PDT processará Tabata por voto contrário à sigla

A deputada Tabata Amaral (PDT-SP) discursa durante audiência pública sobre violência nas escolas Foto: GILMAR FELIX / Cleia Viana/Câmara dos Deputados

PDT abrirá um processo interno na Comissão de Ética do partido contra os oito deputados que contrariaram a orientação partidária e votaram a favor do texto base da reforma da Previdência . A assessoria de imprensa do partido informou que, diante da divergência dos votos desses parlamentares em relação a um posicionamento aprovado por maioria do diretório nacional, “tem um rito estatutário que vai ser seguido”. A decisão final caberá ao diretório nacional do partido.

O estatuto do PDT prevê as sanções de advertência, suspensão e expulsão a filiados.Segundo a assessoria do PDT, a partir da próxima semana, a Comissão de Ética se reunirá para analisar os oito casos. Um processo será montado na Comissão de Ética, e os deputados então poderão apresentar sua defesa. Os argumentos serão avaliados e comporão um parecer da comissão a ser entregue à Executiva nacional do partido. Com base no parecer, o diretório nacional tomará a decisão.

Em meio às discussões do texto da reforma, a maioria do diretório nacional do PDT decidiu pelo voto contrário ao texto. O posicionamento passou a ser exigido dos representantes pedetistas no Congresso. O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), encaminhou no plenário o voto “Não” à proposta do governo de Jair Bolsonaro. Horas antes, a deputada Tábata Amaral (PDT-SP) havia publicado, nas redes sociais, um vídeo no qual justificava seu apoio à reforma. Figueiredo chamou de “futuros traidores” os pedetistas que desobedecessem a orientação.

No vídeo, Tabata disse seguir sua consciência e buscou se distanciar do presidente Jair Bolsonaro, que encaminhou o projeto à Câmara. Ela também descartou ter tomado sua decisão em troca de recebimento de emendas parlamentares. Em seu primeiro mandato, a deputada é uma das congressistas mais populares da atual legislatura, foi a sexta mais votada em São Paulo e é cotada para disputar a prefeitura da capital paulista.P

Como Tábata, votaram “sim” ao texto base os pedetistas Alex Santana (BA), Subtenente Gonzaga (MG), Silvia Cristina (RO), Marlon Santos (RS), Jesus Sérgio (AC), Gil Cutrim (MA) e Flávio Nogueira (PI).

O maior “racha” ocorreu na bancada do PSB, que também haviaorientado seus parlamentares a votar contra a reforma proposta pelo governo. Onze dos 32 deputados acabaram votando a favor do texto, como os parlamentares Emidinho Madeira (MG), Jefferson Campos (SP) e Liziane Bayer (RS).

Lupi aponta ‘lado dos banqueiros’

O mesmo rito de processo do PDT valerá para deputados que contrariarem a orientação da liderança do partido na votação dos destaques ao texto base da reforma da Previdência, nesta quinta-feira.

Na véspera da votação, o presidente do PDT, Carlos Lupi, havia declarado aos seguidores do Twitter que “todos os deputados federais” da sigla “votarão CONTRA” o texto da reforma. Nesta quarta-feira, havia sinalizado que poderia expulsar parlamentares da legenda que votassem “sim” ao texto.

“Quem quiser o lado dos banqueiros, que vá para o lado de lá. O Trabalhismo Brasileiro, desde Getúlio Vargas, é para defender o trabalhador, o pobre, a classe média. Esta reforma da previdência é nefasta!”, destacou ele, em sua conta pessoal do Twitter.

O vice-presidente do partido, Ciro Gomes (CE), destacou no Twitter defender a expulsão dos deputados “que votarem contra o povo nesta reforma “elitista”.

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