Na posse, Wilson Witzel promete retomar crescimento e combater corrupção e violência

O ex-juiz federal Wilson José Witzel tomou posse nesta última terça-feira (1) como governador do Estado do Rio de Janeiro, em cerimônia na Assembleia Legislativa (Alerj), no Centro. Em seu discurso, se referiu a traficantes como narcoterroristas – “e como terroristas serão tratados”. Também prometeu retomar o crescimento via geração de emprego.
O governador chegou por volta das 8h40 à Alerj, acompanhado do vice-governador, Cláudio Castro, da mulher, Helena, e de três dos quatro filhos. Marcada para as 8h30, a cerimônia começou pouco antes das 9h, ao som da banda dos Fuzileiros Navais e suas gaitas de fole.
Witzel se emocionou ao ouvir o Hino Nacional e, por volta das 9h15, fez o juramento já como governador do estado. Em seguida, discursou pela primeira vez no novo cargo.
Principais pontos do discurso:

  1. combater tráfico, homicídios, lavagem de dinheiro e corrupção;
  2. reestruturar a polícia e criar um conselho de segurança;
  3. dar segurança jurídica e credibilidade para atrair investidores;
  4. fortalecer e expandir o turismo, o “novo petróleo” do estado;
  5. melhorar as condições de trabalho dos servidores;
  6. racionalizar custos e obter mais recursos para os municípios;
  7. buscar apoiar o Governo Federal no processo de mudanças de ordem tributária, previdenciária e econômica;
  8. fortalecer a cultura “em toda sua diversidade” e a educação, que será tratada como “política pública estratégica”;
  9. retomar crescimento econômico com geração de renda e emprego;
  10. fomentar a produção agrícola no interior e reduzir importações.

“Tomo posse hoje como governador do Estado do Rio de Janeiro, graças ao desejo de mudança da população. Meu primeiro agradecimento é ao povo (…) Nossa tarefa será racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios. ”
Ao falar da esposa, Helena, voltou a se emocionar e provocou lágrimas também na mulher. “Minha eterna gratidão, meu amor, pelo seu apoio incondicional, a mim e aos nossos filhos.”
Combate ao crime e à corrupção
Witzel prometeu combater a corrupção e o narcotráfico, com a reorganização da polícia e a criação de um conselho de segurança – ele já havia anunciado o fim da Secretaria de Segurança e a criação de duas secretarias, de Polícia Civil e de Polícia Militar. O governador disse que um dos seus objetivos será lutar contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro que financia o crime.
“A instalação de um conselho de segurança vai aproximar as instituições, permitindo que a segurança não seja apenas um caso de polícia (…) São narcoterroristas, e como terroristas serão tratados (… ) É chegada a hora de libertar o Estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual.”
“Cidadãos fluminenses, não permitirei a continuidade desse poder paralelo.”
Disse também que cabe ao estado garantir a credibilidade e segurança jurídica aos investidores, voltou a dizer que o turismo é o “novo petróleo” do Rio e mandou um recado aos secretários nomeados por ele.
“Não temos o direito de errar. Não vamos decepcionar o Estado do Rio de Janeiro.”
O governador finalizou o discurso citando Carlos Lacerda: “Deixou inegável legado de desenvolvimento a este estado. Peço licença para tomar, agora, suas palavras: ‘A impunidade gera a audácia dos maus. O futuro não é o que se teme. O futuro é o que se ousa’. Eu ousei”.
Às 9h43, Witzel terminou o discurso, que durou cerca de 20 minutos. Em seguida, a sessão foi encerrada, e o governador concedeu uma entrevista coletiva.
A jornalistas, Witzel afirmou que fará uma reunião na quarta-feira com seu secretariado para definir prioridades no programa dos primeiros 100 dias de governo. O governador definiu a questão orçamentária como uma das principais prioridades.
“Ontem, nos reunimos com o secretário de Fazenda e vimos que há caminhos para enfrentar esse gigantesco déficit de R$ 8 bilhões, que ainda pode aumentar (…) Vamos combater a sonegação, melhorar o desempenho da arrecadação. Você não pode falar em aumento de impostos se você não estiver muito bem organizado para arrecadar de quem tem que pagar e não sobrecarregar quem já paga. Precisamos ter uma justiça tributária.”
O governador eleito disse também que vai abrir o banco de dados de criminosos procurados do estado para empresas de câmeras com reconhecimento facial identifiquem essas pessoas. “Isso é muito importante”.
Segundo ele, na parte de segurança, além do combate ao crime organizado e a lavagem de dinheiro, está uma reorganização da polícia civil para investigar homicídios.
“Vamos fortalecer o departamento de homicídios para combater os homicídios na região onde eles acontecem com maior intensidade. Precisamos de uma investigação mais aprofundada com maior número de delegados”, declarou Witzel.
Transmissão de cargo
O cerimonial foi dividido em dois dias, a pedido de Witzel, que viajou a Brasília acompanhado de Rodrigo Maia para prestigiar a posse de Jair Bolsonaro como presidente da República – programada para as 15h, no Congresso Nacional.
A segunda etapa, a transmissão do cargo pelas mãos de Francisco Dornelles, ocorre na tarde de quarta (2), no Palácio Guanabara. Dornelles, governador em exercício, representa Luiz Fernando Pezão, preso desde o início de novembro.
Na sequência, serão empossados os secretários de Witzel (veja nome escolhidos pelo governador).
Convidados
Entre os convidados, estiveram presentes o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, que foram chamados pelo presidente em exercício da Alerj, André Ceciliano, para compor a mesa na cerimônia de posse.
Ao falar o nome do governador eleito, Ceciliano errou por algumas vezes, o chamando de “Wilson Witzon”.
Maia falou sobre a expectativa para o governo de Witzel: “Transformar o Rio em um estado seguro, capaz de atrair empresas e gerar empregos”.
Crivella disse que espera que o estado e o município possam renegociar juntos as dívidas que possuem com a União.
“A expectativa é grande, de que eu e ele juntos possamos chegar ao Bolsonaro em Brasília e negociar as nossas dívidas. Isso é fundamental para o Rio de Janeiro. Modernizar nossos hospitais, melhorar as nossas escolas. O Rio tem 11 mil km de ruas e avenidas que precisam ser asfaltadas, limpar nossos rios, as nossas lagoas”, destacou Crivella.
Citando Crivella, Witzel agradeceu a presença de todos os chefes do executivo. “Tenho certeza de que seremos parceiros e que trabalharemos juntos. ”

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