Mais de 3,6 milhões de brasileiros tiveram título cancelado por não fazer o cadastro biométrico

Ao menos 3,6 milhões de brasileiros não poderão votar nas eleições deste ano porque não fizeram o cadastramento biométrico entre 2017 e 2018 e tiveram seus títulos eleitorais cancelados. É o que mostra um levantamento feito com base em dados de tribunais regionais eleitorais (TREs) de todo o país.

O ciclo de revisão biométrica obrigatória 2017-2018 aconteceu em 1.244 cidades de 22 estados. Em 17 deles, 3,6 milhões títulos foram cancelados, segundo informações dos TREs. Os outros 5 também foram procurados, mas não forenceram as informações –Espírito Santo, Paraíba e Roraima disseram que não conseguem a informação atualizada. Rondônia e Pernambuco não responderam.

Quatro estados, mais o DF, não foram contabilizados no levantamento pois não fizeram a revisão biométrica entre 2017 e 2018. Alagoas e Sergipe concluíram o processo em 2012, e Amapá e Distrito Federal, em 2014. No Amazonas, o processo não foi obrigatório. “O atendimento nos 52 municípios restantes do Amazonas foram realizados de forma ordinária, ou seja, não houve a obrigatoriedade de comparecimento pelo eleitor, porque não houve revisão biométrica nos mesmos”, informou o TRE-AM.

O prazo para registrar as digitais para as eleições deste ano acabou no primeiro semestre. O eleitor que não respeitou o prazo de seu estado e que não regularizou sua situação até o dia 9 de maio teve seu título cancelado. O cadastro eleitoral vai ser reaberto em 5 de novembro.

O número de cancelamento apresentado é referente apenas às cidades em que o cadastramento biométrico foi obrigatório, situação que varia de estado para estado. Com as respostas dos 17 TREs, foi possível chegar ao número de 3.607.338 títulos cancelados em 862 cidades em todo o país.

Evolução da biometria

Em outubro de 2017, uma reportagem do G1 apontou que o percentual de eleitores com o cadastramento biométrico era de 44%. Ao final do prazo de 9 de maio deste ano, o índice cresceu 16 pontos percentuais, chegando a 60% (ou mais de 87 milhões de eleitores).

Parte dessas pessoas, porém, está em cidades que não terão o reconhecimento das digitais disponível para as eleições deste ano. Dos 87 milhões de brasileiros com a digital cadastrada, 73,7 milhões, ou 50% de todas as pessoas aptas a votar no país, vão, de fato, votar usando a biometria.

Nove estados concluíram o cadastramento biométrico, além do Distrito Federal. São eles: Alagoas, Amapá, Goiás, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Considerando todas as 27 unidades da federação, 22 têm mais da metade dos eleitores cadastrados. Os três estados com as taxas mais baixas são São Paulo (45,1%), Minas Gerais (30,2%) e Rio de Janeiro (18,7%).

Segundo o TSE, a meta da Justiça Eleitoral é identificar 100% dos eleitores por meio da impressão digital até 2022.

O que é o cadastramento?

A biometria usa as impressões digitais para identificar o cidadão. O objetivo é ter mais segurança e evitar fraudes. No Brasil, a emissão de passaporte, de carteiras de identidade e o cadastro das Polícias Civil e Federal contam com sistemas biométricos.

Para o reconhecimento individual, são coletados dados biométricos por meio de sensores que os colocam em formato digital. No caso do cadastramento feito pela Justiça Eleitoral, os dados são coletados por um scanner de alta definição. São coletados dados de todos os dez dedos da mão, mas apenas um é utilizado para identificar o eleitor no momento da votação.

A coleta das digitais dura poucos segundos. Além disso, é tirada uma fotografia e cadastrada a assinatura digitalizada.

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