General Ramos diz que trocas no governo Bolsonaro cessaram e cita confiança em Braga Netto

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos 04/07/2019 Foto: Jorge William / Agência O GloboA escolha do general Walter Souza Braga Netto para chefiar a Casa Civil marca um momento de guinada nas relações internas do Palácio do Planalto e na atuação do governo de Jair Bolsonaro. Chefe do Estado-Maior do Exército, Braga Netto foi incorporado à equipe por indicação dos também generais Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Houve aval ainda do comando das Forças Armadas. Como Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral, é major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, todos os ministros que despacham no Planalto a partir de agora vieram da caserna.

— Olha, eu vou dar um exemplo que eu tenho orgulho muito grande. Eu subi morro (em operação do Exército no Rio), não vou dizer tomando tiro, em situações muito tensas, com o Braga Netto do meu lado. Eu dou as costas para ele, ele dá as costas para mim. Confiança total e irrestrita — afirmou o ministro da Secretaria de Governo.

Braga Netto chega ao Planalto com a função de coordenar a Esplanada dos Ministérios, depois de uma série de críticas à atuação de Onyx. A aposta é que o militar leva ao governo a experiência de quem chefiava o Estado-Maior do Exército desde março de 2019. Braga Netto já tinha a responsabilidade de acompanhar os departamentos da Força e fazer a gestão administrativa — função primordial para o chefe da Casa Civil.

Com as duas mudanças confirmadas na quinta-feira, Bolsonaro não deve fazer mais trocas na equipe ministerial, segundo informou Ramos.

Os demais ministros do Planalto não devem ter suas funções alteradas. Augusto Heleno é o responsável pela segurança da Presidência. Jorge Oliveira tem o controle do Diário Oficial com a subchefia de Assuntos Jurídicos. O titular da Secretaria de Governo afirma que o novo perfil da equipe procura deixar o Planalto com uma característica menos política e mais técnica:

— A gente (militares) tem a característica de ser muito quadradinho, mais cartesiano. E é o que o presidente quer […] O político tem que pensar em política.

A escolha de Braga Netto

Bolsonaro só oficializou a ida de Braga Netto para o posto depois de ouvir o comandante do Exército, Edson Pujol, e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Na manhã de ontem, horas antes de confirmar, pelas redes sociais, que o militar seria o substituto de Onyx, o presidente recebeu os militares no Planalto. De acordo com a agenda oficial divulgada pela Presidência, Onyx também participou do encontro no gabinete presidencial.

Segundo aliados, o gesto foi em respeito à hierarquia militar. Bolsonaro queria saber se a caserna chancelaria sua escolha. Como resposta, ouviu que Braga Netto estava à disposição.

Chefe do Estado-Maior, o novo ministro foi sondado por Ramos sobre a possibilidade de assumir a chefia da Casa Civil há dez dias. Onyx Lorenzoni havia acabado de antecipar sua volta das férias para apagar o incêndio provocado pelo seu então número dois, José Vicente Santini, que usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer uma viagem a Zurique e à Índia. Como retaliação, Bolsonaro tirou o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) da Casa Civil e o entregou à equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O novo ministro terá carta branca para fazer mudanças e nomeações na equipe da Casa Civil. A avaliação no Planalto é que, diante da liberdade de Braga Netto na pasta, os atuais servidores estão preocupados.

Ao comentar as últimas mudanças que fez em sua equipe numa transmissão pelas redes sociais, na quinta-feira, o presidente Bolsonaro tratou as trocas como uma “pequena reforma ministerial”. O movimento se iniciou na semana passada com a substituição de Gustavo Canuto por Rogério Marinho no ministério do Desenvolvimento Regional. Bolsonaro, até então, evitava o termo.

O presidente destacou, em outra transmissão ao vivo, o fato de agora todos os principais cargos no Planalto serem ocupados por pessoas de origem militar.

— Trocamos hoje dois ministros. Ficou completamente militarizado o meu terceiro andar. São quatro generais ministros agora. Nada contra os civis. Tem civis excepcionais trabalhando (comigo) — disse o presidente, elogiando ainda Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), André Luiz Mendonça (Advocacia-Geral da União) e Ricardo Salles (Meio Ambiente).

Além dos seis ministros que tem origem nas Forças Armadas e de Oliveira, o governo tem ainda outros dois integrantes do primeiro escalão que tiveram parte de suas carreiras desenvolvidas como militares: Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Wagner Rosário (CGU).

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