Hugo Souza, do Flamengo, diz que técnica em pênalti vem de Diego Alves: “Total influência dele”

Não há dúvidas de que Hugo Souza é no momento um dos principais personagens do Flamengo. Depois de ganhar uma oportunidade na meta rubro-negra graças ao surto de coronavírus que colocou em quarentena os três primeiros goleiros (Diego Alves, César e Gabriel Batista), o jovem de 21 anos não largou mais a vaga graças a grandes atuações e defesas incríveis. Contra o Athletico na última quarta-feira, pelo confronto de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, ele completou seu décimo jogo seguido como titular.

Convidado do “Seleção SporTV” nesta sexta-feira, Hugo falou um pouco sobre esse momento especial para ele, que é formado nas categorias de base do Flamengo e joga no clube desde 2008. A começar pela dúvida: como prefere ser chamado?

– Claro que já me acostumei com o apelido, é normal para mim me chamarem de Neneca. Mas como Hugo Souza é meu nome, nome escolhido pela minha mãe e meu pai, eu fico com o meu nome. E acho mais bonito também.

Contra o Athletico na última quarta, em Curitiba, Hugo teve mais uma grande atuação. Inclusive, defendeu o pênalti cobrado por Walter na vitória por 1 a 0 do Flamengo. Chamou atenção no lance a técnica parecida com a de Diego Alves, de dar um passo leve para o mesmo canto onde, em seguida, vai saltar.

– Tem toda influência dele (Diego Alves), total. Eu acompanho o Diego há muito tempo. Desde a base eu sempre peguei muito pênalti, durante os jogos e nas decisões. E eu sempre acompanhei o Diego, é uma técnica que ele usa, deu muito certo na Europa, não à toa ele é o maior pegador de pênalti da La Liga. Ele é uma referência. Não só nisso, mas pelo goleiro que ele é, pelo ídolo que se tornou. Então tem total influência dele. Vi ele fazendo isso na Europa e hoje vejo ele fazendo isso nos treinos, nos jogos. Se isso deu certo para ele, então pode dar certo para mim também – afirmou ele.

Admirador de Diego Alves, Hugo se esquivou das perguntas sobre a disputa com o ídolo pela vaga de titular.

“Essa dor de cabeça eu prefiro deixar para o treinador, estou fazendo o meu melhor. Eu trabalho com três grandes goleiros, o Diego é uma referência, um ídolo. Tenho a oportunidade de trabalhar com ele no dia a dia, e eu fico honrado com isso. Só eleva o nosso nível de competição, que é uma competição sadia, vai sempre existir. Mas é uma dor de cabeça que fica para o treinador”, disse.
Hugo Souza, goleiro do Flamengo — Foto: Matheus Sebenello/NeoPhoto

Em seguida, após nova pergunta sobre o tema, voltou a se esquivar:

– A gente trabalha sempre para fazer o melhor, e acredito que o treinador vai saber fazer a melhor escolha, é um treinador inteligente, sabe o que faz. O Dome é um cara que sabe ganhar o grupo, ele vai sempre decidir o que é melhor. Isso faz com que a gente tenha que se manter sempre num alto nível para ajudar o Flamengo, que é o maior privilegiado.

Diego Alves e Hugo Souza, do Flamengo — Foto: Reprodução

Por fim, Hugo falou sobre uma questão bastante comentada nas últimas semanas: o trabalho do goleiro com os pés. Contra o Atletico, dessa vez pelo Brasileirão, o goleiro cometeu duas falhas nesse sentido que quase culminaram em gols do adversário.

– É uma coisa que a gente treina muito, muito mesmo. Treinamos bastante durante a semana, quase todos os dias a gente toca a bola com os pés. É um trabalho que vem desde a base, justamente por isso estou acostumado. Acho que é uma característica muito boa minha, me acostumei a jogar assim, nas seleções de base também. É um fundamento que graças a Deus eu sempre dominei bem. Mas eu sei que, quando há um erro, a gente fica marcado por aquilo. Infelizmente errei dois passes contra o Athletico e fiquei um pouco marcado negativamente por isso. Mas se parar para ver, dos jogos que tiveram de lá para cá, eu só errei dois passes – disse ele.

“Acho que não posso ficar marcado por uma coisa assim”, completou.

– Claro que o nível de cobrança tem que estar lá em cima sempre, mas não consigo colocar assim um nível de 0 a 10. Acredito que tenho muita coisa para evoluir, sem dúvidas. O futebol pede que o goleiro jogue com os pés, não é uma coisa nova para mim porque desde a base eu venho fazendo. E agora estou colocando em prática com o Dome. Sei que estou conquistando a confiança do grupo nesse aspecto. Tenho que pedir a bola toda hora, para jogarmos, mas também tenho que ter a humildade para, quando não der, botar ela lá em cima – finalizou Hugo.

