‘Não há estudo que ligue game e violência’, afirma especialista

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Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, autores do massacre de Suzano (SP), eram conhecidos por sua paixão por videogames violentos, em que assumiam papel de atiradores, como “Call of Duty”. O hobby não passou despercebido por críticos como o vice-presidente Hamilton Mourão.

— Hoje, a gente vê essa garotada viciada em videogames violentos. É só isso que fazem, eu tenho netos, e muitas vezes os vejo mergulhados nisso aí — disse Mourão. — Quando eu era criança e adolescente, a gente jogava bola, soltava pipa. A gente não vê mais essas coisas. É com isso que a gente tem de estar preocupado.

Autor do livro “Videogame e violência” (Civilização Brasileira) e coautor de “Explorando a Criminologia Cultural” (Letramento) — juntamente com Jeff Ferrell, Keith Hayward e Alvaro Oxley da Rocha —, Salah H. Khaled Jr. afirma que os games são usados como “bodes expiatórios” para evitar a discussão de problemas sociais complexos. Khaled Jr. é professor de Criminologia e Direito Penal da Universidade Federal do Rio Grande.

A tragédia de Suzano pode colocar os jogos de tiro na berlinda?

Sim. É possível que ocorra um grande episódio de pânico moral, uma definição que surgiu na criminologia na década de 1970. Diante de um massacre como o visto em Suzano, é tentador buscar soluções simples, identificar uma única causa para um problema complexo, e acreditar que, atacando-a isoladamente, uma tragédia não se repetirá. É isso o que fazem ao culpar os games, que são transformados em bodes expiatórios. Como o centro do debate é a vida de crianças, é provável que haja uma onda de repúdio contra tudo o que é percebido como ameaça, mesmo que de modo equivocado.

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