EUA cortam taxa de juros pela 1ª vez em 11 anos

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) cortou a taxa de juros dos EUA pela primeira vez hoje (31) desde dezembro de 2008 –quando chegou ao piso mínimo histórico de 0,0% a 0,25%.

Com a decisão de hoje, a taxa de juro passou para patamar entre 2% e 2,25% ao ano, conforme já era amplamente esperado pelo mercado.

A decisão não foi unânime, com 8 votos a favor e dois contra. “Os votos dissidentes indicam o grau de incerteza quanto ao cenário prospectivo”, afirmam os analistas Camila Abdelmalack e Alexandre Almeida, da Capital Research.

Como justificativa para o corte, o Fed citou inflação fraca e os desenvolvimentos globais.

“O consumo vem se recuperando, enquanto o mercado de trabalho também segue fortalecido. Por outro lado, dados de investimento mostram algum arrefecimento e a inflação permaneceu em patamar baixo. Diante o contexto de desaceleração da economia global e a tendência desinflacionaria, o Federal Reserve amparou sua decisão”, afirmam os analistas da Capital Research.

Em comunicado, o banco central americano disse que “continuará a monitorar” os dados econômicos do país, enquanto “contempla futura trajetória” dos juros.

“A sinalização é que a velocidade e o tamanho do ciclo dependerão da evolução do cenário econômico, não há uma trajetória definida”, afirmam os analistas.

O presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva às 15h30.

Os investidores buscarão pistas sobre os próximos movimentos nos juros por lá. A sinalização de um novo corte na reunião de setembro é a principal delas.

De volta ao normal antes do esperado

O Fed encerrou a redução do seu balanço de títulos do Tesouro em agosto, dois meses antes do que era previsto pelo mercado.

Desde maio o Fed vem resgatando, ou seja, permitindo o vencimento de US$ 15 bilhões por mês em títulos do Tesouro, um volume bem inferior ao ritmo anterior de US$ 30 bilhões.

O plano era que o Fed continuaria reduzindo o ritmo de resgates entre maio a agosto, até que o balanço se estabilizasse no fim de setembro.

A partir de outubro os juros que seriam recebidos dos títulos em posse do banco central americano passariam a ser reinvestidos em títulos até um limite máximo de US$ 20 bilhões, o que manteria o tamanho do balanço ainda muito grande – atualmente é de US$ 3,9 trilhões, ante o máximo de US$ 4,5 trilhões que atingiu.

A redução a carteira de ativos faz parte do plano de normalização da política monetária que estava em curso, o que inclui altas de juros, mas o adiantamento do fim das compras surpreendeu os mercados financeiros.

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