Moradores do Complexo da Maré enfrentaram 300 horas de operações policiais e 117 dias de tiroteios em 2019

Complexo da Maré — Foto: Reprodução TV GloboOs 140 mil moradores das 16 favelas que compõe o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, enfrentaram 300 horas de operações policiais e 117 dias de tiroteios na região em 2019. Os dados são do projeto “De Olho na Maré”, da ONG Redes da Maré.

A organização, que estuda a violência na região desde 2016, também calculou que no último ano 49 pessoas morreram nos confrontos: 34 mortes ocorreram durante operações policiais e 15 vítimas em disputas entre criminosos pelo controle do tráfico de drogas.

O levantamento também apontou que 45 pessoas ficaram feridas por arma de fogo no período. Essa é a 4ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré. O estudo mostra que os moradores passaram por uma operação policial a cada 9 dias do ano passado.

Segundo Lidiane Malanquini, uma das pesquisadoras do estudo, o boletim mostra o impacto dessas ações em relação aos moradores da Maré.

“Historicamente, os indicadores de sucesso de uma operação policial são medidos através do número de pessoas presas, apreensão de drogas e armas. A produção de dados de quem sofre os impactos severos desta política de segurança que não preserva a vida, fecha escolas, postos de saúde e limita tantos outros direitos, é fundamental para pensarmos como as políticas públicas podem se estruturar a partir das necessidades e das demandas locais”, destacou Lidiane.

Sem escola e sem saúde

Os dados mostram que os 117 dias de confrontos provocaram vários problemas para a população.

Ao todo, foram 24 dias de escolas fechadas, o que representa 12% dos dias letivos perdidos. Outro problema é na saúde. Foram 25 dias de unidades de saúde sem atendimento.

Segundo o levantamento, 15 mil pessoas perderam consultas pelo fechamento das unidades.

Mais confrontos em 4 locais

Ainda de acordo com o relatório da Redes da Maré, entre as 16 favelas do complexo, quatro regiões concentram o maior número de confrontos. São elas:

  • Baixa do Sapateiro
  • Nova Maré
  • Parque Maré
  • Nova Holanda

O estudo concluiu que a maioria dos mortos durante os confrontos no Complexo da Maré são negros e com idades entre 15 e 29 anos.

Crescimento nos últimos anos

Em 2019, o RJ2 apresentou outra pesquisa feita por um grupo de moradores do conjunto de favelas, ligados a ONG Redes da Maré.

O levantamento mostrou que as favelas da região cresceram quatro vezes mais do que o resto do estado, nos últimos dez anos.

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