Ocupação de UTI na rede privada do Rio cai, mas taxa de contágio ainda preocupa

A taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) nos hospitais da rede privada do Rio de Janeiro chegou a 67% na última sexta-feira (26). É o menor índice desde o começo da pandemia da Covid-19, com o pico sendo registrado em maio, ao bater 93% de lotação.

Os dados são da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj), que desde a última semana passou a integrar o Subcomitê de Saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro, responsável por avaliar a retomada das atividades e monitorar a situação da rede de saúde.

“Um dos planos é entender como vai acontecer a ocupação dos hospitais privados nos próximos dias. A gente não toma a decisão de abrir ou não reabrir. Existe uma decisão política e uma estratégia que avalia os impactos econômicos. Nós somos responsáveis por fornecer as informações técnicas”, explicou o diretor da Aherj, Graccho Alvim.

A capital do estado contabiliza um total de 6.393 óbitos confirmados e 56.060 casos da Covid-19 até este domingo (28). Foram mais 30 mortes nas últimas 24h, o menor número de óbitos desde o dia 22 de abril.

O município do Rio antecipou para este sábado (27) a reabertura do comércio de rua, além de salões de cabeleireiros e barbeiros.

Segundo o diretor da Aherj, apesar de a queda na ocupação de leitos acontecer de forma gradual desde o fim de maio, quando a ocupação atingiu 85%, a taxa de contaminação no Rio de Janeiro ainda preocupa.

Graccho Alvim acredita que abrir e fechar as atividades pode virar uma rotina na cidade nos próximos meses.

“A gente não atingiu um platô [na curva de casos] ainda. Então, todos os epidemiologistas acreditam que estamos abrindo muito cedo porque não houve uma quarentena de forma correta. Essa abertura e fechamento constantes deve virar o nosso novo normal”, disse.

De acordo com ele, a taxa de contágio na capital, em maio, era de 1,72. No início das medidas de flexibilização, no começo de junho, a taxa atingiu 1,03. Ele disse que na última semana, o risco de infecção voltou a subir, batendo em 1,34.

O especialista acrescentou ainda que com a população de volta às ruas e o avanço das fases de flexibilização, o número de casos tende a subir novamente e com isso os leitos voltarão a lotar.

 
“Enquanto a gente não tiver um medicamento eficiente ou uma vacina a abertura e fechamento das atividades vai acontecer”, explicou.

Na avaliação do médico, o que vai indicar se a cidade está avançando de forma segura ou se terá que retroceder em relação a flexibilização do isolamento social será o número de pacientes que vão começar a chegar nas emergências dos hospitais, tanto da rede particular, como da rede pública.

“Não seria o ideal reabrir o comércio com essa taxa de contágio. Mas talvez tenha sido o que melhor foi possível ser feito. A gente vai ter um parâmetro pela pressão nas emergências”, ponderou Graccho.

O especialista ainda fez um alerta para a velocidade de contaminação das pessoas provocada pelo novo coronavírus.

“Essa contaminação é muito rápida. Em 15 dias podemos ter uma visão totalmente diferente. Semana passada começamos a abrir e o reflexo virá em 15 dias”, alertou.
Cariocas se exercitam ao ar livre, no Leblon (Arquivo) — Foto: Marcos Serra Lima/G1 Rio

Rede pública

Na rede SUS (Sistema Único de Saúde) da capital do estado, na sexta-feira, havia 70% dos leitos de UTI ocupados – 20 pontos percentuais a menos que no início do mês. Os dados são referentes as unidades municipais, estaduais e federais localizadas na Cidade do Rio.

Além da queda nas internações por Covid-19, médicos dizem que caiu também o número de pessoas que buscam atendimento com sintomas leves da doença.

Testagem

Graccho Alvim voltou a defender a testagem em massa como melhor maneira de entender e avaliar a doença.

“Não basta ter leitos hospitalares vagos, precisamos de um plano real de contingência e de testes para avaliar se a população está contaminada. Precisamos saber em quais zonas da cidade as pessoas estão sendo contaminadas. É importante trabalhar com essas medições”, defendeu o médico.
 

A Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro informou que realizou um total de 791.960 testes de Covid-19 nos 92 municípios do estado. Estão entre as cidades que iniciaram a testagem: CamposMaricá, MacaéNova Iguaçu, Petrópolis Teresópolis.

Em Niterói, a testagem rápida no modelo drive-thru começou no início de junho. Os casos identificados como graves são orientados a buscar atendimento imediato em unidade de emergência.

Segundo a secretaria, foram 55 mil análises PCR de coronavírus feitas pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen) e laboratórios parceiros desde o início da pandemia.

Do total, 573.040 testes rápidos foram distribuídos para as 92 prefeituras e 13.920 para órgãos de saúde e segurança.

Casos de pacientes graves, óbitos, idosos e profissionais de saúde e de segurança foram o principal foco destes testes.

A equipe do G1 entrou em contato com a Prefeitura do Rio para saber a quantidade de testes feitos na capital, mas até a última atualização desta reportagem, não houve resposta.

prefeitura do Rio fez a regulamentação da testagem rápida do coronavírus em farmácias e clínicas da cidade no mês de maio.

Fiocruz x vacina

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, conversou com a GloboNews neste domingo (28) sobre o acordo entre o Ministério da Saúde, a Universidade de Oxford e o laboratório Astrazeneca, que prevê a transferência da tecnologia para a Fiocruz, que vai poder produzir a vacina contra a Covid-19.

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