Flamengo põe multas de 50 milhões de euros, mas saídas expõem fragilidade

É possível prevenir saídas de grandes talentos do futebol brasileiro para o exterior? A pergunta é feita há anos no futebol brasileiro e a resposta é simples: não. A última – e frequente – vítima no futebol é o clube de maior arrecadação no país – se em 2017 fechou as receitas em quase R$ 650 milhões, este ano o Flamengo, com a venda de Lucas Paquetá, mesmo com o parcelamento, vai fechar a conta mais uma vez com meio bilhão de reais contabilizados num ano.

Paquetá ainda tinha mais dois anos de contrato pela frente e o Flamengo não resistiu à primeira investida forte do exterior. Em coletiva, o presidente do clube Eduardo Bandeira de Mello afirmou, sem esconder a fragilidade mesmo num clube que diminui dívidas e aumenta arrecadação: Ainda é impossível competir com os grandes da Europa.

Os motivos para essa incapacidade de reter atletas aqui são variados e não mudam de clube a clube. Jogar fora hoje significa ter mais chances na seleção brasileira, jogar grandes ligas, (evidentemente) viver na Europa, aumentar o salário, receber em outra moeda, ter contato com outras culturas, levar outra vida a familiares…

Se o Flamengo sofre agora com a perda de Paquetá, outro clube brasileiro deve ver uma das principais atrações bater asas já já. Em Porto Alegre, por exemplo, a renovação de Everton já foi vista como a última alternativa do Grêmio para ganhar mais dinheiro na inevitável negociação – que deve girar em torno de 30 milhões de euros na janela europeia do fim do ano – valor da antiga multa contratual do jogador. Na renovação, a indenização contratual dobrou.

Multa de Cuéllar é mais alta: 70 milhões de euros

O Flamengo fez movimento parecido em jogador que desperta cada dia mais as atenções pela sequência de jogos no futebol brasileiro. Léo Duarte, titular absoluto do time de Mauricio Barbieri e de Dorival Junior, tem multa padrão no Flamengo: 50 milhões de euros. O clube o procurou para estender o vínculo, aumentar o salário e a multa.

– No Flamengo este ano ninguém mais entra e ninguém sai. Que nem na gafieira – brincou o presidente Bandeira.

Este ano, realmente, Léo está garantido no Flamengo. Mas o assédio cresce. Zagueiro, tradicionalmente, não sai por valores muito elevados. Em 2007, o São Paulo vendeu Breno ao Bayern de Munique por 12 milhões de euros. Até hoje a maior transação de defensor na história do futebol brasileiro. Uma oferta desse nível para Léo Duarte já tornaria difícil o papel do Flamengo em manter o zagueiro no clube para a temporada de 2019.

No Flamengo, ninguém comenta o assunto abertamente, mas há confiança no esforço para manter o zagueiro em 2019. Representante de Léo Duarte, Raphael Fraga, da Magnitude, não comenta sondagens e assédio ao jogador. Ele tratou como natural a saída de jovens para o exterior, pela disparidade econômica entre as moedas, mas lembrou que o Fla, estruturado e com poder financeiro, é um caso à parte no futebol brasileiro e compete com outros mercados.

Léo tem 57 jogos pelo Flamengo. Ainda está longe da marca de 100 partidas, o que nenhuma revelação do Flamengo chegou nos últimos anos. Confira a lista mais abaixo. Lincoln, já no profissional, e Reinier estão na fila para mostrarem serviço no time de cima. Assim como Thuler, têm contrato com multas altas, de 50 milhões de euros – renovados ou com aditivos recentes. Thuler assinou no fim de julho. Lincoln em março. Reinier, junho.

Fora da curva está o colombiano e xodó da torcida Gustavo Cuéllar. Volta e meia com o nome envolvido em especulações para o futebol do exterior, ele tem multa mais alta: 70 milhões de euros para o futebol do exterior. Quando o clube renovou seu contrato (vai até maio de 2022) houve mensagem de que a valorização era reconhecimento do esforço do atleta, mas também um sinal claro de que não haveria vida fácil para tirar o volante da Gávea.

Será? Vai depender da fome do mercado. Da vontade do jogador. E, claro, também do papel dos dirigentes rubro-negros, na administração das estrelas dentro do vestiário do Ninho do Urubu.

Novos contratos em 2018:

– Lincoln – assinou 29/3/18 – Vínculo até 15/1/22 – multa exterior: 50 milhões de euros;

– Reinier – assinou 29/1/18 – Vínculo até 31/12/20 (primeiro contrato profissional do atleta de 16 anos) – multa exterior: 50 milhões de euros;

– Matheus Thuler – assinou 30/7/18 – Vínculo até 14/7/23 – multa exterior: 50 milhões de euros;

– Cuéllar – assinou 15/6/18 – Vínculo até 30/5/22 – multa exterior: 70 milhões de euros;

– Léo Duarte – assinou 17/9/18 – Vínculo até 31/12/22 – multa exterior: 50 milhões de euros.

Lista de partidas dos pratas da casa:

  • Renato Augusto fez 89 partidas.
  • Samir fez 86 partidas.
  • Jorge fez 82 partidas.
  • Vinicius Junior fez 69 partidas.
  • Felipe Vizeu fez 75 partidas.
  • Lucas Paquetá tem 88 jogos. Pode chegar a 97.
  • Lincoln tem 27 jogos.
  • Thuler tem 14 jogos.

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