Fla aproveitou descuido do Inter, abriu 2 a 0 em quatro minutos e leva vantagem para o Beira Rio

Análise: Inter abre mão de atacar, sofre pane de quatro minutos e vai atrás de epopeia no Beira-Rio

O Inter fazia uma partida de transpiração em essência, quase sem ter a bola nos pés, mas com “perna” de sobra para percorrer todo o campo, fechar os espaços e segurar o Flamengo no Maracanã lotado…. Até Bruno Henrique virar herói e impor uma derrota por 2 a 0 que obriga os colorados a uma cruzada heroica no Beira-Rio por uma remontada pela vaga na semifinal da Libertadores.

O atacante convocado pela primeira vez à seleção brasileira marcou duas vezes, aos 29 e aos 33 do segundo tempo. Aproveitou-se de uma pane geral em exatos quatro minutos que podem ecoar na história por terem sido letais ao Inter na busca pelo tri da América.

– São detalhes. Nossa equipe como um todo estava marcando muito bem. Tivemos cinco ou seis minutos em que deu uma pane e perdemos a marcação. Isso resultou em dois gols. Mas tenho convicção que esse grupo pode reverter – garantiu Edenílson já na madrugada desta quinta-feira, na zona mista do Maracanã.

Antes disso, o Inter cumpria à risca a estratégia desenhada por Odair Hellmann para conter um Flamengo empurrado por 66 mil almas inflamadas com a escalação de Gabigol. O treinador compactou – ainda mais – sua equipe no 4-1-4-1, com Edenílson recuperado de lesão muscular.

A ideia foi esperar o time carioca e congestionar todos os espaços no campo de defesa. Assim foi desde o início, com os 10 jogadores entrincheirados por vezes em uma faixa de apenas 40 metros, como uma barreira ao rival que se impôs para propor as ações do jogo.

Rodrigo Lindoso atuou bem recuado, quase como um terceiro zagueiro ao lado de Rodrigo Moledo e Víctor Cuesta. A segunda linha do meio-campo se posicionava poucos metros à frente, apenas com Guerrero mais adiantado. E em vários momentos atrás da linha do meio-campo.

A estratégia teve como efeito colateral uma equipe que chegou a beirar os 20% de posse de bola e que abdicou de levar qualquer perigo à meta rival. O Inter acertou um total de 119 passes, contra 461 do Flamengo. So Cuéllar, melhor passador, acertou 82 toques. Mas a leitura de jogo funcionou no primeiro tempo.

O Flamengo teve, sim, muitas dificuldades para entrar na área e tentava romper a barreira rival com tabelas de toques rápidos e chegadas em progressão de homens mais recuados. Sempre que isso acontecia, o portador da bola era pressionado por dois ou três colorados. E Moledo também costumava sair da área para se antecipar e bloquear eventuais escapadas.

Assim, o Flamengo ameaçou três vezes no primeiro tempo: em dois chutes de fora e na única chance dentro da área, com Gabigol. Marcelo Lomba fez um milagre, mas até mesmo essa finalização teve desvio após carrinho de Moledo.

Pane de quatro minutos

O segundo tempo iniciou com ainda mais domínio de posse de bola do Flamengo. Mas com o jogo mais controlado pelo Inter, sem correr riscos mesmo mal tendo a bola nos pés.

A circunstância levou Odair a mexer no time, com os ingressos de Wellington Silva e Nico López nas vagas de Rafael Sobis e D’Alessandro. A ideia era ter um time mais agressivo para aproveitar espaços deixados pelo Flamengo nos minutos finais. O tiro saiu pela culatra.

Em um erro de Edenílson na saída de bola, Éverton Ribeiro achou Bruno Henrique com liberdade, justamente num raro momento em que a defesa colorada estava desorganizado. Moledo, por exemplo, saía para o jogo: 1 a 0.

Tamanho foi o impacto do gol que o mesmo Bruno Henrique teve liberdade para receber dentro da área e fazer o segundo, apenas quatro minutos mais tarde. Gabigol ainda perdeu uma chance dentro da pequena área ao furar sem goleiro.

“Agora começa nossa prova. Temos muitas armas e nós, jogadores, temos que estar cientes que temos condições. Os torcedores confiam e podem ter certeza que vamos com tudo. Temos que reverter e acreditar nisso”. (Rafael Sobis)

E só então o Inter passou a atacar o Flamengo. Nico López perdeu a melhor chance, ao tirar tinta da trave nos minutos finais. A postura mais agressiva foi suficiente para encerrar o jogo com mais finalizações que o adversário: nove a oito.

– Até o (primeiro) gol, o Flamengo não tinha feito nenhuma jogada de perigo. Já estávamos entrando com dois jogadores de velocidade porque estavam cada vez mais dando espaço. Aí sai o gol, sai o peso de estar jogando dentro de casa, sai o segundo. Temos uma situação para tentar estabilizar. Conseguimos criar uma chance com o Nico. Não entrou, mas quarta-feira que vem vai entrar – assegurou o técnico Odair Hellmann.

Os dois gols em quatro minutos não apagam os méritos de uma atuação pragmática e sem ousadia para tentar vencer. Mas castigam. Com a derrota, o Inter precisa vencer por três gols de diferença para avançar à semifinal. Um novo 2 a 0 leva a decisão aos pênaltis – lembrando que há o critério de desempate do gol marcado fora de casa.

Inter e Flamengo se enfrentam às 21h30 da próxima quarta-feira no Beira-Rio.

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