López Obrador é eleito presidente do México

O ex-prefeito da Cidade do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, conhecido pelas suas iniciais AMLO, foi escolhido como novo presidente do México nas eleições deste domingo (1º), de acordo com o Instituto Nacional Eleitoral em comunicado na madrugada desta segunda-feira (2).

O próximo presidente, que é do Movimento Regeneração Nacional (Morena), deve encerrar a apuração com a porcentagem de votos entre 53% e 53,8%, segundo a projeção do resultado final da autoridade eleitoral do país, chamada de contagem rápida”. Ele vai substituir Enrique Peña Nieto.

As pesquisas de boca de urna indicavam vitória de Obrador com cerca de 45% dos votos. Logo após a divulgação, os rivais na disputa já haviam reconhecido a derrota.

Por volta das 5h25 (no horário de Brasília), com 31,6% das urnas apuradas, Obrador tinha 53,33%. O segundo colocado, Ricardo Anaya tinha 23,25% da preferência do eleitorado, seguido pelo governista Antonio Meade que aparecia com 14,92%. Jaime Rodriguez tinha 5,83% dos votos.

Obrador, que concorreu ao cargo pela 3ª vez, superou nas urnas o economista José Antonio Meade, candidato governista do Partido Revolucionário Institucional, o conservador Ricardo Anaya, candidato de uma coalizão formada pela legenda de direita Partido Ação Nacional (PAN) e pela sigla de esquerda Partido da Revolução Democrática (PRD), e Jaime Rodriguez, independente conhecido como “El Bronco”.

Além da eleição para presidente, quase 89 milhões de mexicanos foram às urnas para escolher governadores, prefeitos e deputados locais e federais, entre os mais de 18 mil cargos em disputa. As seções eleitorais foram abertas às 9h e se fecharam às 20h, pelo horário de Brasília. No país, o vencedor é eleito em votação única, sem 2º turno.

‘Dia histórico’

Em um hotel no centro histórico da capital, o candidato eleito afirmou que este é um “dia histórico”. “Convoco todos os mexicanos à reconciliação e a pôr acima dos interesses pessoais, por legítimos que sejam, o interesse superior”, declarou López Obrador, que assumirá a presidência no dia 1º de dezembro.

Obrador aproveitou para agradecer aos seus concorrentes. “Expresso meu respeito em quem votou em outros candidatos e partidos, e o mesmo manifesto para os três candidatos à Presidência da República das diferentes organizações que hoje reconheceram o nosso triunfo e vitória”, disse.

Ele afirmou ainda que seu projeto de nação buscará estabelecer uma “autêntica democracia” e as mudanças “serão profundas”.

Além disso, López Obrador disse que haverá liberdade intelectual e empresarial, e asseverou que haverá disciplina fiscal e financeira. Tudo isso a fim de “erradicar” a corrupção, um dos principais problemas que corrói o país.

Por fim, o futuro presidente mexicano afirmou que seu governo representará “ricos e pobres”, mexicanos de todas as correntes intelectuais e de todas as orientações sexuais.

Mais tarde, em sua primeira entrevista à emissora “Televisiona”, Obrador afirmou que quando assumir o poder, “estenderá as mãos” ao governo do presidente americano, Donald Trump, para ter uma relação de amizade com o país vizinho.

“Vamos estender nossas mãos francas para buscar uma relação de amizade e cooperação com os Estados Unidos”, disse o líder esquerdista em entrevista à emissora “Televisiona”.

Desafios de Obrador

Combinando promessas de campanha com um panorama da história política do México, López Obrador prometeu em evento de final de campanha um governo “radical” que irá acabar com privilégios, erradicar a impunidade e encher o país de “autoridade moral”.

Os desafios de López Obrador serão gigantescos: além de combater a corrupção, deverá cumprir sua promessa de “pôr no seu lugar” o presidente americano, Donald Trump, que ameaçou romper o Tratado de Livre Comércio com o México por considerar que o país latino-americano não é suficientemente duro com a imigração ilegal.

Carlos Urzua, escolhido por López Obrador para comandar o Ministério das Finanças, disse que se reuniu com mais de 65 fundos de investimento, dizendo a eles que o candidato está comprometido a dar autonomia ao banco central, uma livre flutuação de moeda, livre comércio e manter um controle sobre gastos.

Recorde de violência

O México encerrou sua campanha eleitoral como recorde da “mais violenta” dos últimos anos, segundo um informe da consultoria Etellekt. Desde setembro, quando começou a pré-campanha, houve 124 políticos assassinados, entre eles 29 pré-candidatos e 18 candidatos, segundo balanço da empresa e de veículos locais, citado pela AFP.

Vários candidatos consultados pela agência reconheceram fazer sua campanha com medo e alguns deles decidiram contratar seguranças.

A violência eleitoral se soma à que diariamente angustia os mexicanos, que fecharam 2017 com a cifra recorde de 25.339 assassinatos.

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