Odair exalta jogo do Fluminense contra o Atlético-MG e lamenta: “Gostinho de poderia ter vencido”

O Fluminense arrancou um empate por 1 a 1 com o Atlético-MG na noite desta quarta-feira e fez o líder do Campeonato Brasileiro perder os primeiros pontos dentro do Mineirão (veja os melhores momentos no vídeo acima). Odair Hellmann gostou do que viu e saiu satisfeito com a atuação tricolor, mas não com o resultado. Em entrevista coletiva por videoconferência após a partida, o técnico lamentou que a equipe não conseguiu aproveitar as chances de ter matado o jogo:

– Acho que foi um grande jogo, saí com o sentimento de que a vitória era para ser nossa. Quero parabenizar os jogadores, o grupo, por toda entrega, qualidade, intensidade que desempenharam dentro do jogo. Todo mundo tinha perdido os jogos aqui (no Mineirão). Fluminense poderia, no final de todas as situações, ter saído com a vitória porque produziu para isso.

– Fazendo essa análise, a estratégia deu certo, o comportamento defensivo deu certo, a organização ofensiva deu certo… Pena o resultado final, fica um gostinho de que poderia ter vencido a partida. Viemos para vencer, mas levamos o gol de empate. Saio feliz pelo jogo que fez, cada vez mais vamos ganhando opções para fazer o Fluminense mais forte.

 

Odair durante empate com o Atlético-MG no Mineirão — Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.

Com o empate, o Fluminense chegou a cinco jogos de invencibilidade e foi a 25 pontos, subindo para a quinta posição do Campeonato Brasileiro. O time de Odair Hellmann volta a campo agora no sábado, quando recebe o Ceará, às 19h (de Brasília), no Maracanã.

Veja outras respostas de Odair:

ANÁLISE DO JOGO

– Eu penso que o Fluminense fez dois grandes tempos. Aliás, fez um grande jogo. E no primeiro tempo nós com total saúde conseguimos muito mais imprimir nossa organização defensiva, tirar os pontos fortes do Atlético-MG e fazer a transição. Chegamos muitas vezes com chance de definição para fazer o segundo. Até comentei com os jogadores, no primeiro tempo a gente precisava definir as jogadas, estava conseguindo chegar no último terço… Era uma coisa que precisava melhorar porque ia criar uma situação de maior dificuldade para o adversário, pelo volume que a gente estava colocando. O Atlético-MG acho que não conseguiu no primeiro tempo praticamente quase nada de infiltração. Dentro daquele jogo apoiado das linhas nossas, a gente se comportou muito bem. Não só em uma fase de jogo, mas em todas as fases.

DIFICULDADE NO 2º TEMPO

– Claro que no segundo tempo, manter um ritmo desses de alta intensidade você em algum momento acaba baixando um pouquinho. A equipe tentou manter o máximo possível dessa agressividade, tanto que a segunda chance de gol foi com o Luiz Henrique logo no início do segundo tempo, era para a gente matar a partida. Aí eles cresceram um pouco no jogo, criaram, fizeram o gol de empate. Criaram mais duas situações perigosas… Mas nós estávamos sempre inteiros dentro do jogo, retomamos na parte final, na parte de transição. Mas não foi só uma transição de contra-ataque, foi uma transição também de tirar o time do Atlético de onde ele é muito forte, nesse “perde e pressiona”, e levar ele a ter que defender no campo dele.

POR QUE NÃO USOU O LUCCA?

– Eu tinha opção do Lucca e do Marcos Paulo, mas eu já visualizava a situação do Felippe (Cardoso). Eu até levei o Felippe um pouco mais pela característica, ele te dá essa imposição no duelo por dentro com os zagueiros e estava fazendo muito bem o movimento de paralela. E tendo vitória pessoal em relação a esses movimentos. Eu até na 1ª substituição não tinha vontade de tirar o Luiz Henrique, talvez eu até fizesse o movimento ao contrário: trazer o Luiz Henrique para dentro e colocar o Marcos Paulo. Como poderia ser o Lucca, mas ele também está chegando agora, está se readaptando ao processo do futebol brasileiro, de treinamentos diferentes, de jogos diferentes. Ele vem de outro mercado, de outro futebol…

– E na hora do Ganso, o jogo estava para gente matar, a gente fazer o segundo gol. Tanto que a gente saiu em dois contra-ataques, em duas, três transições ótimas. Uma até com muita superioridade numérica, quatro ou cinco para dois jogadores. Mas deu certo o pensamento da transição para colocar um cara de posse por dentro e fazer esses escapes com jogadores de lado do campo. Foi o que aconteceu. Surgiram oportunidades, com Egídio no final, surgiu com Caio (Paulista). Tudo que a gente planejou acho que deu certo. Claro que vão ter situações que o adversário vai produzir, em um momento é melhor do que você, vai criar dificuldade, ainda mais um adversário que é líder do Campeonato, que tem toda essa qualidade e essa imposição jogando em casa.

DEMORA PARA MEXER NO TIME

– A equipe estava muito bem no jogo, todos os jogadores muito bem. Eu substituí mesmo por situação de perder um pouco essa pressão, para gente agredir para frente, tentar manter essa agressividade por dentro e para frente, que a gente conseguiu por maior parte do jogo. Talvez em 10, 15 minutos não. Mas também porque os jogadores sentiram o cansaço de uma repetição de jogos, de uma intensidade que eles colocaram dentro do jogo muito forte. Em algum momento, você precisa de um tempo para respirar. Eu fiz uso das substituições no momento em que achava que a equipe precisava se reforçar nesse sentido, porque todos os jogadores estavam ainda muito bem, dando uma resposta muito boa.

