Odair aponta 2º tempo do Fluminense melhor que 1º tempo do Flamengo: “Merecíamos ter passado”

O Fluminense perdeu por 3 a 2 para o Flamengo na semifinal da Taça Guanabara, na noite desta quarta-feira, e está fora da decisão. Na coletiva após a partida, o técnico Odair Hellmann reconheceu os erros do time no 1º tempo, mas ressaltou o poder de reação na 2ª etapa. Ele destacou que a equipe chegou a balançar a rede quatro vezes (teve dois gols anulados por impedimento) e, no conjunto da obra, merecia ter se classificado, já que o Tricolor tinha vantagem do empate:

– Por todo o conjunto dos 98 minutos, nós merecíamos ter empatado o jogo e nos classificado. Apesar de o Flamengo ter feito um 1º tempo bem melhor, na minha concepção, nosso 2º tempo foi muito melhor e nós produzimos, botamos a bola para a rede e fizemos quatro, mas valeu dois. E em outra o Evanilson esteve na cara do gol. E essa produção contra um time organizado, estabilizado e com um nível de qualidade que o Flamengo tem, mostra o caminho que estamos e que precisamos traçar. Temos um parâmetro alto e é esse parâmetro que devemos seguir.

– Fizemos o 3 a 1, o 3 a 2, o 3 a 3, o 4 a 3… Os dois últimos não valeram, mas fizemos. Produzimos até mais que o Flamengo do 1º tempo.
 
 
Odair Hellmann, técnico do Fluminense — Foto: André Durão

Sobre o 1º tempo, Odair ressaltou que os dois gols sofridos antes dos dez primeiros minutos desestabilizou o time do Fluminense:

– Não fizemos um bom 1º tempo. Cometemos um erro em bola parada e outro de uma saída de bola nossa e isso custou caro. Quando você toma dois gols logo no início, você desestabiliza e fica arriscado a tomar mais gols. São situações que acontecem dentro de uma equipe que já está entrosada, dentro de uma equipe que já tem identidade sólida, como por exemplo o Flamengo, imagina com uma equipe que está começando o trabalho agora. Tivemos dificuldade até conseguirmos nos estabilizar no fim do 1º tempo. Antes, não conseguíamos nem fazer a construção de trás, nem alongar o jogo, situações que havíamos trabalhado. Mas essas dificuldades aconteceram muito mais pelos gols terem saído muito cedo.

Já sobre a 2ª etapa, o técnico lembrou que o Tricolor teve uma grande chance de marcar antes de levar o terceiro gol. E depois destacou o crescimento da equipe apesar do placar adverso.

– No 2º tempo, o Evanilson tem uma oportunidade clara de gol antes de tomarmos o terceiro. E antes do gol ainda estávamos de frente para uma finalização, não finalizamos, tomamos o contra-ataque e levamos o terceiro gol. Falei das coisas ruins, mas preciso falar das coisas excelentes também que tivemos a partir daí. Um poder de reação muito grande. Um grupo de jogadores que estava perdendo por 3 a 0 para o rival que talvez tenha seu melhor time dos últimos 30 anos, consolidado, e tem capacidade e espírito de comportamento para reagir. Trabalhamos essas situações que fizemos em pouco tempo de treinamento: construção e achar bolas de espaço nas costas do zagueiro, porque a linha do Flamengo é muito alta.

– A partir do momento que entrou a primeira bola do Evanilson, entrou a segunda, começamos a encontrar o jogo. A linha do Flamengo que sobe muito, já não compactava mais, porque ela não sabia se a bola seria curta ou alongada. E foi o que treinamos e foi o que aconteceu a partir dali. Fizemos o 3 a 1, o 3 a 2, o 3 a 3, o 4 a 3… Os dois últimos não valeram, mas fizemos. Produzimos até mais que o Flamengo do 1º tempo. O Flamengo teve toda uma situação de 1º tempo, e nós tivemos toda uma situação de 2º tempo, bem melhor, que fez até o Flamengo fazer cera, o que eu não via há muito tempo, de cair, desacelerar o jogo, 8 minutos de acréscimo, jogo não andar. A sensação minha é de que iríamos empatar o jogo. O importante de tudo isso é visualizar que não podemos dar essas possibilidades para um adversário com todo esse poderio e que temos que nos aproximar desse 2º tempo em termos de parte tática, mental, física.

