‘Não vamos levar nosso material à polícia’, diz Glenn

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O jornalista Glenn Greenwald , fundador do site “The Intercept Brasil”, afirmou nesta quinta-feira, durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça ( CCJ ) do Senado , que não irá entregar às autoridades as mensagens trocadas por procuradores e pelo ministro da Justiça, Sergio Moro , que basearam reportagens publicadas pelo site. De acordo com o jornalista, isso só acontece em “países autoritários”. Glenn disse que a autenticidade das mensagens foi verificada por peritos do próprio “The Intercept” e por outros veículos de imprensa. 

— Nós não entregamos e nunca vamos entregar nossa material jornalístico para a polícia ou tribunais porque isso é uma coisa que acontece em países autoritários, tiranias, e não democracias. O que nós fizemos, como profissionais, nós verificamos com muita cautela que o material é totalmente autêntico.

No dia 9 de maio, o site “The Intercept Brasil” publicou conversas atribuídas do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, então juiz federal, e o procurador Deltan Dallagnol. Segundo o site de notícias, as mensagens foram divulgadas por uma fonte, que pediu sigilo. As mensagens mostram a estreita relação entre Moro e os procuradores da Lava-Jato.

A reportagem indica que Moro e Dallagnol combinaram atuações na Operação Lava-Jato. Em uma das conversas pelo aplicativo Telegran, Moro cobra agilidade da força-tarefa. “Não é muito tempo sem operação?”, questionou.

A reportagem cita ainda mensagens que sugerem dúvidas dos procuradores sobre as provas para pedir a condenação de Lula no caso do tríplex do Guarujá, poucos dias antes da apresentação da denúncia.

Na série de três reportagens divulgada pelo site, procuradores da força-tarefa também mostraram indignação com a autorização para a “Folha de S. Paulo” entrevistar o ex-presidente Lula na prisão dias antes da eleição presidencial de 2018.

Em nota após a divulgação dos diálogos, Moro diz que não viu anormalidade em conteúdo: “Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato”

A força-tarefa de Curitiba rebateu a reportagem, dizendo que “seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes”. Um dia após a publicação, o grupo de procuradores afirmou, em nova nota, que “apenas oferece acusações quando há provas consistentes dos crimes”.

Novos diálogos: ‘In Fux We Trust’

Três dias após a divulgação das primeiras conversas, o Intercept divulgou novos diálogos. Neles, Dallagnolafirmou a Moro que havia ouvido de Fux um apoio à Operação Lava-Jato. Moro, então, teria respondido com a frase em inglês “In Fux We Trust” (“Em Fux nós confiamos”).

Em nova nota, Moro diz que cometeu ‘descuido formal’

Em novo posicionamento, , Moro disse que cometeu um “descuido formal” ao repassar, via Telegram, informação ao procurador Deltan Dallagnol, em meio às investigações da Lava-Jato: “No que se refere a algumas mensagens que podem ser autênticas. Eu não tenho como confirmar isso em 100%”.

‘O que ele fez (contra a corrupção) não tem preço’, defende Bolsonaro

Após quatro dias da divulgação das conversas, o presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa do ministro da Justiça e exaltou sua trajetória como juiz federal, dizendo que o que ele fez pelo combate à corrupção no país “não tem preço”.

Em entrevista a jornal, Moro nega ‘conluio’

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Moro negou a existência de um “conluio” com a força-tarefa da Lava-Jato, afirmou que não há risco de ser anulado o processo do tríplex do Guarujá (SP), no qual o ex-presidente Lula foi condenado e declarou que não vai se afastar do cargo.

‘Nenhuma maldade’, diz Bolsonaro

Em café da manhã com jornalistas, na sexta-feira posterior ao vazamento das conversas, Jair Bolsonaro disse que a saída de Moro do governo não foi cogitada “em nenhum momento”

Em novos trechos, Moro teria sugerido ao MPF nota para rebater Lula

Novas conversas apontam que o então juiz do caso teria sugerido aos integrantes do MPF emitir uma nota rebatendo a defesa de Lula, após o interrogatório do petista feito por Moro, em 10 de maio de 2017. A nota acabou sendo divulgada pela força-tarefa, mas com foco diferente do sugerido por Moro

‘A defesa já fez o showzinho dela’, disse Moro a Carlos Fernando

Em conversa de Moro com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o então juiz afirma que os procuradores poderiam apontar as contradições do ex-presidente: “Talvez vocês devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele. Porque a Defesa já fez o showzinho dela”, diz a mensagem.

‘Podem ter sido adulteradas e editadas’, diz Moro em nota

O ministério da Justiça disse em nova nota que não comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa de hackers e que podem ter sido adulteradas e editadas, especialmente sem análise prévia de autoridade independente que possa certificar a sua integridade.

Carlos Fernando desconhece mensagens

Em nota, Santos Lima disse ao GLOBO que desconhece as mensagens citadas pela reportagem: “Desconheço completamente as mensagens citadas, supostamente obtidas por meio reconhecidamente criminoso, acreditando singular que o “órgão jornalístico” volte-se agora contra mim”.

Glenn questionou o fato de Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato não tem negado de maneira veemente nenhuma das mensagens, limitando-se a dizer que elas podem ter sido adulteradas, e ironizou a justificativa do ministro de que não lembra se escreveu ou não o conteúdo das mensagens, dizendo que ele tem “quase amnésia”.   
 

— Sergio Moro está fingindo que tem quase amnésia, tem um memória tão incapacitada que ele não pode lembrar nada. Isso não tem credibilidade nenhuma.  

Ele afirmou que nenhum jornalista do “The Intercept Brasil” teve papel na obtenção das mensagens e que eles apenas receberam o material completo de sua fonte:  

— Nenhum jornalista, nem eu, teve qualquer envolvimento na ação para obter e pegar esses documentos. O único papel foi o papel de jornalista, receber informação de interesse público.

Defesa de Políticos

Glenn falou ainda que não defende nenhum político, partido nem ideologia, e que seu trabalho é baseado nos “princípios fundamentais” da democracia:

O jornalista começou sua fala lembrando que já esteve no Senado para falar sobre reportagens baseadas em documentos divulgados pelo analista Edward Snowden, e afirmou que o tratamento que recebeu na época foi diferente.

 — Ninguém estava falando que a nossa reportagem era antiética ou criminosa — disse.

—  Muito pelo contrário. Vim aqui no Senado duas vezes e todo mundo agradeceu, porque todo mundo no Brasil conseguiu perceber que essa reportagem era tão importante.P

Glenn também criticou quem o classifica como estrangeiro, afirmando que mora no Brasil há quase 15 anos, e ressaltando que é casado com um brasileiro e que adotou dois filhos.

 — Eu moro nesse país desde 2005. O Brasil é meu lar, meu único lar, há quase 15 anos — relatou, acrescentando depois:

— Sou pai muito orgulho de dois filhos brasileiros.

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