Polícia Civil faz operação no zoológico do Rio para apurar supostos maus-tratos aos animais

Investigadores da Polícia Civil estão na tarde desta quarta-feira no zoológico do Rio para apurar supostos maus-tratos dos animais no local, que passa por obras. O objetivo dos agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) é verificar as condições em que estão os bichos. A operação acontece após a visita dos vereadores da CPI do Zoo na terça-feira.

Além de barulho de maquinário de obras e poeira, durante vistoria realizada no último dia 1º, o vereador Dr. Marcos Paulo encontrou animais como leão, tigre e ursos em recintos cercados por tapumes.

Na terça-feira, em nova visita ao zoológico, o presidente o presidente da Comissão de Saúde Animal da Câmara Municipal constatou que a maior parte das estruturas havia sido retirada. Apenas foram mantidas na área onde fica um casal de ursos-pardos. Segundo a direção do BioParque — novo nome do zoológico —, as estruturas estavam sendo usadas para minimizar o estresse dos animais com as obras, mas as intervenções no local já foram concluídas.

— Com base nas denúncias a DPMA instaurou essa investigação com o intuito de apurar as denúncias que foram veiculadas pela imprensa. Vou chamar o veterinário e os responsáveis pelo zoo. Quero saber como é feito o monitoramento desses animais — diz o delegado Mário Jorge Ribeiro Andrade, titular da DDPA.

Segundo Andrade, “há maus-tratos caracterizados” aos animais na obra no zoológico.

— Quero saber o motivo das remoções, onde eles se encontram. Quero saber quem são os responsáveis pelo tratamento dos animais. A direção disse que os medicamentos estão vencidos. Por que estão vencidos e ainda estão lá no local? — questionou o delegado.

De acordo com a Polícia Civil, a especializada vai oficializar a Câmara dos Vereadores para que os documentos da CPI sejam utilizados na investigação.

‘Casa arrumada’

Presente na visita de ontem dos vereadores da CPI do Zoo, o vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL), membro da CPI e presidente da Comissão de Saúde Animal, a “casa foi arrumada” para a visita dos parlamentares.

— É claro que o layout que estamos vendo hoje não é o mesmo, a tendência é que a obra seja acelerada e vários pontos sejam entregues, mas esse ambiente de hoje (terça-feira) não traduz o que encontramos em novembro do ano passado e em 1º de outubro deste ano, quando viemos de surpresa. Hoje (ontem) está muito silencioso, com poucos funcionários e equipamentos — afirmou o parlamentar: — As visitas surpresas pegam a “casa” como ela é, e não o ambiente maquiado tentando se disfarçar para atenuar os danos que causam aos animais. Esta visita foi anunciada pela Câmara com no mínimo duas uma semana de antecedência.

Segundo a direção do BioParque — novo nome do zoológico —, os tapumes estruturas estavam sendo usados para minimizar o estresse dos animais com as obras, mas as intervenções no local já foram concluídas.

— Os tapumes foram retirados porque naquele pedaço a obra encerrou. Eram obras de contenção, de retoque de pedras, passavam caminhões, gente, então os animais precisavam ser preservados — justificou o diretor-geral do parque, Manoel de Paula.

De acordo com técnicos do BioParque, o maquinário utilizado nas obras funciona em períodos do dia que não coincidem com os momentos de alimentação dos animais, e os ruídos emitidos não ultrapassam 50 decibéis. Por conta das denúncias de irregularidades, a empresa entregou à comissão cerca de duas mil páginas de documentos relativos à obra e ao manejo dos bichos.

— Vamos analisar os documentos, emitir um parecer e convocar representantes da Fundação RioZoo e da concessionária para prestar esclarecimentos sobre o atraso nas obras e as condições dos animais — afirmou o vereador Luiz Carlos Ramos Filho (PMN), membro da CPI e presidente da Comissão de Direitos dos Animais.

Fim das obras até 15 de dezembro

No início deste ano, o Grupo Cataratas, que administra o zoo, informou que a inauguração do BioParque era prevista para julho, mas as obras, iniciadas em 2018, ficaram suspensas entre março e setembro por conta da pandemia. Agora, devem ser concluídas até 15 de dezembro. A partir daí, começará um período de adaptação para os animais, que serão introduzidos nos novos recintos.

— A previsão é 15 de dezembro para terminar todas as instalações. Então, vamos transferir os animais daquelas pequenas gaiolas, espaços em que estavam adaptados, para recintos maiores. A área técnica vai dizer quando poderemos reabrir ao público — diz Manoel de Paula, diretor-geral do parque.

Cerca de 80% da obra já estão concluídos. Há cerca de um mês, o viveiro de aves já tem espécies como araras azuis, vermelhas e canindés, assim como tucanos-de-papo-branco. O de répteis também está pronto.

As áreas dos felinos e dos ursos estão sendo finalizadas. O “Aventura Selvagem”, que vai receber representantes da fauna africana, ainda está em obras.

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