Parceria inédita entre Prefeitura do Rio e Nasa desenvolve programa para previsão de deslizamentos de terra

A Prefeitura do Rio está desenvolvendo, em parceria inédita com a Nasa, um software que irá auxiliar na previsão de curto prazo para possibilidade de deslizamentos de terra na cidade.   O programa está em fase final de desenvolvimento e entrará em testes no próximo período de chuvas intensas, que se inicia nos próximos meses de novembro e dezembro. Nesta fase, os meteorologistas que trabalham no Centro de Operações Rio (COR) vão analisar e fazer os ajustes necessários nos resultados deste novo modelo de previsão de deslizamentos.

Pesquisadora da agência espacial norte-americana, Dalia Kirschbaum esteve no COR nesta sexta-feira, dia 14 de setembro, para apresentar os resultados da parceria, gerenciada pelo Instituto Pereira Passos (IPP). O software leva em conta modelos globais da Nasa e dados locais da Fundação Geo-Rio (órgão responsável por monitoramento e contenção das encostas cariocas). A análise é feita  em tempo real, com dados históricos sobre as regiões com maior probabilidade de sofrer deslizamentos, que são visualizadas através de um mapa de calor.

– Esta é a primeira vez que a Nasa realiza parceria diretamente com uma cidade. Um de nossos objetivos é aprender mais sobre a utilização de nossos modelos de previsão e ferramentas que operam em escala global para uma escala mais local. Este aprendizado nos permite entender melhor como as questões do meio ambiente impactam as cidades e ampliar formas de gerar impactos positivos. Esta experiência com o Rio servirá de caso de estudo para ser replicado em outras cidades do mundo – detalhou Dalia Kirschbaum.

No dia anterior, a pesquisadora da Nasa havia participado do “II Seminário SIURB: Informação, Planejamento Territorial e Políticas Públicas na cidade do Rio de Janeiro”, organizado pelo IPP e realizado no auditório do Ministério Público do Estado. O prefeito Marcelo Crivella, que participou da abertura do evento, se mostrou otimista quanto à parceria com a agência espacial dos Estados Unidos.

–  Este trabalho com a Nasa é fundamental para que possamos ter  uma cidade mais eficiente, capaz de ser assertiva ao estabelecer suas prioridades. Quanto mais cedo a gente conseguir prever a intensidade destes fenômenos naturais, mais vidas conseguiremos salvar em casos de deslizamentos de terra – comentou o prefeito.

O coordenador da equipe de meteorologia da Prefeitura (Alerta Rio), Ricardo D’orsi, destacou que este será mais um dos indicadores que o COR e as equipes operacionais utilizarão para monitorar e implementar ações de resposta em eventos de chuva forte.

– A Defesa Civil poderá ter mais informações para decidir, por exemplo, sobre o acionamento das sirenes em comunidades com risco de deslizamento – completou Alexandre Cardeman, chefe-executivo do COR.

Diretor de informações do Instituto Pereira Passos – órgão municipal responsável pelo planejamento urbano carioca –, Luiz Roberto Aroeira reforçou que já existem condições para replicar a parceria em outros municípios da Região Metropolitana do Rio.

– O trabalho de adaptação dos modelos de previsão de deslizamento que fizemos para o Rio já pode ser utilizado por cidades vizinhas. Para isso, basta que estas cidades tenham monitoramento de seus dados locais relacionados a fenômenos naturais, como a quantidade de precipitação de chuva. O IPP já pode apoiar na aplicação destas informações locais no modelo desenvolvido com a Nasa e, cada município interessado, poderá testar a ferramenta em seus territórios – explicou Aroeira.

A parceria entre a Prefeitura do Rio e a agência espacial norte-americana tem quatro diretrizes: resiliência urbana para desastres naturais, monitoramento do meio ambiente, mudanças climáticas e educação.

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