Ministro da Justiça diz que PF tem como identificar disseminadores de fake news nas eleições

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, afirmou nesta sexta-feira ao explicar o Plano Integrado de Segurança para as eleições deste ano que a Polícia Federal (PF) tem instrumentos para identificar disseminadores de notícias falsas. O ministro também pediu que os cidadãos colaborem com o processo eleitoral.

— Nosso pedido é que todos os cidadãos, todas as pessoas, colaborem com a lisura do processo eleitoral. O exercício da cidadania pressupõe isso, ou seja, se grupos que queiram se organizar para disseminar notícias falsas não o façam, porque se o fizerem e houver um elemento indicativo que chegue à polícia federal dessa situação, hoje a PF tem condição de detectar a origem, os participantes e, à luz das investigações,iniciar um processo de natureza criminal perante à própria Justiça eleitoral — disse Mendonça.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, destacou que o TSE está engajado no combate às fake news e disse ter ficado alegre com a afirmação de Rolando Alexandre de Souza, diretor da PF, que o órgão tem como identificar a origem dos conteúdos.

— Nós estamos muito empenhados nesse enfrentamento e com alegria tive a notícia do diretor geral da Polícia Federal que a PF já tem programas capazes de identificar, em muitas situações, qual é a origem e da disseminação de notícias falsas — completou Barroso.

Crimes eleitorais

Apesar do otimismo demonstrado, nenhum deles deu muito detalhes sobre essas ferramentas para identificar conteúdos falsos. O ministro da Justiça afirmou que os estados organizaram matrizes para identificar onde há mais perigo de ocorrências de crimes eleitorais e citou alguns dos mais comuns, como boca de urna e compra de votos. O ministro Barroso, que elogiou o sistema, também destacou outros tipos de crimes, como os que envolvem milícias, recentemente ocorridos na Baixada Fluminense.

— Acho que o sistema de segurança pública está se aparelhando para enfrentrar não apenas a criminalidade analógica tradicional, que são os crimes de boca de urna, de compra de votos, de transporte de eleitores, mas temos outros problemas graves que precisam ser monitorados e enfrentados, como os crimes relacionados ao processo eleitoral, os crimes de ameaça, os eleitores que são coagidos por milícias e, sobretudo, o grande fenômeno do nosso tempo que é a criminalidade via internet.

Questionado sobre o risco de ataques de milícias e assassinatos de candidatos, como os recentemente ocorridos na Baixada Fluminense, André Mendonça disse que o trabalho da PF em relação às milícias é realizado independentemente das eleições.

— Posso dizer que o combate ao crime organizado e às milícias é uma prioridade desse ministério da Justiça. Não só nas eleições – afirmou o ministro.

Nesta semana, uma ação da força-tarefa da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal interceptou um comboio de milicianos ligados a Danilo Dias Lima, o Danilo Tandera, homem de confiança do miliciano mais procurado do Rio na Baixada Fluminense. Na ação, policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), em ação conjunta com e da PRF, foram atacados pelos suspeitos, que portavam fuzis, metralhadoras e pistolas. Doze suspeitos morreram no confronto.

A Polícia Civil criou essa força-tarefa voltada para a Baixada Fluminense para assegurar que a eleição seja livre e segura, depois que dois candidatos a vereador foram assassinados na Baixada num intervalo de menos de 15 dias. Os crimes levaram a polícia a antecipar a atuação do grupo.

Mendonça se reuniu com Barroso, para apresentar o plano e o sistema de segurança para as eleções deste ano, que deve ser atualizado em tempo real por todos os 26 estados em que haverá eleição. No Distrito Federal, as eleições só ocorrem a cada 4 anos, coincidindo com as eleições estaduais

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