos, o que é mais importante. Nosso trabalho é desenvolvê-los em todos os aspectos, e a parte mental é muito importante para que eles cheguem lá e fiquem onde almejaram estar, que façam por merecer para continuar em cima. Esse é nosso objetivo. Ano passado foi um ano muito bom.

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