Confira outros pontos da entrevista de Hugo Souza ao “Seleção SporTV”:

Oportunidade repentina

– Na verdade, a gente sempre tem que estar preparado para as oportunidades. O futebol é muito rápido, as coisas acontecem de uma forma que a gente não espera. Por isso que tem que estar preparado. Eu me preparei, coloquei na cabeça que teria jogo, que eu ia jogar, fui lá e dei o meu melhor. Graças a Deus fui feliz, fiz um grande jogo e tenho mostrado um bom trabalho. Estou colhendo os frutos desse trabalho. Isso não quer dizer que tenho que parar de trabalhar, porque esse é o momento em que eu tenho que trabalhar mais ainda. É difícil chegar, mas é mais difícil ainda se manter.

Defesa mais difícil?

– Eu fico lisonjeado de poder trabalhar dessa forma, mostrando o meu trabalho, mas ao mesmo tempo não fico deslumbrado. Eu trabalhei para isso e esperei por esse momento, quem me conhece sabe do meu potencia. Com toda a humildade do mundo, mas eu só precisava dessa oportunidade para mostrar. E graças a Deus ela veio, fico muito feliz de estar mostrando isso. Se for para escolher uma defesa, eu fico com essa (contra o Athletico), foi um jogo especial, de copa, diferente dos outros. E foi uma defesa muito difícil. Teve o pênalti também, o primeiro pênalti a gente nunca vai esquecer. E também fico com essa do Corinthians, duas bolas difíceis. E é uma coisa que a gente trabalha todos os dias com os nossos preparadores, a gente sempre trabalha essa reação, de ficar plantado esperando o chute, de definir somente quando o cara chutar, de esperar a bola vir para depois sair. Porque, se definir antes, fica mais fácil para o atacante. Graças a Deus, tenho conseguido fazer isso nos jogos.

Inspirações como goleiro (com exceção de Diego Alves)

– É uma pergunta difícil (risos). Eu tenho grandes inspirações. Acho que a primeira é o Buffon, a segunda o Júlio César, que são goleiros por quem eu tenho uma admiração enorme. E a terceira eu fico dividido entre Dida e Casillas, que são goleiros que eu vi jogar e sempre me encantaram. O Júlio eu tive a oportunidade de trabalhar no Flamengo. Eu já era fã dele como atleta, como jogador e goleiro, e como pessoa virei mais fã ainda. Ele é uma pessoa incrível, fiquei muito feliz em poder trabalhar com ele. Hoje, na atualidade, eu fico com o Alisson, goleiro da nossa Seleção. É um cara que dispensa comentários. Tive a oportunidade de trabalhar com ele de perto quando fui convocado em 2018 e me impressionei ainda mais. É um baite goleiro, faz as coisas parecerem fáceis.

Cobrar faltas

– Lá no clube, desde novo, eu treinava e brincava de bater faltas com a rapaziada. No profissional ainda não estou com essa moral toda de bater, de brincar (risos). Mas é um fundamento que eu gosto e sempre me aprimorei na base, brincando, batendo. Às vezes quando quero treinaro, chamo um goleiro mais novo: “Pô, vamos lá, valendo uma camisa”. Que aí fica mais legal. Esse é um fundamento que eu gosto, muito por ter visto o Rogério Ceni.

Comparar alegrias: ser convocado para Seleção e ser titular no Flamengo

– São duas alegrias muito parecidas, são alegrias de realização, por ter realizado um sonho de chegar à seleção brasileira e realizado o sonho de jogar no profissional do Flamengo. São alegrias parecidas, e alegrias que eu vou continuar buscando, trabalhando para continuar tendo. Uma hora vai acontecer a falha, o erro. Tem que ter humildade para saber que isso é normal, vai acontecer. Eu vou trabalhar para ser quase perfeito no gol do Flamengo. Quando ao Flamengo, eu não tenho palavras. Tudo que eu tenho, tudo que eu conquistei no trabalho eu devo a Deus e ao Flamengo. São 12 anos de casa, 12 anos de trajetória no clube, 12 anos de caminhada. E a seleção brasileira é sonho, espero um dia voltar a ter a sensação de ser convocado.

Tragédia no Ninho

– Foi sem dúvidas um episódio muito marcante negativamente para mim, eu estava no Sul-Americana com a seleção sub-20 e só sabia chorar a todo tempo. Eu me via naquela situação, passei por aquilo, sabia como era a rotina. Ficava o tempo todo pensando: “Cara, poderia ser eu”. Foi algo que ficou marcado negativamente na nossa história, é evidente que ninguém queria que isso acontecesse. Que Deus tenha essas 10 estrelas que estão lá, em todos os jogos eu penso neles, entro pensando em tudo isso. Desde fevereiro de 2019, quando aconteceu a tragédia, a gente já jogava por nós, mas desde então jogamos por nós e pelas 10 crianças que estão no céu. E também pelas 10 famílias que hoje precisam de todo apoio e consolo. Que Deus conforte o coração dessas pessoas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TV Prefeito