Confira mais declarações de Odair

Crescimento no 2º tempo
Se pegar os jogos que fiz contra eles pelo Inter e os jogos do River, quais principais características? Marcação intensa no homem da bola e recuperação de bola no campo defensivo, construção e bola nas costas dos laterais e zagueiros. Às vezes nem bolas limpas, apenas para tirar o Flamengo do seu campo e subir a linha de marcação. Trabalhamos a bola nas costas dos laterais, infiltração nas costas dos zagueiros, trabalhamos construção desde o início, bolas longas, só que não conseguimos fazer isso no 1º tempo. Nas poucas vezes que conseguimos, saímos da pressão, mas foram poucas. No vestiário, conversei que precisávamos nos reorganizar para aquilo que tínhamos treinado e estabelecido como estratégia, para fazer o primeiro gol e isso geraria confiança e entraríamos no jogo. Ainda tomamos o terceiro. Mas depois disso, tudo o que treinamos, pensamos, conseguimos botar em prática. A partir do momento que a defesa do Flamengo não conseguia subir, passamos a conseguir construir de baixo também. Geramos esse desconforto para o Flamengo.

Faltou vontade no 1º tempo?
Não posso falar nada sobre vontade dos jogadores. Os caras tiveram muita vontade no 1º e no 2º tempos. No 1º não parece porque quando se está perdendo por 2 a 0 e o adversário está melhor que você tática, técnica e fisicamente, com e sem a bola, parece que não se tem vontade. Mas não é isso. Tivemos muita vontade, mas não dentro daquilo que produzimos, que treinamos de organização. Tomamos gol muito cedo e quisemos sair de qualquer forma para achar o empate, fomos para uma trocação. E não se pode fazer isso contra o time do Flamengo, que tem muita qualidade. O time teve vontade nos dois tempos. No 2º tempo conseguimos produzir, aí fica parecendo que tivemos mais vontade, mas temos foi mais organização, e aí conseguimos ter esse volume e essa imposição para buscar esse resultado muito adverso.

Aplausos após o fim do jogo
Tenho que dar os parabéns em relação a esse processo de retomada e busca desse resultado até o último segundo. Por isso a torcida do Fluminense aplaudiu. Você não sai de um clássico sendo aplaudido por uma torcida se ela não tiver reconhecido. Não é pela derrota. Aqui não gostamos de derrota não. Essa derrota está dói em mim, nos jogadores, na torcida e principalmente em nós que estávamos ali dentro. Ela não aplaudiu a derrota, aplaudiu o espírito, a retomada de confiança, o jogo que fizemos após o terceiro gol.

Discutiu com Jorge Jesus e Gabigol?
O árbitro estava analisando o VAR e aí o Gabriel veio próximo de mim e disse: “se acalma, o VAR está vendo”. Eu disse: “Se acalma é fácil para você, que está ganhando o jogo”. E aí o Jesus veio porque o Gabriel estava conversando comigo. Mas o Gabriel é meu amigo, trabalhou comigo na Olimpíada, temos essa relação, mas ali cada um está defendendo o seu. Jesus achou que tivesse alguma coisa, veio tirar o Gabigol, mas estávamos falando normalmente. Eu disse: “Profe, se acalma que ele é meu amigo, conheço bem”. Foi isso. Ninguém discutiu.

 
Gabigol comemora gol pelo Flamengo enquanto Odair cobra grupo do Fluminense — Foto: André Durão

Saída de bola e dois “primeiros” volantes”
Na minha visão, os dois não são primeiros volantes. E é uma repetição do time que fez um baita jogo contra o Botafogo. Simples assim. Os dois jogadores tiveram uma atuação muito grande, muito boa, excelente em todos os sentidos. Então foi a busca… Para um time que está em construção, quando você adquire um comportamento, você tenta repetir o mais rápido tudo aquilo que você fez de bom. A visualização era repetir pela segunda vez uma equipe que vinha de um jogo ótimo. Os dois jogadores tinham feito uma ótima partida. E a saída de bola não foi erro deles. Quando a gente tomou os gols, não foi erro deles. Não foi erro de nenhum dos dois que produziu o gol. Agora só para terminar: isso que eu falo para vocês, a gente ainda está visualizando jogadores… Nós temos nessa função hoje o Dodi, Yuri, Hudson e Henrique. No início, se vocês lembrarem, eu iniciei com Hudson e Yuri e até ia repetir essa escalação lá para o segundo, terceiro jogo. Mas aí o Yuri se machucou e eu tive que optar pelo Dodi. Aí o Dodi foi bem. Ainda estamos em busca de uma visualização de aproximação de característica que produza não só nos volantes, mas também em outros setores do time. Quando eu falo para vocês que nós, na minha modesta e humilde opinião, produzimos muito mais coisas positivas é por isso. Nós temos muitas coisas a melhorar, a construir, a evoluir como time, individualmente, na parte tática, na parte técnica, na parte física. Mas eu acho que nós estamos no caminho certo de uma melhor condição e eu acho que a gente fez muito mais coisas positivas até agora do que negativas.