– O Luiz Henrique foi ao limite, pediu para sair. Eu não gostaria nem de tirar o Luiz. Estava muito bem na partida. Perdi um movimento logo no primeiro tempo com Pacheco que ele ia sair na cara do gol. Provavelmente se o Pacheco não sente a coxa, ali seria uma chance clara de gol já no primeiro tempo. Perdi uma substituição porque você acaba ficando com um movimento a menos. Não tinha porque fazer mudanças no intervalo, porque a equipe fez um melhor primeiro tempo. E esperei porque sabia que alguns jogadores podiam sentir esse ritmo, essa intensidade, para manter o volume, a qualidade, a agressividade para frente para gente continuar criando volume e as nossas oportunidades.

TRINCA DE VOLANTES

– Para mim não são três volantes, de novo começaram a colocar esse rótulo de três. No Internacional demorou dois anos para que parassem de falar a respeito disso, para gente começar a conversar sobre função e posição. O Yago sempre foi um meia-atacante na carreira e está fazendo uma composição de meia. Nem na nomenclatura é volante, mas ele dá uma consistência por dentro porque ele tem essa característica de transição, característica de posse. E com essa possibilidade de trio, eu fortaleço as características quando, por exemplo, a gente quer fazer um jogo mais agressivo… Vale lembrar hoje os outros jogadores tinham características diferentes de Nenê e Fred.

– Esses jogadores dão uma agressividade e fazem uma proteção organizacional em termos coletivos para características de outros jogadores. Esse movimento é para agredir cada vez mais para frente, para que a gente consiga manter uma agressividade para frente, de bloco, de marcação alta, de pressão no homem da bola. E esses caras conseguem dar essa agressividade: Hudson, Yago, André… O próprio Michel que pode jogar por dentro nesse tripé. Em alguns momentos a gente acabava não conseguindo manter essa agressividade, então eu, como treinador, preciso encontrar e buscar essas variações. E essa variação está dentro do nosso jogo desde o início do ano. E ela tem dado nesses últimos jogos uma agressividade mais para frente: Hudson, Yago…

HUDSON MAIS AVANÇADO

– É realmente para fazer esse movimento que você visualizou, para ter essa agressividade para que a gente possa também dar uma proteção coletiva para outras características que a gente tem dentro do jogo. Claro que em algum momento a gente vai precisar abrir mão dessa variação, vai fazer outro movimento, colocar um jogador mais de posse, mais de passe… Isso dentro da análise nossa de estratégia, de jogo e cada jogo que a gente vai fazer.

– Lá no Internacional, quando o Coudet chegou, ele disse que não eram volantes, eram meias, trocaram até no site do Inter. Não tem nem mais a nomenclatura de volante. São tudo meio-campistas. Demorou dois anos para que as pessoas entendessem que o Edenílson e Patrick eram meio-campistas, que faziam participação de movimento defensivo na compactação e a transição muito rápida, ocupando espaço, mas são meio-campistas. Rodrigo Dourado é mais volante, jogador mais por trás, Lindoso estava fazendo um papel mais por trás… Mas o papel, a função, a gente pode até divergir sobre se o cara está conseguindo desempenhar a função ou não, mas que não são volantes, não são.

RÓTULO DE RETRANQUEIRO

– Só para completar: o Coudet colocou mais um, como tem mais um, são quatro, é mais do que o Odair colocava, então vamos mudar até a nomenclatura lá no site. Essa discussão é bacana, válida, há divergências, há visualizações de formas diferentes, eu só estou fazendo uma observação porque de novo colocaram “três volantes”, querem colocar o rótulo de retranqueiro, que eu baixo marcação, que eu peço para o meu time baixar marcação, pergunta para algum jogador se eu pedi algum dia para baixar a marcação… Esses rótulos que são difíceis de aceitar. E eu gosto dessa discussão.

FLUMINENSE DEFINITIVAMENTE BRIGA EM CIMA?

– Nós estamos fazendo um bom campeonato, mas ainda não terminou nem o primeiro turno. Estamos fazendo muito bem até agora, mas até agora. Amanhã tem que fazer de novo, se não mantiver, se achar que vai… Eu, como treinador, vou tentar ao máximo não deixar entrar isso dentro do vestiário e tenho certeza que não vai entrar. Se perder não vai ser por isso. Mas nós temos que saber que o Campeonato é de 38 rodadas, estamos na 16ª, duas derrotas te colocam lá para baixo, duas vitórias te colocam lá para cima. Muita tranquilidade, muito trabalho, muita transpiração para que a gente continue nessa caminhada, mas é muito difícil o campeonato.

– E estou muito atento a esse tipo de situação para não deixar… “Ah agora vai brigar pelo título”, “agora vai brigar pelo não sei o quê”. Nós aqui não colocamos limite, o tamanho do Fluminense não pode impor limite para o bem… Mas nós temos que saber da nossa realidade. A nossa realidade é lutar duro, forte, jogo a jogo e continuar mantendo essa linha para lá no final, se continuar assim, comemorar alguma coisa. Se não continuar assim vai ter problema, precisa dessa consciência. O campeonato é como termina: não é nem como começa, nem quando está agora na 16ª rodada. A gente precisa dar mais ainda a partir de amanhã porque vai ser mais difícil o próximo jogo.

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