Ex-judoca que quase perdeu perna em luta renasceu no paratletismo

Ex-judoca, Tuany chega à Lima para brigar por medalha em seu primeiro Parapan

Aos 26 anos, Tuany Barbosa se prepara para disputar o primeiro Parapan e brigar por medalha no arremesso de peso e no lançamento de disco. Mas o atletismo entrou na vida dela há pouco tempo. Até 2014, Tuany era judoca e tinha um futuro promissor no esporte. De família humilde, começou a dar os primeiros golpes aos oito anos, graças a um projeto social na comunidade do Jacarezinho, Rio de Janeiro. E foi justamente no tatame que o sonho foi interrompido.

Os Jogos Parapan-Americanos Lima 2019 começam nesta sexta-feira (23) e vão até 1º de setembro. O Brasil vai com uma delegação de 337 atletas. O número representa um acréscimo de 24% em relação a Toronto 2015.

Aos 21, a atleta sofreu um grave acidente no Grand Prix de Judô, ao lutar contra a cubana Idalys Ortiz, campeã olímpica e atual medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos Lima 2019. “Minha perna torceu, virou, fez um ‘S’. Lembro que na hora eu caí no chão gritando de dor. Eu desmaiei umas três vezes”, contou.

A dor foi profunda e as consequências também. Tuany rompeu os ligamentos do joelho direito. Os médicos chegaram a indicar a amputação da perna. Entre idas e vindas, ela ficou quase um ano internada. Nesse período, teve infecção hospitalar e trombose. Sem poder competir, contou com a solidariedade dos amigos para sobreviver.

“Tenho dores todos os dias, mas convivo com elas. Apesar de não sentir nada do joelho para baixo, consigo me locomover bem”, afirmou.

Em 2017, três anos depois do acidente, Tuany decidiu recomeçar. Incentivada pelo ex-judoca Flavio Canto, embaixador paraolímpico, conheceu o Centro Paralímpico Brasileiro (CPB), em São Paulo. Lá, descobriu o atletismo. Deu certo. Hoje, ela lidera o ranking nacional do arremesso de peso e é quinta colocada no lançamento de discos na classe F57.

“Em três anos, alcancei a marca de terceira melhor do mundo e conquistei o recorde brasileiro no arremesso de peso. Tento transformar tudo o que passei em combustível para não desistir e chegar ainda mais longe”, disse.

Durante a nova fase, Tuany passou a contar com o apoio de Sara, sua namorada. “Ela é muito especial, me dá forças quando não tenho. Às vezes tenho crises de dores e lá está ela, com minha medicação, dizendo que vai ficar tudo bem, incentivando a treinar. Estamos juntas há um ano ela só veio para somar”, explicou.

O Parapan é parte de um projeto mais ambicioso: os Jogos Olímpicos em 2020 “Se tudo der certo, estarei ano que vem em Tóquio. E o Parapan vai ser só um ensaio para isso”.

Desde 2007, no Parapan do Rio, o Brasil ocupa o primeiro lugar no quadro geral de medalhas. Em Toronto 2015, foram 257 no total: 109 ouros, 74 pratas e 74 bronzes.

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