Substituições no 2 tempo
Você viu que a partir do momento que a gente conseguiu produzir não só essa bola de infiltração, mas também, como já o Flamengo não conseguia mais pressionar alto e a defesa não conseguia compactar tanto, nós começamos a construir lá de baixo, já com uma posse desde lá atrás. Não só com essa bola de espaço, de infiltração, as duas começaram a entrar. E aí você precisa desses jogadores de velocidade para romper essa linha, como o Caio, como o Pacheco têm essa característica. E em um último momento, eu tirei um volante, coloquei o Ganso de segundo volante praticamente para que essa bola viesse ainda muito mais qualificada com o passe do Ganso, não só pelo chão, mas com uma bola de infiltração. E nós conseguimos produzir mais ainda, tanto que nós fizemos o terceiro gol, o quarto… Anulados, me parecem que estavam em impedimento pelo que o VAR fez, mas nós produzimos. Antes disso, o Evanilson já tinha entrado uma na cara do gol. Então a ideia foi essa, foi dar velocidade com esses dois jogadores (Caio e Pacheco) e foi dar passe de qualificação, não só de infiltração, mas curto na organização desde trás, porque a gente estava conseguindo jogar lá trás com mais facilidade.

Diferença no meio de campo
Acho que é exatamente isso. Os gols se a gente for olhar os gols que o Flamengo faz, muitas vezes, é justamente quando o adversário está com a bola, tentando construir e ele está em fase de organização com os jogadores dando amplitude, fazendo passagem, aí perde essa posse, tanto no seu campo ofensivo, quanto lá atrás. Flamengo tem uma característica muito forte que é a pressão dentro do seu campo lá na construção inicial. Eu acho que isso nós pecamos principalmente no início e que a gente tinha trabalho até para fazer essa variação de jogada, para não entrar na arma mais poderosa que o Flamengo tem, que é no perde e pressiona, no diminuir o goleiro, no diminuir o zagueiro… Isso vai gerando uma intranquilidade para a equipe, uma falta de confiança e vai gerando uma confiança para ele (Flamengo). Nessa situação, sai o gol de bola parada, sai o segundo gol, de uma pressão em uma saída de bola nossa, num passe. Então tudo isso foi gerando desconforto no primeiro tempo, diferente do segundo, que no segundo a gente conseguiu variar essas ações, variar nossa saída, tanto pelo chão, na construção, quanto nessas bolas de espaço de infiltração. Elas começaram a entrar. Quando entrou a primeira… Já tinha entrado uma no primeiro tempo, com o Evanilson. Lembra que o Evanilson driblou, chegou antes até do goleiro e driblou e a bola saiu um pouco, saiu do espaço. Logo no início do segundo tempo, entrou do Evanilson na cara, que o Evanilson ficou na cara do gol. Isso gerou uma confiança para o time. Aí o Flamengo também já começou a entrar numa situação de desconforto, porque não sabia se compactava para pressionar alto ou se os zagueiros ficavam aqui porque a bola tava entrando na diagonal nas costas. Essas variações de jogadas nossas que criou todo esse desconforto no jogo, coisa que no primeiro tempo a gente não conseguiu fazer. A pressão que o Flamengo fez inicial gerou os dois gols, mas a equipe teve capacidade de sair dessa dificuldade de um placar de 3 a 0 e buscar praticamente a diferença, só que ela não foi validada. Nós fizemos os gols, mas não foram validados. Como eu disse, nós temos coisas para os próximos jogos para evoluir, mas também nós temos muitas coisas boas que nós precisamos dar segmento. Agradecer o torcedor por esse reconhecimento no final, por ele ter vindo, nos apoiado e por esse reconhecimento no final. É um reconhecimento do espírito, daquilo que o Fluminense entregou, honrou a camisa, buscou até o último segundo a possibilidade dessa classificação. Não saímos daqui felizes com a derrota e isso tem que doer mesmo, doer muito, para que já no próximo jogo a gente possa reagir e buscar a vitória.

Jogo contra Unión La Calera é o mais importante do ano até o momento?
Importante, mas não é o jogo do ano. Tem o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil. Se não parece que o clube vai fechar depois do jogo da Sul-Americana. Não é assim. É importantíssimo e vamos com todas as forças para buscar a classificação. Mas não pode ficar um parâmetro de definição de morte.

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