Filhos de Jogador da Chapecoense vitima do acidente seguem passos do pai

No campo do Parque Santana, zona norte do Recife, durante os treinos do CT Barão, dois garotos chamam atenção. Um de 13, outro de 16 anos. Não apenas pelo que apresentam nas quatro linhas – mas por carregarem o futebol no sangue. Aroldo e Clebinho são filhos do meia Cléber Santana, uma das vítimas do acidente aéreo da Chapecoense, em 2016. Sob a supervisão do técnico Barão, maior garimpeiro do futebol pernambucano, os meninos tentam seguir os passos do pai e brilhar no futebol como ele – que teve passagens por times como Sport, Santos, Flamengo e Atlético de Madri-ESP.

O meia Clebinho não compartilha apenas o nome com o pai. É, também, o mais parecido fisicamente e que tem as características de jogo mais próximas às de Cléber.

– Minha posição é a mesma do meu pai. O passe também. Ele era meia-armador, eu também sou. E fisicamente também falam que sou bem parecido com ele – diz o garoto de 16 anos.

A mãe, Rosângela, concorda.

– É o jeito de jogar também. Às vezes eu posto fotos e vídeos nas minhas redes sociais, e os fãs de Cleber que me seguem ficam espantados com a semelhança. Até a forma como ele para em campo é igualzinha à de Cléber.

O mais novo, Aroldo, joga um pouco mais atrás. É volante. Fisicamente, é, em geral, comparado à mãe. Mas segundo a própria Rosângela tem bastante coisa de Cléber – especialmente no jeito de ser.

– Ele é bem centrado. Sabe o que quer. Está correndo atrás dos sonhos dele com muita sede – diz a mãe coruja.

Diferenças à parte, há algo que une ainda mais os dois garotos: o desejo de seguir os passos do pai e ter sucesso na carreira de jogador de futebol como ele.

Mas os irmãos discordam quanto ao principal sonho da carreira. Aroldo deseja brilhar em um clube que o pai defendeu e pelo qual tinha muito carinho, o Flamengo. Diz que sonha em jogar com a camisa rubro-negra e ganhar uma Libertadores.

Já Clebinho tem o desejo de atuar em uma equipe que foi rival do pai, na época em que atuou pelo Atlético de Madrid.

– No meu futuro, eu quero estar no Real Madrid. Meu pai jogou contra eles várias vezes, eu gostava de ver. É um time grande, que ganha muitos títulos. Então, é um sonho que tenho – revela.

Se vão chegar lá, é cedo para dizer. Mas o técnico Barão, que descobriu atletas como Raniel, hoje no Cruzeiro, e Otávio, jogador do Porto-POR e autor de gol na última rodada da Liga dos Campeões, aposta alto.

“Eles são meninos muito bons. De boa índole. E, além disso, também são bons com a bola no pé. Um joga um pouco mais atrás, o outro tem mais habilidade. Mas isso não quer dizer que vai chegar a fazer sucesso e o outro não. Acho que os dois têm condição de irem longe.”

Para onde ir?

A fim de chegar ao estrelato, no entanto, o caminho para os meninos é longo. E pode começar longe da família. O Avaí, onde Cléber jogou, abriu as portas para preparar os garotos. Mas a mãe deles, Rosângela, resiste.

“Uma pessoa da diretoria do Avaí entrou em contato comigo há pouco tempo. Disse que o presidente estava esperando meu contato. Eu não liguei por medo de ele querer levar meus meninos embora. Muita gente me julga, diz que estou atrapalhando o futuro deles, mas eu sei o que é morar longe da família. É difícil. Saí de casa muito cedo também. Hoje meus filhos não têm pai. Imagina deixar eles irem embora e ficarem sem mãe e pai”, diz Rosângela.

Rosângela sofre pressão para liberar a ida, inclusive dos próprios meninos. Como conciliar os interesses, portanto, de garotos que querem se preparar para virarem jogadores de futebol com o desejo de permanecer no Recife?

Para ela, só haveria uma solução: a possibilidade dos garotos atuarem em times de Pernambuco. Seja o Sport, onde Cléber começou, ou até no Santa Cruz e no Náutico.

– Seria um presente de Deus – afirma Rosângela.

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