Jannaina Leite, a 1ª mecânica de helicópteros do Exército no norte do País

Jannaina Leite é a 279ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.

Torquimetro, chave de catracas, alicate de freno, parafusadeira, chave inglesa e outras ferramentas essenciais para reparos e manutenção de aeronaves vão na maleta da mecânica de aviação, Jannaina Leite de 39 anos, que tem a função de revisar o imponente “Black Hawk”, um dos helicópteros mais usados em missões do Exército Brasileiro em Manaus (AM). Hoje, ela é a única e primeira mulher mecânica de helicópteros da região. “Amo o que faço e sou respeitada por isso. Minha família e amigos, principalmente as mulheres, se orgulham muito de mim. Me chamam de poderosa”.

Tenho orgulho da mulher que me tornei. Me considero uma águia.

Se por um lado o pai de Jannaina a influenciou na área, por outro, foi a mãe que a ensinou a ser ambiciosa.

Desde criança, ela foi acostumada às ferramentas. Muito por influência de seu pai, mecânico agrícola. “Nas férias escolares, ia com ele [o pai] para as fazendas fazer manutenção em maquinário agrícola. Pegava nas ferramentas para ajudá-lo e fui gostando”, recorda. A família de Jannaina morava no município de Humaitá, a 696 quilômetros de Manaus, quando a oportunidade de ser mecânica apareceu. Ela prestou concurso e passou. Mas a vontade de trabalhar na área é anterior: ela viu o pai solucionando uma pane em uma avião agrícola e se apaixonou pela profissão. “Não tive medo de arriscar e embarquei na aventura.”

Era a única candidata mulher disputando com 30 homens.

Desde criança, ela foi acostumada às ferramentas. Muito por influência de seu pai, mecânico agrícola.

Se por um lado o pai de Jannaina a influenciou na área, por outro, foi a mãe que a ensinou a ser ambiciosa. “Ela sempre dizia para não desistir apesar das dificuldades que poderiam vir. Não desanimei”. Aos 30 anos, ela iniciou o curso de mecânico de aeronaves na “Amazon Air” com duração de pouco mais de um ano. Ela lembra que na turma de mais de 50 estudantes, só tinham 2 mulheres. “A gente sempre se sente um pouco coagida, né? Eles acham que não vamos dar conta. Mas não baixei a guarda e fui em frente.”

Era meu sonho. Tive que fazer vista grossa e seguir.

Ela é a única mulher até o momento a ingressar como mecânica de aviação nas forças armadas na região norte.

Em 2014, o Exército Brasileiro abriu um processo seletivo para vagas temporárias para mecânico de aviação e Jannaína não pensou duas vezes. “Era a única candidata mulher disputando com 30 homens. Imagina como foi difícil? Mas enfrentei o desafio”, lembra. O resultado saiu logo e surpreendeu a todos. Ela foi escolhida entre os sete candidatos. A única mulher até o momento a ingressar como mecânica de aviação nas forças armadas na região norte. “É claro que tiveram alguns olhares desconfiados. Alguns [colegas de trabalho] não acreditavam muito. Eles não falavam, mas eu sentia! Depois que viram o meu potencial, começaram a me dar crédito. As mulheres têm um olhar mais apurado até para o serviço. Somos mais detalhistas”, crê.

É impressionante hoje como os homens tem admiração pelo esforço.

“Era a única candidata mulher disputando com 30 homens. Imagina como foi difícil? Mas enfrentei o desafio.”

A trajetória dela, sem dúvida, tem inspirado família, filhos e amigos, principalmente as mulheres. “Minhas amigas fazem questão de dizer para todo mundo que sou mecânica de helicóptero do Exército. Acho ainda mais gratificante quando pedem para eu conversar com filhos para incentivar os estudos. Não tem preço!”

Apesar de ser a única mulher mecânica ativa nas forças armadas da região norte, Jannaina, não se considera minoria. “Sou maioria, represento sonhos de mulheres que lutam por aquilo que querem independentemente da idade. Quero continuar sendo inspiração e desejo que outras mulheres possam se representar nessa e em outras áreas daqui pra frente”, diz.

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