Obra para evitar deslizamento em Niterói custaria R$ 340 mil, diz prefeitura

O deslizamento de uma pedra que atingiu várias casas e deixou 15 mortos no Morro da Boa Esperança, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, podia ter sido evitado com uma obra de R$ 343 mil. É o que indica um levantamento preliminar feito pela Defesa Civil de Niterói, que indicava o risco de um deslizamento na região como “médio”. O documento foi apresentado na terça-feira (13).

Na segunda-feira (12), foram enterradas Nicole, de dez meses e Arthur, de 3 anos, assim como a irmã do Arcelino, dona Dalvina. “É triste, né?”, lamenta.

Segundo Wallace Medeiros, secretário de Defesa Civil do município, o relatório ainda precisa ser finalizado, e a prefeitura não teria errado em seu diagnóstico.

“O relatório não errou tendo em vista uma avaliação do DRM do estado que apontou que esse evento é de difícil previsibilidade. Então o relatório contratado pela prefeitura, finalidade de fazer levantamento do território municipal, pra avaliar todas as encostas e hierarquizar de acordo com avaliações de risco. Muito alto, alto, médio e baixo. Localidade aqui, por esse estudo não finalizado ainda, falta validar junto a defesa civil municipal e estadual, tinha pontos de baixo e médio risco.”

Depois, ele admitiu que o estudo precisa ser refeito. “O cenário apresentado ele nos leva a crer que estudos tem que ser feitos com metodologia diferenciada. Esse fato está sendo avaliado junto ao drm. Por conta disso a gente conversou sobre uma parceria para levantar melhor esses estudos”, disse Medeiros.

O professor Jorge Martins, da UFRJ, afirma que o erro da prefeitura começa no plano diretor da cidade, que não apresenta mapas das áreas de risco.

“Planos são feitos com base em estudos que não se sabe a procedência, não se sabe quem é o responsável técnico. Quem é o responsável técnico pelo plano diretor? Quem vai ser o responsável por qualquer tragédia que venha a acontecer no período de vigência do próprio plano”, questiona ele.

O Ministério Público afirmou que está apurando as responsabilidades pela tragédia.

‘Difícil previsibilidade’

Na terça-feira, o presidente do Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro, Wilson Giozza, afirmou que emitiu uma nota técnica emergencial que trata como “de difícil previsibilidade” a probabilidade de deslizamentos na encosta do morro.

“Vou apenas ressaltar um ponto na minha entrevista de ontem. Tecnicamente, devido às características geológicas, geotécnicas, trata-se sim de um processo de difícil previsibilidade.

Foi uma combinação de fraturas presentes no maciço, juntamente com uma ação de perfuração e pressão d’água vindas de chuvas antecedentes”, disse Giozza em entrevista coletiva.

Estudo e riscos

Nesta segunda, o RJTV mostrou que um estudo feito pela UFF em 2009 a pedido da prefeitura de Niterói e do Ministério das Cidades já indicava o mesmo resultado: que o risco de deslizamentos era “médio” e que todos os morros da cidade precisavam de acompanhamento.

Nem Wallace nem Wilson afirmaram ter tido acesso aos estudos anteriormente durante a entrevista. A prefeitura admite que o morro não estava em levantamento de áreas de risco em 2012. Moradores disseram que casas foram interditadas devido ao risco após chuvas em outros momentos antes da tragédia do último sábado. Medeiros afirmou que duas delas fora minterditadas, mas devido a riscos pontuais.

“A gente quando faz uma análise, um estudo geológico, hierarquiza, para poder em cima desse trabalho, evoluir com um processo de contenção ou até remoção de famílias daquela localidade. Existia um risco pontual daquela localidade para que fosse feito um estudo maior daquela localidade. Poderia haver uma casa que poderia, com o solo instável e as chuvas, apresentar rachaduras. Não havia nada que pudesse indicar uma fissura em um maciço rochoso, que foi o que aconteceu. Outras localidades estavam com risco baixo, não era nem médio”.

Prefeitura admite que Boa Esperança não estava em mapeamento de risco de 2012

Prefeitura admite que Boa Esperança não estava em mapeamento de risco de 2012

Segundo Medeiros, a Defesa Civil permanecerá na área, até para verificar a possibilidade de soltura de outras partes do maciço rochoso do Morro da Boa Esperança.

“A gente não pode virar as costas e achar que o problema acabou. O trabalho de escavação, monitoramento e gerenciamento da encosta está sendo intensificado nesse momento. Neste momento, aquela é uma encosta instabilizada”, explicou Wallace, finalizando com a situação das famílias que perderam suas casas.

“Todas as famílias vão sair, já existe um trabalho de assistência social. São 22 famílias num primeiro momento para ser removidas”, explicou Wallace. Segundo ele, apenas duas estão desabrigadas, e as outras foram para a casa de parentes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TV Prefeito