Morte de homem negro em Porto Alegre provoca manifestações pelo país

Em São Paulo, houve saques, enquanto na capital gaúcha jovens picharam palavras de ordem contra a políciaCarrefour fecha loja onde cliente negro foi assassinado por seguranças |  Empresas | Valor Econômico

SÃO PAULO – A morte de um homem negro por agentes de segurança brancos em uma unidade do Carrefour de Porto Alegre provocou uma série de protestos pelo país nesta sexta-feira. Em alguns casos, atos que começaram pacíficos terminaram com invasão de lojas e depredações, além de empurra-empurra, saques e confronto com a polícia.

Agressão

No Rio, segundo o G1, uma unidade da rede de supermercados na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, fechou após manifestantes protestarem pela morte de João Alberto Silveira Freitas. Ele foi morto durante confusão numa loja da rede em Porto Alegre, após ser espancado e asfixiado pelos agentes de segurança

A manifestação no Rio foi pacífica e exigiu o encerramento das atividades do supermercado nesta sexta-feira. A gerência concordou e fechou o estabelecimento após uma conversa com os manifestantes.

Violência

O grupo que foi até o local exibiu faixas como “Parem de nos matar!” e “Sem Justiça, Sem Paz”, usadas em protestos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), nos Estados Unidos.

Já em São Paulo, também após um início pacífico, manifestantes começaram a atirar objetos e a destruir vidraças da fachada da loja na Rua Pamplona, uma das áreas mais nobres da cidade. Em seguida,  invadiram o local, quebraram produtos e chegaram a atear fogo no interior do supermercado. O GLOBO acompanhava a manifestação quando começou a confusão.

Carros no estacionamento também foram depredados. Clientes que realizavam compras no momento do protesto tiveram de se refugiar no fundo do estabelecimento.

Depois do pedido dos organizadores para os manifestantes interromperem a depredação do supermercado, a manifestação foi encerrada. A Tropa de Choque chegou quando a multidão dispersava.

Em São Paulo, a  manifestação teve início na Avenida Paulista, em frente ao Masp, e tinha por objetivo protestar contra a morte de Freitas e pedir justiça racial no país.

O ato foi organizado pela Movimento Negro Unificado (MNU), Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e outros coletivos do movimento negro.

Houve tensão também em Belo Horizonte. Um grupo de manifestantes protestava desde às 15h desta sexta-feira (20), no centro da cidade, e Belo Horizonte, contra a morte de João Alberto Freitas, o João Beto, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Polícia Militar (PM) o homem foi espancado até a morte por funcionários de uma empresa terceirizada, que cuida da segurança da rede de supermercados. As agressões começaram após o cliente, que estava fazendo compras com a esposa, discutir com uma funcionária do supermercado.

Dez minutos após o início do protesto, as portas do Carrefour da avenida Afonso Pena esquina com rua Guajajaras, que estavam abertas, foram fechadas. Por volta de 15h30, já havia cerca de 100 pessoas no ato. A polícia acompanhou o ato, organizado pelo Núcleo Rosa Egípcia Negros, Negras e Indígenas, ganhou adesão de pelo menos 14 movimentos sociais de Belo Horizonte e partidos políticos. O rapper Djonga está entre os manifestantes.

– Isso não é um caso isolado. Isso acontece todo dia desde que o Brasil é Brasil. Hoje era pra ser um dia de celebração e a gente acorda com uma notícias dessas”, disse Djonga ao G1.

Um grupo de pessoas também protestou em frente à loja onde aconteceu o crime, em Porto Alegre. Depois de duas horas de ato pacífico, alguns jovens conseguiram derrubar o portão de acesso ao estacionamento do Carrefour. Alguns quebraram janelas de vidro e tiveram acesso ao primeiro andar do estabelecimento.

A polícia conteve a manifestação lançando bombas de gás lacrimogêneo. Ao final do protesto, uma pichação era vista na parede externa do Carrefour: “Polícia genocida”. Um dos agentes envolvidos na morte de Freitas é policial militar temporário. (*Especial para O Globo)

 

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