Paes fala em ‘fiscalização por amostragem’ contra Covid-19 em bares e casas noturnas

Após uma reunião com representantes de setores econômicos na cidade, o prefeito Eduardo Paes (DEM), disse nesta quarta-feira (13) que estuda uma “fiscalização por amostragem” contra Covid-19 em bares e casas noturnas.

“Nós vamos fazer uma fiscalização por amostragem. Escolher algumas boates, alguns quiosques, alguns bares da cidade, obviamente, os que têm um risco mais alto”, afirmou.

“Vamos alertar, orientar e eventualmente até fechar se não tiverem respeitando as regras. Vamos identificar os locais que você estiver tendo desrespeito e buscar orientar. Se estiver desrespeitando completamente, vamos mandar fechar. Por que digo que é por amostragem? Porque é impossível fiscalizar todos os bares da cidade. É impossível ter um fiscal, uma babá, para cada cidadão para cada pessoa. Então a gente precisa da consciência das pessoas, mas vamos ter fiscalização nas ruas pra quem descumprir as regras”, acrescentou.

Eduardo Paes discute as novas medidas contra a Covid com representantes de setores econômicos em reunião na Zona Portuária do Rio — Foto: Gabriel Barreira/G1Carnaval

Questionado sobre a possibilidade, levantada por ele próprio, de um carnaval em julho, Paes disse que vai depender da vacinação. E descartou a folia em fevereiro.

“Vamos ver como caminha a vacinação, como as coisas caminham. Se tivermos condições sanitárias para tal, será (em julho). A gente está mt otimista que possa (ter). Em fevereiro, não vai ser (o carnaval) de jeito nenhum. Infelizmente, adoraria que fosse, mas está cancelado”.

Os secretários de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões; de Saúde, Daniel Soranz; e de Ordem Pública, Brenno Carnevale, também participam do encontro desta tarde.

Mais cedo, uma resolução conjunta foi publicada no Diário Oficial do município com novas regras para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Uma das regras anunciou a volta da torcida aos estádios, com restrições, mas em uma rede social o próprio Paes voltou atrás e anunciou que vai revogar a medida.

“A decisão de liberar os estádios com uma ocupação máxima de 1/10 está correta tecnicamente, de acordo com nossa secretaria de Saúde. No entanto, obviamente trata-se de medida quase impossível de ser fiscalizada. A medida será revogada”, escreveu Paes no Twitter ainda de manhã.

À tarde, o prefeito voltou a falar sobre o assunto. “Na minha percepção, muito difícil. O estádio, pela sua própria configuração, por suas características, pela característica do futebol, acaba sendo mais difícil de ser controlado. Tem a paixão de torcidas envolvida, é mais complexo. Entendi por bem mandar fechar”, disse ele.

O prefeito afirmou que a decisão partiu dele próprio e é ele quem publica e revoga os decretos.

A reabertura das arquibancadas seria com restrição da capacidade, dependendo da classificação de risco para Covid-19 da região, divulgada toda sexta-feira pelo município.

“Sigo aquilo que os técnicos estão dizendo. A não ser que eu ache, por exemplo como foi no caso do estádio hoje de manhã que nós revogamos, eu tomei a decisão de revogar. Se você conseguisse na prática, deixar só 10% da lotação, que não tivesse tumulto, fora todos os problemas que um jogo de futebol trás, você pode revogar”.

Boletim sobre riscos

O último boletim da prefeitura, divulgado na sexta-feira (8), informava que 18 bairros da cidade tinham risco alto para a Covid — caso dos três principais estádios do Rio.

painel de Covid-19 registrava, na manhã desta quarta-feira (13), 15.664 mortos na capital, com 175 mil casos. Em todo o estado, eram quase 27 mil óbitos e 465 mil casos.

As mortes por Covid-19 no RJ estavam com tendência de alta (+115%), segundo o mesmo boletim.

Nesta quarta, 140 pacientes com suspeita ou confirmação da doença aguardavam transferência — 62 para uma vaga na UTI e 78 para enfermaria.

Outras regras

  • A resolução publicada pela prefeitura falava ainda do funcionamento de boates, cinemas e teatros. Ao anunciar a decisão de não autorizar torcida nos estádios, o prefeito do Rio não esclareceu se essas medidas serão mantidas.
  • Casas noturnas devem interditar a pista de dança e proibir pessoas em pé entre as mesas, independentemente da classificação de risco.
  • Se o estabelecimento ficar em uma região com risco moderado, poderá ter metade da capacidade; com risco alto, 25%; e risco muito alto, não deve abrir.

Nas últimas semanas, no entanto, flagrantes mostraram estabelecimentos lotados e a maioria sem máscara — como em festas de pré-reveillon.

VEJA restrições em outros setores

Cinemas e teatros:

  • devem ampliar o horário de funcionamento, a despeito da classificação;
  • risco moderado: metade de capacidade;
  • risco alto: 1/3 da capacidade;
  • risco muito alto: 1/4 da capacidade, com distanciamento de 2 metros.

Supermercados e farmácias:

  • risco moderado: sem restrições;
  • risco alto: 2/3 da capacidade;
  • risco muito alto: metade da capacidade e ampliação obrigatória do horário.

Shoppings:

  • risco moderado: 3/4 da capacidade;
  • risco alto: 2/3 da capacidade;
  • risco muito alto: fechado, exceto para entrega em domicílio.

Fecham em risco muito alto

Além de shoppings e boates, essas atividades e locais não podem funcionar se o bairro estiver em risco muito alto:

  • Ambulantes e feirantes;
  • Estádios e ginásios;
  • Clubes;
  • Museus;
  • Galerias e exposições de arte;
  • Aquário;
  • Conferências, convenções e feiras comerciais.

Medidas permanentes e sugestões

A resolução reforça os cuidados básicos de higiene, como a limpeza constante de superfícies, o uso de álcool para as mãos e a obrigatoriedade de máscaras.

O texto cita ainda “medidas recomendáveis”.

  • Evitar ao máximo o convívio com pessoas estranhas ao ambiente doméstico e a proximidade com pessoas do convívio cotidiano que circulam por ambientes externos;
  • Priorizar atividades ao ar livre, mantendo distanciamento social;
  • Adotar o regime de teletrabalho;
  • Deslocar-se pela cidade a pé, bicicletas, patinetes ou patins, como medida para evitar aglomerações no transporte público;
  • Realizar a autonotificação via app, em caso de sintomas respiratórios.

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